… pelo que seria tempo de percebermos quais as propostas alternativas – se existem – no PSD quanto aos sacrifícios exigidos à Função Pública e especificamente aos professores, ao lado dos quais, quando sabiam que isso eram pouco eficaz em termos parlamentares, disseram amiúde estar nos últimos anos.

Concordam que, depois de quase 2,5 anos de congelamento nas progressões e contagem de tempo de serviço, se siga o mesmo em 2011 (e quase certamente em 2012, até ser tempo de eleições em 2013…)?  Concordam com o mito útil de que o acordo de Janeiro acresceu 400 milhões de euros à despesa pública, uma mentira que vai sendo repetida sem que ninguém com responsabilidades na oposição a desmonte e negue?

Concordam que, como parecem indiciar alguns opinadores e bloggers próximos da área laranja, o Estado deve reduzir ainda mais a sua participação na Educação e que deve optar por um sistema paralelo aos das parcerias público-privadas estabelecidas na Saúde, até ao momento com resultados muito inconclusivos quanto ás vantagens financeiras para o Estado e utentes?

Concordam que, ao contrário do que sempre afirmaram, os professores estão muito bem pagos e devem ser novamente sacrificados em nome do interesse nacional, enquanto o Estado continua a lavrar contratos de outsourcing, alegando falta de meios técnicos, quando afirma ter excesso de funcionários?

Será ofensivo perguntar se o PS não está a fazer a política do PSD nesta matéria, em vez do próprio PSD, permitindo à nova direcção laranja eximir-se a um discurso claro nesta matéria – fugindo a hostilizar abertamente o eleitorado docente – e lavando branco tudo o que foi feito de ziguezagueante ao longo de 2009?

Será ofensivo questionar se a investida feita em nome da liberdade de escolha em alguns sectores da blogosfera, em nome de um ideário liberal, se poderá alargar a uma verdadeira liberdade de escolha, por exemplo, na definição de um desenho curicular descentralizado, de uma liberdade de escolha (e recusa) de alunos pelas escolas e professores? Se a liberdade de escolha é para levar a sério em todos os aspectos ou apenas naqueles onde há negócio?

Não será também liberdade de escolha aquilo que fazem os alunos que optam pela fast lane das Novas Oportunidades para chegarem à Universidade? Não será liberdade de escolha poderem optar livremente pelos cursos que querem seguir, mesmo sem cumprirem um trajecto regular?

Como combinam as ideias de liberdade de escolha pelos agentes educativos com a exigência de rigor na Educação, regras progressão na escolaridade e até de acesso à profissão docente?

Repito: a liberdade aplica-se apenas à parte do empreendedorismo, dos negócios, ou é para ser uma liberdade mesmo a sério?

Que tal explicarem, de uma vez por todas, se consideram como hipótese o fim de um concurso nacional de docentes (recordemos que foi David Justino que muito bem reforçou os seus mecanismos de controle e equidade, digam o que disserem em contrário…) e de uma tabela salarial única, substituindo esses mecanismos por concursos locais e contratos individuais de trabalho?

Porque, isso sim, seria um verdadeiro liberalismo aplicado à educação em muitas vertentes que agora não se falam. E seria útil perceber se a causa da Educação e a defesa da Escola Pública foi apenas um encavalitanço instrumental, se foi uma convicção séria.

Porque, pela parte que me toca, já tanto se me faz o que entenderem fazer. Sei que sobrevivo em qualquer sistema. Mas gostava que não se encolhessem, que se encostassem disfarçadamente à esquina, enquanto o odioso de tudo fica para os outros, sabendo-se que defendem o mesmo ou até algo mais radical.

O apoio aos professores e às suas causas era sincero ou uma táctica destinada a potenciar a erosão do PS?

Afinal estavam a favor dos professores ou apenas contra o PS? Eu sei a resposta há tempo suficiente e só a coloco aqui e agora porque os flik-flaks e rodopios de alguns notáveis ex-pró-luta começam a dar demasiado nas vistas… Porque já há quem recupere o ideário pré-2005-2006 em passo acelerado e se preste a apontar isso como sinal de coerência

Ahhh… e não me venham com a treta do interesse nacional, que esse, coitado, não teve Novas Oportunidades e não transita da cepa torta há muito.