Neste momento, no site da CGTP não há números, enquanto no da Fenprof se fica por um singelo:

Lisboa: manifestação nacional da Administração Pública com largos milhares de participantes

Para quem conhece a linguagem específica destas lides, fica-se a perceber que ficou muito abaixo dos pretendidos 150.000 manifestantes.

Se me regozijo com algo que era facilmente previsível que decorresse como decorreu?

Não, pelo contrário. Lamento a forma apressada e mal preparada como foi lançada esta manifestação.

A culpa é dos que não foram?

Talvez.

Mas será que a culpa será sempre do povo ignorante? Dos outros?

As massas o são boas quando obedecem aos cozinheiros iluminados?

Ou então de quem reagiu de forma pavloviana, não percebendo que as coisas já não são o que eram. O problema é que, quando não são obrigados a chocar com a realidade, os profissionais da luta perdem o pé e desconhecem o cheiro do balneário.

O que poderia ter sido feito?

Para ser feita uma greve geral com tanta distância em relação ao anúncio das medidas, acharia preferível fortes mobilizações sectoriais, não apostando no todos ao molho e talvez dê resultado.

Assim fica a imagem de uma manif tristonha, muito longe de outras, da própria administração pública, no mandato anterior.

Se isto poderia levar as cúpulas lutadoras a repensar estratégias e formas de ligação às bases?

Isso deveria ser evidente. Mas enquanto se pensa que tudo pode voltar a ser como já foi, estamos feitos, porque ninguém sente vontade de mudar.

O Jerónimo de Sousa e o Louçã estavam todos animados? Estavam! É o seu ofício!

Isso serve de alguma coisa? É melhor não responder.

Vou mais longe: tudo isto não passa de coreografia. Tinham de fazer isto, custasse o que custasse. Pois façam!