Sábado, 18 de Setembro, 2010


Mazzy Star, Fade Into You

PSD quer livros escolares gratuitos para o ensino escolar obrigatório

Não sei se ria, se chore. Querem retirar o «tendencialmente gratuito» da Constituição e agora lembraram-se desta…

Atenção encavalitados, não começem a (des)encavalitar antes de tempo…

Lembrem-se do outro encavalitado que preferiu o contrato com a PE a dois pingos de coerência…

Após a introdução do conceito do encavalitado de uma forma geral, convém especificar alguns aspectos do seu comportamento e conduta para ser mais fácil distingui-lo de outros elementos em presença no microcosmos da chamada luta dos docentes.

Como ontem se (d)escreveu, o encavalitado não é, em regra, professor do ensino não-superior, sentindo-se por isso portador de uma posição especial no campo social, com um inusitado capital cultural e um intérprete especialmente apto do habitus docente, tudo numa perspectiva pós e pré-bourdiana que pretende ir além da visão que se receia mais esquerdista destes conceitos, recuperando em alguns momentos – em especial quando o encavalitado se observa ao espelho (real ou metafórico) – a hexis aristotélica.

O encavalitado surge assim como um mediador possível entre a turba em revolta e o poder que a oprime, erguendo-se acima do vulgo do revoltoso, exactamente por, ao estar fora, ter uma maior capacidade analítica das situações e lhe ser possível estabelecer sucessivas alianças de ocasião, quase todas elas de conveniência e quase nenhuma por convicção. O encavalitado gosta de contactar com aqueles em que se encavalita, desde que eles não se sintam por ele encavalitados ou o aceitem de forma pacífica, por lhe reconhecerem esse direito. O encavalitado é, nesta perspectiva, um potencial desbloqueador do conflito, assim se procurando mostrar de forma explícita a uns e mais em privado a outros.

O encavalitado tema capacidade de, em público, ser um zurzidor impenitente mas, em privado, saber apresentar-se como uma eventual ponte para uma solução de compromisso. Obviamente, descrê de todas as soluções que não as que o tenham como protagonista, sendo mais importante a circunstância do que o conteúdo, tendo uma habilidade de sofista na demonstração da bondade de algo e da sua maldade algum tempo depois. Concretizando, pode defender com tanta sanha a fórmula da Escola Pública como a fórmula da justiça e da equidade, como apresentá-la como decrépita e a necessitar de completa reformulação. Tanto pode amesquinhar uma avaliação como burocrática como defender outra praticamente igual como a única salvação para o apocalipse educacional.

O encavalitado tem uma espécie de aura messiânica e apresenta-se como o salvador, seja qual for a salvação. E independentemente de ele estar sempre a salvo.

Já ontem deixaram num comentário, mas acho que continua a merecer leitura a quem não conhece. Do Pedro Ribeiro, da Rádio Comercial:

O dia em que aprendi o que é estar morto.

É chato quando é preciso virem os amadores esclarecer…

Assim não… Isto não pode acontecer num sindicato!

Resta saber se é mesmo falta de cuidado, se apenas é material para ir ocupando espaço…

Acham que alguém se ralará? O único que foi despejado, por manifesto incómodo local, acabou na frente da bancada do partido e até já pode fiscalizar juízes…

Carlos César atribui bolsa de 10 mil euros a filho da secretária do Trabalho

O regulamento de concessão foi modificado e assinado pela governante açoriana meses antes de o filho concorrer a uma bolsa.

O filho da secretária regional do Trabalho dos Açores, Miguel Marques Malaquias, recebeu do governo regional liderado por Carlos César uma bolsa de estudo no Continente no valor de 9500 euros, montante a que acrescem despesas inerentes à viagem de ida e volta de avião entre Lisboa e o arquipélago. A situação seria regular e nada teria de anormal se a bolsa de estudo atribuída ao filho de Ana Paula Marques não fosse no âmbito de um curso de Piloto de Linha Aérea. Acontece que esta área de formação só passou a fazer parte do regulamento de concessão de bolsas de estudo a partir de Outubro do ano passado, através de uma portaria modificada e assinada pela própria secretária regional, Ana Paula Marques. “Nesta mesma prossecução, e com a experiência obtida, após a aplicação daquele diploma, urge responder a novas necessidades formativas, em especial aos cursos que visem formar pilotos profissionais de avião civil”, pode ler-se na portaria n.o 80/2009, de 6 de Outubro de 2009, que prevê a mudança do regulamento de acesso às bolsas de estudo do governo regional.

