Quinta-feira, 23 de Setembro, 2010


Rui Veloso, Saiu para a Rua

Justíssima edição comemorativa, em especial dos 4 primeiros álbuns e do duplo ao vivo. Esta, como mais umas 10 ou 20, fazem parte de toda uma memória… Entre o divertido e o comovente… E as all-time favourites.

Há que ir enlouquecendo sempre mais um pouco, para que a sanidade não se esgote logo.

Associações.

Tornou-se recorrente o apelo a – perante tudo o que não tem funcionado – novas ideias, novas estratégias para a luta dos docentes.

Minhas amigas e meus amigos, os tempos não estão favoráveis para ganhos, apenas para limitação de estragos.

É nessa perspectiva que eu lanço daqui uma nova proposta de estratégia.

Assine-se logo de início um qualquer acordo e marque-se em seguida uma grandiosa manifestação para comemorar o ditoso acontecimento.

Há comentadores que lamentam terem sido relatores, sem hipótese de recusarem, na sequência de outros colegas (nomeadamente ex-titulares) se terem livrado da função.

Mas então… expliquem-me lá… se outros recusaram… é porque é possível…

Ou não?

Medeiros Ferreira, na TVI24, afirma que ainda há uma margem para aumento de impostos e que isso até pode levar a um aumento da poupança das famílias.

Meu caro ex-professor, sempre admirei a forma como elabora o seu pensamento em filigrana, mas esta fez-me rir: com menos dinheiro, poupando mais. Salazar, volta, que estás perdoado!

Em torno do Orçamento.

O PSD não aceita negociar previamente o OE – o que não é nenhum crime de lesa-majestade – e parece que o mundo vai acabar.

O Presidente da República que promulgou uma série de obras e parcerias público-privadas, aparece agora a apelar ao bom-senso.

Isto é tudo uma treta. O OE pode passar apenas com os votos do PS, a abstenção da Direita e o voto contra da Esquerda.

Na SIC, José Gomes Ferreira coloca o dedo na ferida verdadeira: foram lançadas obras, foram feitas parcerias em que o Estado apresentou obra para pagar mais tarde e o tempo estrá a chegar. Há empresas municipalizadas com múltiplos gestores e mordomias variadas. Fundações financiadas pelo Estado.

Tudo isto é de uma enorme hipocrisia: o PSD necessita de se apresentar como alternativa, logo não quer parecer que é parceiro no OE. Ao governo convém dramatizar, para passar a responsabilidade para outrem. O Presidente quer parecer responsável, depois de ter validado a irresponsabilidade.

Tudo se resolverá, mas é preciso agitar as águas para todos fazerem prova de vida.

Já aqui escrevi um par de vezes acerca da ambivalência que sinto quanto aos escritos de Rui Ramos. Acho-lhes qualidade, domínio assinalável da história política contemporânea, mas também detecto o gosto pelo artifício, as desafeições que toldam o olhar e o prazer de, por via das desafeições, fazer leituras dos factos que deixam um pouco a desejar em matéria de rigor ou poder explicativo.

Na revista Sábado de hoje (pp. 62-68) vem um texto seu (ou ensaio, sei lá…) sobre a implantação da I República, um regime com que ele parece embirrar particularmente.

Tudo bem, eu embirro com aquela zona do liberalismo que fica entalada no segundo quartel do século XIX, mas não é por isso que procuro explicações tautológicas para apoucar o período.

Sobre a República de 1910, Rui Ramos adianta duas teses, ou opiniões, para fundamentar a sua teoria mais geral de que o 5 de Outubro não foi uma revolução:

  • O regime já era republicano antes de o ser, apenas estando por lá o Rei em termos formais.
  • Não é possível tratar-se de uma verdadeira revolução porque «foi possível derrubar uma velha monarquia com a simples revolta de centenas de militares na capital», mesmo se «os revoltosos contavam com simpatia entre uma parte da população da cidade».

Isto é um bocado, digamos assim, falaccioso.

Porquê?

  • Porque uma república com um rei, à época, chamava-se monarquia constitucional e, apesar de tudo, reservava ao rei poderes que um presidente não tinha e não apenas a hereditariedade do exercício do cargo.
  • Da forma como Rui Ramos define como não-revolução o 5 de Outubro, poderíamos definir como não-revoluções todas ou quase as revoluções que na nossa História passam por tal. De 1820 a 1974, passando por 1926, as revoluções foram feitas por umas centenas de militares, com o apoio das populações locais.

Isto não deixa de ser curioso porque, da forma como Rui Ramos coloca as coisas, parece que ele só sconsiderará como revoluções as que correspondem a movimentações de massas.

O que o tornaria, pelo menos neste particular, um marxista bastante ortodoxo.

Ou apenas ene?

O que dizer de formadores fofinhos e new age que espalham a palavra da compreensão e da beatitude pelos professores, no sentido de saberem conter as suas emoções e canalizá-las de forma positiva, de modo a não prejudicar os alunos, mas depois dão o melhor dos exemplo nas classificações dos formandos, penalizando quem ousou colocar questões e levantou dúvidas?

Não deveriam os formadores fofinhos saber, eles próprios, demonstrar pelo exemplo que sabem aplicar aquilo que teorizam?

Pelo que me apercebi há uns dias a fórmula foi simples: as escolas receberam todas ordem de suspensão, nuns casos com autorizaçõies excepcionais para continuarem em funcionamento pelo menos mais um ano lectivo.

How to tell when your boss is lying

It’s not just that his lips are moving

(…)

Deceptive bosses, it transpires, tend to make more references to general knowledge (“as you know…”), and refer less to shareholder value (perhaps to minimise the risk of a lawsuit, the authors hypothesise). They also use fewer “non-extreme positive emotion words”. That is, instead of describing something as “good”, they call it “fantastic”. The aim is to “sound more persuasive” while talking horsefeathers.

O que pode explicar muita coisa, de acordo com este estudo.

How you sit may affect how you vote

WHEN the French legislative assembly met for the first time, in October 1791, it organised itself in such a way that conservative members sat to the right and liberals sat to the left. Over the years, this arrangement became a metaphor for political views, with liberals being considered on the left of the political spectrum and conservatives being on the right. It seems, though, that these terms may be more than mere metaphor, for a study by Daniel Oppenheimer and Thomas Trail of Princeton University suggests that leaning left physically may cause an individual to lean that way mentally, too.

Para aqueles que de professores mantém o nome, carreira e progressões, mesmo se do trabalho quotidiano se vão libertando em funções de relevante interesse público ou social: deputados, assessores, governantes, sindicalistas, etc. Espero que tudo tenha sido negociado, sem dramas, em família.

O valor das ponderações é, no mínimo, curioso. Está tudo aqui.

“Sem ambição não há evolução”, considera Isabel Alçada

Câmara corta viagens

A Câmara Municipal de Santa Cruz anunciou ontem que terá dificuldades em apoiar as viagens dos estudantes finalistas do concelho. Ao contrário de no ano lectivo transacto, em que houve «várias viagens», será difícil aos finalistas deste ano obterem a ajuda da Câmara. José Alberto Gonçalves já marcou uma reunião com as direcções das escolas para o dia 7 para comunicar essa decisão.

Até restaura ideias socialistas.

Diário Económico, 22 de Setembro de 2010

… pop…

… são só velhos e velhas.

Em tempo, recuso esse tempo.

Ler a legislação faz desenvolver o cérebro.