Segunda-feira, 13 de Setembro, 2010


Hoje a museca é esta. Sei lá… acho que a parvoíce se me pegou…

já vai, estou aqui no ramiro a ver de dicas

Governo faz balanço positivo de início do ano lectivo

Num novo ano carregado de velhos e confrontado com novos problemas, a escola pública corre sérios riscos!

Surreal?

Nada tenho contra quem é monárquico. Não gostaria que Portugal fosse uma Monarquia porque a linhagem anda meio coiso e enfim.Mas não sou fundamentalista: há monarquias com princesas lindíssimas…

O que acho estranho é que se peça a um monárquico para preparar um documento destinado a aprimorar a República. Por muito que se queira acreditar na imparcialidade e elevação intelectuais… sabemos quais são as convicções – e acho que todos lhe reconhecemos isso – de Paulo Teixeira Pinto.

Portanto, Passos Coelho só se pode queixar em grande parte de si mesmo…

Professores munidos de vuvuzelas protestam em frente ao Ministério

Perto de 30 professores contratados e desempregados recorreram hoje ao final da tarde às barulhentas vuvuzelas para ‘torturar’ os ouvidos da ministra da Educação, durante um protesto contra a precariedade a que afirmam estar sujeitos todos os anos.

À porta do Ministério da Educação, na avenida 05 de outubro, em Lisboa, os docentes foram-se juntando pouco depois das 18:00, numa manifestação convocada pelo movimento 3Rs – Renovar, Refundar e Rejuvenescer.

Ordeiramente, colocaram-se no ‘recinto’ disponibilizado pela PSP e ficaram minutos consecutivos a soprar nas vuvuzelas, imortalizadas pelo último Mundial de Futebol, na África do Sul.

“Basta de desemprego, basta de precariedade”, lia-se num cartaz colocado nas grades da polícia. “Não ao roubo nas reformas e nos estrangulamentos na carreira” e “vinculação dos contratados” eram algumas frases coladas às vuvuzelas.

O que será, ainda não sei…

Alterações na direção do Expresso

O atual diretor do Expresso, Henrique Monteiro, foi convidado para administrador não executivo da Impresa Publishing e para diretor coordenador editorial para novas plataformas. Alterações terão efeito a partir do dia 1 de Janeiro de 2011.

A parte cómica, é a que se segue, porque é daquelas descrições tipo prateleira dourada honorífica:

O Grupo Impresa está absolutamente convicto de que o futuro da imprensa passa pelo inevitável crescimento das plataformas móveis, dos tablets em geral e do ipad em particular. No sentido de definir uma estratégia de crescimento para os próximos anos que seja coerente com esta visão, o Grupo convidou o atual diretor do Expresso para liderar este novo desafio.

Sócrates quer mais 40% de alunos diplomados em 2020
 

O primeiro ministro, José Sócrates, afirmou hoje que para Portugal “entrar na rota da excelência” tem de atingir a meta de 40% de pessoas com idades entre os 30-34 anos diplomadas no ensino superior até 2020.

 

Alunos de Santana do Campo faltaram à apresentação

Arraiolos: Pais reivindicam reabertura de escola

Arranque do ano lectivo no Algarve gera opiniões diferentes

Falta de pessoal deixa escolas fechadas na Quinta do Conde

Apenas 3 funcionários para 800 alunos leva ao fecho de escola em Sesimbra

Penacova: Agrupamento abriu sem condições para iniciar as aulas “pressionado” pela DREC

Portalegre: Escolas podem encerrar devido á falta de auxiliares de educação

Vila Verde: Alunos de Coucieiro irão diariamente à escola mesmo sem terem professores

Unidade de Referência da E.B. 1, n.º 4 da Penha não abre por falta de Assistente Operacional

Público, 13 de Setembro de 2010

Gostemos dela ou não, a República queria levar a instrução às populações e a abertura de uma escola numa aldeia recôndita era algo visto como um raio de luz que ia combater as trevas da ignorância.

Agora vão-se apagando as luzes, para não gastar muita electricidade.

E é preciso uma enorme falta de decoro, aparecer a comemorar a República com abertura de escolas que representam o espírito inverso do ideário republicano de outrora. Falta de decoro e o colaboracionismo, activo ou por omissão, de todos os que parasitam a Comissão do Centenário e quererão aparecer no retrato ou ter estudo subsidiado.

Neste post, o Reitor comete diversos erros, alguns talvez apenas equívocos ditados pela pressa.

Vou passá-los em revista de forma sumária, sendo que afirma serem dois, mas expondo três:

  • A comparação entre os serviços de Educação e de Saúde do Estado, sendo lógica do ponto de vista das funções sociais do Estado, não colhe na sua prática concreta. E mesmo que colhesse, seria para demonstrar que a privatização ou semi-privatização, como tem sido feita, acaba em derrapagens orçamentais das grandes e em contratos de parceria com contornos estranhos.
  • Em nenhuma passagem da minha intervenção aleguei que as famílias, com o cheque-ensino na mão, não saberiam escolher as boas escolas para os seus filhos. O Reitor apressou-se ou desconcentrou-se em algum momento da conversa. O que eu disse – e repito – é que as escolas de elite, já de há muito com excesso de procura, só na Cucanha abririam as portas aos alunos carenciados que frequentam a minha escola e outras com populações ainda com mais problemas.
  • Quanto ao terceiro erro que o Reitor me aponta, eu repito o meu argumento para que fique perceptível: não sou contra a iniciativa privada e muito menos onde a pública não chega (durante cinco anos paguei do meu bolso a frequência de creche/jardim de infância privado) e que ela seja subsidiada para suprir as evidentes carências que temos. O que eu sou contra é colégios no meio dos grandes centros urbanos, destinados a classes médias-altas e bem altas, que depois consideram que o estado mínimo os deve subvencionar quando as coisas apertam um pouco. Neste aspecto, sou mais liberal do que os liberais.

