Claro que pode. Mas eu não acredito que fortes convicções se abalem com meras sondagens.

Maioria dá OK à greve mas não tenciona aderir

O mais grave é não perceber as razões disto. O mais grave é continuarmos a pensar que o inferno são apenas os outros e não todos nós, a começar pelas péssimas cúpulas (começo a hesitar em chamar-lhe elites…) de que dispomos, seja na governação, oposição ou contestação.

O mais grave é o divórcio quase total entre decisores e executantes das pretendidas decisões.

Isto coloca-se no plano político, mas não só.

O abstencionismo eleitoral, não é num fenómeno isolado. É algo que decorre do abstencionismo social, que não é contrariado pela bravata em conversas de café ou comentários em sites de jornais ou blogues.

O que também é grave é que quem – como no passado – tente de algum modo que as pessoas e organizações reflictam sobre isso, para agirem de forma convicta e livre de pressões, sejam acusadas de serem inimigas disto ou daquilo.

O que é grave é que, mal as costas folgam, certas organizações – nomeadamente os sindicatos – pensem que já tudo voltou à normalidade e que a coreografia pode seguir de novo.

Não, as circunstâncias mudaram e era bom que as rotinas e automatismo fossem revistos e também mudassem.

Mas quem está instalado no sistema, nem que seja como profissional da contestação, tem dificuldades em reconhecer que o sistema mudou debaixo dos seus pés e que pode restar apenas o vazio.

Nestes casos, como em 2005-07 no do sindicalismo docente, a queda é abrupta. Em tempos, foram salvos da queda completa pelas bases.

Mas não souberam retribuir.

É tempo de, de uma vez por todas, merecerem o respeito e apoio dos representados. Porque a generalidade dos políticos já os perderam.

O vazio está aí.