A isto acresce o facto de a bolsa atribuída ao filho da governante ter um valor muito superior às dos restantes bolseiros. Além de introduzir o curso de Piloto de Linha Aérea no regulamento de bolsas, Ana Paula Marques aumentou o valor dos apoios. Nos Açores, as bolsas de estudo são financiadas com um subsídio equivalente a 65% da remuneração mínima mensal no arquipélago, mas a secretária regional decidiu majorar o curso do filho com um subsídio equivalente a 150% da remuneração mínima mensal.

Aumento de alunos em Espanhol, insuficiência de professores. Conversão de professores de Português Francês para Espanhol
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Integração dos alunos do ensino privado no ensino público.
Liceu Pedro Nunes
Adelino Calado, Associação Nacional de Agrupamentos e Escolas Públicas
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“Ensino Alternativo”, Cursos de Educação e Formação (CEF) e Cursos Profissionais. Testemunhos dos alunos, professor e formador. O perfil do alunos, facilitismo?. “O objectivo não é ensinar mas formar”.
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Das escolas privadas para as públicas, Isabel Santiago, mãe de uma aluna, protesta (de novo) pela colocação da filha numa escola vocacionada para o ensino profissional.
Escola Fonseca Benevides e Escola Rainha Dona Amélia.
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Sernancelhe, um professor para 26 alunos com necessidades especiais. Protesto de pais, sem resposta da DREN e da Direcção da escola . Maria José Viseu (CNIPE).
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Recolha e tratamento do Calimero Sousa.

Chegada por mail. Pedi mais pormenores, mas ainda não foi possível. O remetente solicitou o anonimato.

No Agrupamento de escolas de Carregosa, Oliveira de Azeméis dois colegas colocados sendo confrontados com imensos problemas pela Direção nos poucos dias de actividade só tiveram uma saída, rescisão de contrato. Cabisbaixos saíram com a certeza que aquela escola não era com certeza uma escola de valores sadios. A equidade é uma palavra vã, o ambiente péssimo, nem no tempo da outra Senhora. O Srº Director que até foi sindicalista no tempo em que era contra os Directores! Agora vê-se. E tudo isto se vem arrastando desde o ano passado. Mas a paciência tem limites, perante tanta arrogância e prepotência. Deixe-nos trabalhar, somos idóneos  responsáveis e com sentido critico…….mas construtivo.

Caixa de texto da peça de hoje de Isabel Leiria e Joana Pereira Bastos na p. 26 do Expresso:

O que diz a lei

Os alunos que concluíram o secundário através devias de formação que não preveem a atribuição de notas (como os Cursos de Educação e formação de Adultos do programa Novas Oportunidades) e que pretendem aceder à universidade concorrem apenas com as classificações que obtêm nos exames exigidos como prova(s) de ingresso no curso que querem. Dispensam todos os restantes exames nacionais. A nota que obtiveram na(s) prova(s9 de ingresso vale como nota de conclusão do secundário. Por exemplo, como Tomás teve 20 no exame de Inglês, foi-lhe atribuída “administrativamente” essa classificação como média do secundário. Outro regime excecional de ingresso é o que abrange quem tem mais de 23 anos: os candidatos que não precisam de ter concluído o secundário e dispensam realização de qualquer exame nacional. A diferença é que, neste caso, o concurso tem vagas próprias (fora do concurso nacional) e cada instituição fixa os critérios de entrada.