E daqui decorre a desnecessidade da rotulagem que o Reitor logo quis fazer (no que foi acolitado rapidamente no primeiro comentário pelo Ramiro Marques): eu sou uma vítima da minha mentalidade de esquerda, que o Ramiro eleva a “extrema-esquerda” para cobrir a parada, que me faz cair num “buraco negro”.

E se invertessemos as coisas? E seu eu considerasse que é o Reitor (e por maioria de razão o Ramiro com os seus posts a defender a doutrina social da Igreja e a ética aristotélica) que está prisioneiro de uma visão reactiva em relação ao papel do Estado na Educação que é redutora e distorcida pela má prática de maus governantes?

Não me interessa, para esse efeito, saber se o Reitor é de canhota, destra ou neutra. Muito menos rotulá-lo!!!

O que nos separa não é uma questão ideológica, mas sim a forma como vemos a sociedade que nos rodeia neste Portugal deprimido, mesquinho e cada vez mais a regredir para o cinzentismo pró-providencialista.

Talvez eu esteja demasiado condicionado por leccionar em zonas onde a iniciativa privada não vê incentivos, enquanto outros estarão mais influenciados por ambientes por onde essa iniciativa vê boas hipóteses de negócio.

Nada disto trata de coisa como a Liberdade.

E vamos lá a ver uma coisa decisiva; eu nunca na vida farei sombra a quem se queira colocar na fila para isto ou aquilo, seja qual for a cor ou configuração política de uma solução alternativa para o que temos.

Sou apenas um fala-barato que escreve umas cenas num blogue e não me quero elevar acima do meu chinelo. Longe de mim almejar gravata, motorista e ares condicionados.

E é bom que isto fique devidamente esclarecido: está longe de mim almejar uma despromoção na carreira, para além do congelamento passado e do que por aí ainda virá.

😉

Digam qualquer coisinha…

A esta hora devo ir a caminho de fazer a recepção a uma das minhas turmas, em conjunto com a respectiva DT. Esse facto impede-me de ir à recepção e primeira mini-aula do ano aberta aos pais, da minha petiza.

Estou mais chateado – quase diria…, deixem para lá… – com tudo isto e algo mais, e por mais razões, do que se poderá inferir de tão curto post.

Mas este ano estou nestes termos e o prazo para diversas coisas está marcado, até porque as decisões já transitaram no meu julgado.

Umbigada

She & Him, In the Sun

Estava a ouvi-la no carro e nem fazia ideia de que o vídeo era do tipo regresso às aulas dançante…

Texto para o Especial Educação do Portal Sapo, Disponível aqui.

Custo reduzido e rapidez na certificação do sucesso parecem-me ser os traços estruturantes da nossa actual política educativa, tal como ela é definida a partir do Ministério das Finanças. E não, não é engano, penso ser consensual que para estes efeitos o Ministério da Educação conta pouco ou mesmo nada perante os imperativos do novo diktat financeiro.

O objectivo deste projecto low cost para a nossa Educação Pública é a obtenção de resultados para consumo estatístico rápido a baixos custos. As Novas Oportunidades, a deslocação de cada vez mais alunos/formandos para vias rápidas de certificação da escolaridade obrigatória (que passou para 12 anos por exigências eleitoralistas e agora se torna difícil financiar) e a nuvem ameaçadora de fim das retenções, procuram garantir a parte da rapidez.

O encerramento de centenas de escolas por ano, a criação de mega-agrupamentos, os entraves ou mesmo congelamento da progressão na carreira dos docentes e o fim de ofertas educativas com um custo por aluno acima do desejável são, entre outras., medidas destinadas a assegurar o embaratecimento do funcionamento do sistema de ensino.

Para além destas medidas, pouco resta: a introdução da Educação Sexual no currículo é pouco mais do que um factóide legislativo e mediático, quase irrelevante perante o esvaziamento da carga horária atribuída e a assepsia do discurso envolvente. O PNL e o PAM entraram na fase de cruzeiro descendente. Os Magalhães talvez apareçam, talvez não. As tão proclamadas Metas de Aprendizagem, que podiam ser algo positivo, surgem desenquadradas de todas as outras medidas que lhes poderiam dar sentido, desde logo uma redefinição dos currículos e dos programas disciplinares.

Perante esta investida, dita racionalizadora, o maior desafio é tentar que a qualidade do desempenho de todos os actores envolvidos não entre em erosão acelerada e o sistema público de ensino não se transforme numa oferta de segunda qualidade para as massas mais desfavorecidas. Nunca como agora se apostou tanto numa Educação massificada, homogeneizadora, despersonalizada, barata e rápida.

Esta é a Educação de massas no seu pior, desde a criança de 6 anos que é obrigada a sair de casa num autocarro camarário para ser deixada o dia inteiro num Centro Escolar imenso, aos professores dos mega-agrupamentos recebidos em pavilhões no início do ano lectivo, sem que os rostos se distingam e os laços humanos encontrem espaço para se estabelecer e consolidar.

O ano lectivo que agora arranca, ainda mais do que o anterior, consagra a continuidade das políticas definidas desde 2005, mas cada vez com roupagens menos onerosas, não existindo qualquer marca própria da actual equipa ministerial. Esta não é uma visão catastrofista da nossa Educação. É apenas um retrato. Sem filtros.

Cartoons de Chris Britt

.