Não é de agora, pois já têm anos as distorções que o jornalista Paulo Chitas faz de muitos dados sobre a situação dos professores. Continuam, contudo, a ter abrigo na Visão as suas análises manipuladoras e recentemente foi recompensado pela sua amiga Maria João Valente Rosa (alguém com trajecto reconhecido nos ministérios da Educação e Ciência e Ensino Superior) com a co-autoria de um livro para a Fundação Manuel dos Santos.

Na Visão de hoje vem uma caixa de texto com um conteúdo absolutamente vergonhoso, aquilo que em termos técnicos se chama uma merda, desculpem, uma mentira, desculpem, uma utilização abusiva de dados inexistentes.

Fica aqui o recorte da peça, visível  na página 97 da revista.

Em primeiro lugar temos a (consciente ou incompetente?) confusão entre os efeitos processo de avaliação do desempenho que ocorreu no mandato de Maria de Lurdes Rodrigues com o acordo assinado por Isabel Alçada com alguns sindicatos de professores. Escrevendo há anos sobre Educação, ou Paulo Chitas é especialmente nhurro de entendimento ou então é mesmo desonesto na abordagem que faz do assunto.

Mas há pior e demonstrável de forma elementar. Adianta ele que de acordo com o boletim de execução orçamental de Janeiro a Julho deste ano há um diferencial de 341 milhões de euros em relação a 2009.

Ora bem ficam aqui os links para os boletins relativos aos períodos em causa (2009 e 2010).

Mas com os bonecos talvez seja mais fácil:

Janeiro-Julho de 2009

Janeiro-Julho de 2010

Como é fácil verificar, de Janeiro a Julho de 2009 os encargos totais com pessoal do Ministério da Educação somaram 2958,1 milhões de euros e em igual período de 2010 atingiram 3167,1 milhões.

A diferença é de 209 milhões de euros e não os mirabolantes 341 milhões que indica Paulo Chitas.

Mas a incompetência é tal que, mesmo com base nos seus números, Paulo Chitas faz a asneira de, extrapolando para o ano todo, tomar os 5 meses de Agosto a Dezembro como valendo o mesmo que os 7 de Janeiro a Julho (sendo que em cada um dos períodos há um mês adicional de subsídio, de férias no primeiro caso e de Natal no segundo) e atinge o valor de 680 milhões de encargos a mais com professores em 2010.

O homem devia estar mesmo em dia não. Ou então estava inspirado, como nos tempos em que adulterou escalas num gráfico de uma revista especial sobre o estado da Educação há um par de anos.

Extrapolando dos valores reais para os primeiros 7 meses de 2010, encontramos um valor médio adicional de 30 milhões mensais em relação a 2009. Extrapolando para o ano todo atinge-se um valor de 360 milhões, porventura um pouco mais se pensarmos que existirão mais alguns docentes a progredir nestes meses (apesar dos esforços das DRE para o evitar).

De qualquer modo, como resultado da ADD de que Paulo Chitas foi entusiasmado defensor o valor das progressões ficará bem abaixo dos tais 400 milhões de euros que, em qualquer caso, não derivam do acordo nem da generosidade de Isabel Alçada, como esta criatura com carteira de jornalista escreve.

Ou seja, esta caixa de texto é mesmo uma enorme bosta jornalística e um monumento à desonestidade intelectual que infelizmente ainda não foi devidamente avaliada por quem aceita que isto seja publicado sem verificação dos factos, sendo que o autor é useiro e vezeiro neste tipo de habilidade.

Se o dito cujo achar que estou a mentir e que ele não distorceu completamente os números, processe-me que terei todo o prazer em repetir o que aqui escrevi, cara a cara.

Nota final: O que acima fica escrito responsabiliza-me a mim. Agradeço que os comentadores se saibam moderar e responsabilizar-se pelas suas eventuais afirmações porque eu só me defenderei a mim mesmo e isto fica já aqui bem claro.