Ouvi mais uma bateria de especialistas a falar dos problemas do orçamento e daquilo que deve ser feito do lado da despesa e da receita e tal, aquelas coisas que eles falam como se estivessem a fazer contas no papel almaço da mercearia.

Aliás, tomara nós que eles fossem bons merceeiros, que nem isso são, meros adivinhões sempre falhados, não fosse a econometria a medição dos falhanços entre as previsões dos economistas e aquilo que depois eles dizem saber corrigir.

Mas em toda sua sabedoria, apesar da rotunda discrepância, a maioria clama, com indignação, tremor e quase chispa no olhar: não se pode sacrificar mais o rendimento das famílias, há que cortar na despesa do Estado!!!

Por despesa do Estado entende-se quase sempre – que outra coisa não querem dizer – corte nos rendimentos dos funcionários públicos, seja reduzindo-lhes o emprego, seja reduzindo-lhes o salário.

O que me levanta uma questão, quiçá bizantina, quiçá otomana: mas será que funcionário público não tem família? Será que cortando nos salários dos funcionários públicos não se está a diminuir o seu rendimento disponível?

Interrogo-me: família de funcionário público é coceira em genitalia alheia, como quem diz colírio ardente em olho terceiro?