É verdade que Passos Coelho estava completamente entalado entre a coerência para com tudo o que disse à opinião pública e os interesses que se movem no seu partido em todos os quadrantes, com o apoio activo de Cavaco Silva.

Se ousasse erguer-se acima do estatuto menor que tem para os barões do seu partido, seria desautorizado em pleno Parlamento pelos deputados escolhidos por Manuela Ferreira Leite e todos os vira-casacas que por lá andam.

Assim optou pelo caminho que o irá imolar progressivamente perante o eleitorado, em especial se os tais interesses que o ergueram, não prefiram fazer-lhe o que fizeram a Santana Lopes e Luís Filipe Menezes.

De qualquer maneira, se havia ainda um pequeno pingo de estima e credibilidade pelo anterior pedido de desculpas, neste momento ele desapareceu.

Passos Coelho admite aprovação do OE

O “gesto” pedido por Teixeira dos Santos ao PSD surgiu esta manhã: Pedro Passos Coelho afirmou que “a aprovação do Orçamento” é um “pequeníssimo degrau da escalada” necessária para evitar “problema maiores”.

Sócrates venceu de novo, com base num bluff e voz grossa. Como sempre, beneficia de adversários fracos, facilmente atemorizáveis e de uma oposição mais preocupada em manter as suas posições e beneficiar de um ou outro favor do que em fazer valer as suas ideias.

O Governo limitou-se a abrir a porta e subiu um par de degraus. O PSD fez o caminho todo, aos ziguezagues, aos tropeções, com escassa auto-estima e demasiado medo.

Ora, em política como em outras coisas, quem tem medo, é melhor ficar em casa e não nos fazer perder tempo.