Vamos lá por partes:

  • Isto, ao contrário do que alguns afirmam, não é uma consequência de uma política ou ideologia de esquerda ou direita. É apenas uma consequência de uma política sem vergonha, da qual está ausente qualquer ideologia no sentido nobre do termo, seja qual for a sua filiação. Isto é, aliás, a negação de qualquer ideologia que se preze.
  • Estes regimes, ditos de excepção, por isso mesmo excepcionais no duplo sentido do termo, são uma forma de demonstrar aos alunos que se esforçam que não passam de uns tansos, pois o que se transmite é uma poderosa mensagem desmotivadora. Deixem-se de andar  a cansar pelo ensino regular, metam-se numa via rápida e o sucesso está garantido. Então se tiverem dois dedos de testa, ainda melhor. Aliás, o melhor mesmo é ir dizendo a quem tenha acumulado umas retenções no 1º ou 2º ciclo, que se deixe andar, se meta nas NO ou espere pelos 23 anos porque, se tentar seguir o curso normal das coisas, se calhar só chegaria à universidade com esses 23 anos e muito mais trabalho. O aluno em causa fala em discriminação positiva. Mas discriminação positiva com base em que critério? Uma coisa é defender minorias desfavorecidas, grupos portadores de handicaps de saúde, etc. Outra é isto…
  • Ao mesmo tempo, esta forma de driblar qualquer noção básica de mérito e esforço é uma mensagem profundamente simbólica de um espírito de facilitismo, de truque, de atalho, que atravessa a nossa sociedade de cima abaixo. O que se procura é o efeito rápido para consumo estatístico e elevação cosmética das qualificações. Só que um sistema educativo não pode ser concebido com alçapões destes para o sucesso, como se de uma carreira política se tratasse. Parece que demasiado tarde muita gente começa a acordar no mundo comunicacional para a mistificação imensa que são as NO. Já aqui o disse, no lançamento do livro da anterior ministra, ouvi figuras do mundo jornalístico cuja inteligência prezava, tecerem loas imensas ao modelo NO. Ora o modelo NO é o modelo da licenciatura por fax ao fim de semana, com trabalhos em papel timbrado. Só que agora de forma legal, para evitar chatices. Tenham apenas cuidado com a data do diploma.

Que quase todos validem isto, até a própria Presidência da República que se deixa passear em inaugurações, é apenas um sinal de que os tempos não estão para grande coisa.

Nada, absolutamente nada, quando o sucesso é conseguido assim. Entre nós, e não é deste mandato, é de há muito, com um fortíssimo empurrão a partir de 2005, o sucesso é feito à imagem do primeiro… sucesso. O truque, a habilidade, só que desta vez com legitimação legal que é para não ser notícia de jornal mais tarde.

É inútil matarmos mais a cabeça a pensar a melhor forma de fazer isto ou aquilo. A solução é, de uma vez por todas, deixar de levar isto a sério.

Metas de aprendizagem para quê? Reforma curricular para quê? Critérios de avaliação para quê? Esta é a Educação Fast Lane a aliar à Educação Low Cost.

Expresso, 18 de Setembro de 2010, primeira página (obrigado pelo recorte matinal, Maurício).

Ernâni Lopes continua a clamar pela inevitabilidade da descida dos salários da Função Pública com aquele seu olhar apocalíptico habitual. Os do costume acenam com a inevitabilidade da entrada do FMI em Portugal. A minha dúvida é: eles podem entrar cá sem ele lhes abrir a porta como da última vez?

O convite de Gilberto Madaíl a Mourinho foi um erro crasso, apenas servindo para alimentar a vaidade do especial que, pelo seu lado, deveria ter tido o pudor de evitar o enorme constrangimento que se vai desenrolar. Porque Mourinho sabe muito bem que nem lhe interessa vir agora, em situação hiper-precária, treinar Portugal nas folgas, nem o Real Madrid estaria disponível para partilhas.

Mas, assim feito, este convite de um Madaíl em roda livre de disparate, tem uma consequência interna péssima que é dizer a todo e qualquer outro candidato a ocupar o lugar que será uma segunda escolha. E aos jogadores e público isso mesmo. O desejado e convidado foi Mourinho. Qualquer senhor que se siga será uma escolha normal one, second one, third one.

Sigamos o estilo ‘bilubilu, quem é a coisinha mais linda?’

Cartoon de Bill Day

Fim-De-Semana Com Folga À Segunda