Num comentário a um post a descair para o não-sentido cheio de entrelinhas, a Fernanda 1 escrevia que começava a tornar-se difícil distinguir, a certo pinto, os meus post dos do Fafe.

O que é bom, porque eu posso estar a voltar ao meu normal, depois de 2-3 anos a contê-lo cá dentro em nome da pseudo-utilidade e da inútil preociupação em ser por vezes construtivo.

MAs a verdade é que uma pessoa satura-se a níveis diversos com a realidade envolvente, em especial quando ela é previsível, rotineira e chata, mesmo quando simula contornos dramáticos.

Eu explico-me de forma clara o possível, para que não fiquem sombras.

Em matéria geral de país estamos como somos, uns tipos que oscilam entre a euforia da pimenta e da expo e a depressão dos filipes e dos vencidos da vida. Só que com umas excitações fluoxetinadas pelo entremeio.

  • Todos fazem o que o guião determina, mas como se assim não fosse: o governo deve apresentar um orçamento visto que é governo, a oposição deve contestar pois é oposição e o orçamento não é, nem deve, ser seu. A oposição que se quer afirmar como alternativa não pode aparecer como se fosse governo, a partilhar opções e os outros, nos seus papéis estereotipados, aparecem a clamar pelos seus princípios particulares.
  • O presidente aparece como garante do bom-senso, da estabilidade e da convergência porque é isso que as suas funções determinam e um primeiro mandato exige. Não há aqui nada de novo debaixo ou acima dos céus. Pelo contrário, é confrangedor de tão inimaginativo. Uma pessoa sente vontade de colocar dois dedods na boca, mas para evitar o vómito entediado.
  • Os opinadores opinam, uns ensinando a fazer o que não fizeram quando podiam, outros comentando e apontando erros e equívocos porque é essa a sua missão e o seu pão para a boca. Se dissessem que sim, é assim mesmo, perdiam o espaço, a função, a utilidade, a remuneração. E assim passámos a ter 12 quadraturas do círculo, 2 por cada canal generalista ou com n de notícias.

Em matéria de Educação vivemos outra ficção que não deixa de ser a realidade que é, mas com muita gente a fingir que podia ser de outra forma.

  • O ME finge que existe enquanto entidade autónoma dos humores das Finanças, mas nem umas metas de aprendizagem consegue apresentar, que não sejam meros objectivos estatísticos de sucesso, sem qualquer conteúdo pedagógico.
  • Os sindicatos, excepto a dezena que não sabemos se existe, fingem que não fizeram um acordo que validou parte do que existe e não teve qualquer das contrapartidas que insinuou que iria ter. Ensaiam-se umas contestações retóricas, clama-se por minudências, para ocultar que se perdeu o momento de conseguir algo. Sabem que agora é impossível, mas clamam uma indignação vazia de snetido, atendendo ao que pactuaram.
  • Os professores dividem-se entre os que se iludem que é possível melhorar algo nos próximos tempos, ou pelo menos não perder mais, nisso fazendo eco de uma indignação sindical ou para-sindical, enquanto outros e vão acomodando ao novo modo de vida, mesmo se com queixas de que não queriam, a bigorna é que é pesada. Queixaram-se dos tituilares por açambarcarem funções, agora queixam-se porque já não as têm. Enconstam-se e esperam que o mundo seja lido e lhes seja escrito, porqiue dar aulas já cansa muito e é a sua função. No meio disto tudo ainda há os mais parvos do que os parvos, como eu, que pensam que fazer essa leitiura e essa escrita é útil para alguma coisa, quando bem se sabe que nem uma dezena de posts pode remover um artugo de um diploma escrito com os pés por um qualquer assessor jurídico do terreiro do paço e que nem uma centena resolve uma ssinatura de um representante em entendimento acordado a dormir.

E assim me parece que é o ponto em que as coisas estão, enquanto não estiverem pior, atendendo a tudo o acima escrito, descrito e validado.

Enquanto assim for, e como balão de oxigénio, concedam-me um punhado de posts curtos, compridos ou medianos, que me dêem algum prazer escrever, mesmo que pareçam desenquadrados das vossas aspirações.

Porque quando o prazer disto se for por completo, tudo se vai de vez.