Domingo, 26 de Setembro, 2010


Nick Cave and the Bad Seeds, Dig, Lazarus, Dig!

Do Ateísmo

… uma enorme conquista para o meu escritório.

Após umas horas de denodada luta contra papelada velha na forma de cópias supérfluas de fichas de avaliação, planificações justamente ignoradas,  revistas ou suplementos de jornal esquecidos, materiais de manuais do século passado e outras coisas que já me foram úteis, consegui escavar – é o termo correcto – o suficiente para libertar, grosso modo, 3 a 5% de espaço livre para depositar novos materiais adquiridos.

Vocelências poderão considerar escassa proeza, não conhecendo o contexto, mas em o conhecendo perceberiam que cada porcento de espaço ganho aqui equivale, em esforço e determinação, a igual porcento de redução do nosso défice e eu não posso fazer a coisa por decreto e mandar os outros pagar. A luta é mesmo corpo a corpo.

Numa contabilidade muito particular, isto significa que, se quiser estragar tudo de novo, arranjei espaço para 60 a 100 revistas ou livros novos, quantidade que já foi reduzida este fim de semana em 3 livros e um par de revistas, sendo que o Parrot and Olivier in America do Peter Carey (sim, estou numa fase Carey), mesmo sendo paperback, se atira para as quase 580 páginas.

Amanhã é um novo dia e eu não desespero: o défice de espaço será combatido, sem que para isso seja necessário dançar o tango. O ecoponto azul, entretanto, vai transbordando.

Aquela que interessaria fazer fora do meio académico, de algumas revistas entrincheiradas de cada lado da barricada, com alguma clareza, sem adesivagens, encavalitanços e acagachamentos. Se possível com conhecimentos básicos de Teoria Política e alguma coisa de História, essa coisa chata que dizem ser um cemitério, mesmo se cemitério é o destino de todos nós.

Aquela em que se explica que Democracia, Socialismo, Liberalismo, República, Comunismo, Social-Democracia, Democracia Cristã, Monarquia, essas coisas todas, são diferentes, podem convergir ocasionalmente, mas não têm correspondências directas entre si.

Começando pela Democracia, a histórica, ateniense, que era tudo menos democrática, pois era escalavagista, um bocado pederasta e certamente misógina. Era uma Oligarguia alargada e tão só isso. Era uma espécie de Democracia Esclarecida, simetria do Despotismo Esclarecido oitocentista.

E depois o Liberalismo, que pode ser uma e muita coisa mas que, enquanto regime político, viveu bem o século XIX sem ser democrático, negando o voto a mulheres e gente que não tivesse dinheiro para pagar impostos.

O mesmo para a República, que só tardiamente foi democrática entre nós. Assim como a Monarquia, que foi liberal e constitucional, mas não democrática, mas que agora é mais democrática em muitos países do que algumas repúblicas.

E que dizer do Comunismo inatingido na História, excepto nos kibbutz israelitas como ironia etno-geográfica do comunismo primordial, o cristão? Seria o Comunismo democrático, ao não permitir a propriedade, caso a maioria assim o desejasse?

E do que falamos quando falamos de Socialismo? Da fase de transição do Capitalismo para o Comunismo no modelo marxista, ou das derivações nascidas há mais de um século, como formas de adaptar uma teoria demasiado rígida à pratica da convivência com o parlamentarismo? Perguntam-me sobre a Social-Democracia, que mais não é do que uma variante daquela coisa a que se decidiu chamar Socialismo Democrático, mas que também pode albergar os credos de matriz mais liberal. Pois, talvez esse seja o híbrido que serve para cobrir tudo e mais alguma coisa, tendo-se perdido o seu sentido original que era o Reformista, por oposição ao revolucionarismo…

De Democracia Cristã, a menos que seja a aplicação dos princípios democráticos com a ajuda da fé divina, não sei sequer o que a distingue e uma qualquer outra democracia que respeite as fés individuais e/ou colectivas, incluindo as que não são cristãs.

O imenso problema é que cada um ergue o seu credo acima dos outros e quer proclamá-lo absoluto, ou quase, na sua bondade, esquecendo-se que é um credo de facção, um pouco como as religiões.

Desculpem-me lá, não é a defender a amálgama do pragmatismo, mesmo na sua formulação mais feliz, a do utilitarismo de Bentham. Mas é chamar a atenção para o facto de nenhuma das crenças esgotar a realidade, muito menos as paixões e vontades humanas. Logo, nenhuma pode aspirar a ser verdadeiramente democrática se não contemplar a possibilidade das outras.

Aliás, a sermos justos, e como o dizia Churchill, nenhum modelo é perfeito, a Democracia actual ainda é o que se arranja de menos mau, mas mesmo sobre o que é Democracia temos matéria para discussão, pois eu não acho que ela se esgote no voto quadrienal e numas passeatas por ruas e avenidas em ocasiões especiais.

