Não vou considerar a iniciativa como um flop porque não sou assim tão má pessoa. Estava representado o Umbigo, o Reflexões de um cão com pulgas, o Espreitador, o Mil-Hafre e o Linhas de Pensamento. Sem desprimor para mim e os presentes, pouca coisa e notório o virar de costas de outros blogues mais sonantes. Foi feita gravação e depois poderão ver o que se passou.

Notas breves, por ordem de anotação mental:

  • Estrutura amadora, eventualmente voluntarista, mas sem traquejo para estas andanças. O cenário que envolve o auditório não pode continuar a ter, por exemplo, um endereço na net que já não corresponde ao site oficial da candidatura.
  • Candidato empático, simpático e excelente conversador, mas claramente uma boa pessoa metida numa grande alhada ou, como o próprio disse com a gravação a correr, alguém que lançou um pequeno barco ao oceano e que agora ou se afoga ou nada até atingir uma ilha.
  • Dificuldades notórias em fazer passar a mensagem para a comunicação social e a sensação de injustiça e desigualdade de tratamento.
  • Um discurso coloquial e agradável que, quando deixado a si mesmo e com plateia de apoiantes, tende a ficar demasiado fofinho, algo que tive de dizer ao próprio, fazendo o papel de advogado do Diabo. No entanto, percebe-se que Fernando Nobre por vezes consegue descolar um pouco e tornar-se mais incisivo, mesmo se sempre com aquele ar de bonomia extrema a envolver a legítima indignação.
  • Em suma, e como também disse ao vivo, não sei até que ponto esta candidatura poderá alargar a capacidade de intervenção na sociedade de alguém que, sendo consensual, optou por uma luta que, de acordo com o próprio, não segue regras reconhecíveis e se desenvolve em grande parte na lama.

Desde o início que digo o mesmo: Fernando Nobre é demasiado boa pessoa para, mesmo ele insistindo que a decisão foi sua, o terem estimulado para isto. Até porque esses, se cheirarem naufrágio, serão os primeiros a roer a corda…