A CGTP já apresentou data para o evento e a UGT abertura para discutir todas as formas de luta. Eu sei o quanto custa este tipo de decisões a pessoas como Carvalho da Silva e muito em especial a João Proença que é nestes dias de greve geral que mais trabalham.

Pelo que me sinto sensibilizado e mais sensibilizado estaria se os não visse há décadas a tomar este tipo de decisões criativas, sempre na brecha, sempre a abrir, quando a coreografia pede passo de dança de salão. Mas sempre longe de um posto de trabalho normal. Não me levem a mal, chamem-me invejoso, mas é assim que cada vez encaro mais as coisas. A falta de criancice tem-se-me feito esvair a escassa ingenuidade e credulidade que só já de si me foram servidas à nascença em dose poupadinha.

Estas coreografias do regime já me fartam para lá do digerível.

Já sei, já sei, há que enviar uma mensagem ao governo, há que fazer algo, há que exteriorizar a indignação, há que marcar uma posição, há que fazer algo, há que!!!!!

Se discordo, que apresente alternativas. Quase me apetece que dizer que não é para isso que me pagam e dão 100% do tempo para congeminar.

Mas digo desde já: no que a mim diz respeito não há acordo que me faça mexer uma palha para colocar a ADD em movimento.

Agora sentar-me, reunir-me. marcar uma data e carregar no piloto automático para as massas obedecerem (caso contrário são fascistas, isto e aquilo…) não é a minha missão neste mundo. Nem eu sei bem qual é. Mas essa não é.

Desculpem-me os mais entusiasmados, os mais revoltados, os mais inconformados, os que do sofá vão bramir contra o meu reaccionarismo.

Mas eu vou-me refugiando cada vez mais num individualismo pragmático: que resultados deram as greves gerais na Grécia ou Espanha? Importam-se de me comunicar as enormes conquistas das massas gregas e espanholas? Só para me estimular um pouco a não oferecer ainda mais 5% do meu ordenado mensal aos cofres do Estado antes de 2011?

Quando é que imaginam algo que não provoque danos apenas aos já danificados?

Só falta aparecem os puros radicais apelarem à revolta violenta, nomeadamente a estragar os carros e negócios de outros mexilhões desprotegidos como eles! Será que se lembram, quando se excitam perante violências alheias, se ela é dirigida contra os bens de quem tem tão pouco como eles?

Se sou divisionista? Não sei… eu não estou em nenhum colectivo para o dividir, quanto muito subtraio uma irrelevância à enorme relevância das massas.

Se sou derrotista? Não… eu já estou é cansado de todos os actores deste enredo, por demais previsível, quererem comer por parvos os peões de brega lançados para a arena, como se fossem dados de um jogo só de azar.

Sou pouco solidário? Nem por isso… Se sou pouco solidário é comigo mesmo… que no mínimo levarei um corte de 10% no meu rendimento disponível.

Solidário estou com esses grandes vultos do trabalho burocrático nacional que, em dia de greve geral, são obrigados a trabalhar mais do que nunca.

E solidário estaria ainda mais no dia em que se dessem ao trabalho de ir um pouco para além da rotina. Afinal foi esse o verdadeiro emprego que escolheram. Podiam evoluir…