Então, o que fazer? Apresentar com clareza as ideias de cada um, de cada grupo, se possível a uma população capaz de as apreender e discutir, sem cortinas de fumo e mentiras ditas políticas, truques de polichinelo para enganar o que quer ser o próximo ou fazer tropeçar o que está. Porque sem confiança, não há Democracia que funcione, pois o princípio da representação está maculado.

Pois, já sei, afinal sou eu que acredito numa Utopia.

Já me tinha apercebido disso.

Há muito.

Barbara Dickson, September Song

… do que reescrever-nos e dar com todos os lapsos de outrora, mesmo quando não são assim tantos quanto isso. Por agora, e apesar do sol solarengo, vou tentar dar avanço a isto, que a ideia é acabar até ao fim da semana porque depois não há tempo. Portanto, vou aqui e depois já volto.

… os Conselhos Gerais fizessem justiça às suas funções? Na Trofa parece que sim, mas estranho a cobertura dada pela DREN:

Afinal, Parece Que Os Directores Das Escolas Também Se Abatem

Quanto à alfinetada do Reitor, eu responderia com o post anterior… que subitamente passou a ter ele um rebanho solitário a acompanhá-lo na emergência liberal…

😛

E confesso desde já que é uma espécie de resposta ao que o Manyfaces definiu como o encostanço ao Estado. O que a ele faltou foi definir mesmo esses indivíduos como enco(e)stados. Um pequeno passo, simples, quiçá simplório (por isso ele o terá deixado para mim…), mas que aumentaria desde logo a imagética dos tipos políticos nacionais.

Mas o que eu gostaria de apresentar aqui é o conceito do acagachado. Mais em particular do luso-liberal acagachado, que é uma mistura de acagaçado com agachado. É, pois, aquele tipo que se acagaça demais para dar a cara por um projecto, pelo que se agacha atrás de alguém escolhido para testa-de-ferro.

Pedro Passos Coelho não merecia estar rodeado, ou melhor (porque rodear implicaria que alguns ficariam à sua frente, mais expostos aos olhares), empurrado por tantos acagachados, sem coragem para formar o sebastiânico Partido Liberal que arrancaria Portugal às trevas do esquerdismo graças ao apoio de 2 a 3% de vanguardistas. Uma espécie de leninismo de direita, mas sem a parte da determinação.

Disclaimer: Não estou a chamar acagachado ao Manyfaces. Mas ele saberá ao que e a quem me refiro.

… sobre aquele senhor que em Lamego tem um placa à porta a anunciar que é deputado (e cuja imagem já recebi umas dezenas de vezes). Há níveis mínimos de inteligência a manter no tema dos posts, mesmo quando me queixo da ignorância dos meus alunos em matérias básicas.

… quanto ao resto é apenas ignorância básica quanto às subtilezas e diferenças entre o léxico político dos dois lados do Atlântico. Nada que umas lições de Introdução à Política nas Novas Oportunidades não resolvessem, mas nesse trimestre o professor estava de folga…

Sócrates confundido com comunista em Nova Iorque

(…)

A posição de José Sócrates foi assumida no Fórum Mundial de Líderes, na Universidade de Columbia, onde assustou a plateia quando se definiu como um político “socialista”. Nos EUA, a palavra é sinónimo de comunista, o que criou ruído de fundo entre os alunos da universidade, e José Sócrates teve de “clarificar” que um socialista na Europa “é o que nos Estados Unidos se chama liberal democrata”.

Já agora, nos EUA, em termos políticos, não há o conceito de liberal não-democrata sem ser na cabeça do Rush Limbaugh ou de Glen Beck.

E podem dizer-me o que quiserem do estudo que fizeram e a quem fizeram. Os 93%, pura e simplesmente, não correspondem à verdade. A menos que seja 93% dos professores já usou, pelo menos uma vez, o computador para esse efeito.

Gostava e saber quem o usa com regularidade em sala de aula e que se explicasse o que significa fazer testes.

Anote-se ainda que, no ano lectivo transacto, 0% dos professores do 1º ano puderam fazer fosse o que fosse porque não houve Magalhães para ninguém.

Um quinto dos professores usa Magalhães para fazer testes

Um inquérito feito a professores de 1º ciclo revela que 93% desses docentes usa o Magalhães para ensinar os alunos a utilizar o computador mas menos de um quinto (19%) fá-lo para lhes aplicar testes. Até final do mês mais de 22 mil MG2 chegaram [sic] às escolas.

Nos próximos 10 dias vamos ter um esforço notável por colocar notícias destas na imprensa. O problema é que o efeito da propaganda em torno do centenário da República não resistirá à apresentação da proposta de OE e à deprimente vida política em seu redor.

… porque já não posso com uma gata ao colo, quanto mais agarrar-lhe o rabo.

“Tenho ouvido o Presidente dizer palavras sensatas”

(c) Francisco Goulão

Aparentemente fiquei rico sem ter jogado…

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