A Sábado traz hoje uma peça sobre o assunto, que se presta sempre a alguns sorrisos, mas também a algumas desnecessidades, para quem sabe como os manuais são produzidos e como certas falhas passam o crivo, a maior parte delas resultando de gralhas, distracções e falhas de comunicação entre autores, revisores, gráficos e etc.

A mim foi-me pedido que desse exemplos de erros nos manuais agora em circulação. Por diversas razões, desde logo pelas acima apontadas, optei por apresentar situações passadas comigo enquanto coautor de manuais.

Na peça de hoje, a situação seleccionada está correctamente descrita, mas ao ser sintetizada, pode parecer menos perceptível, pelo que vou reproduzir aqui o mail final que enviei à jornalista Sara Capelo.

Uma situação, com imagens, que é curiosa de um “erro”.

Imagem “Um”


Manual “Viajar no Tempo”, Texto Editores, de que fui coautor.

1995, 1ª tiragem (6000 exemplares para distribuição aos professores), p. 27

A imagem contém um erro: na legenda, onde está o perfil de um porco, escreve-se “bovino”.

Detectado o erro (assim como outros, não muitos, em outras páginas, como uma imagem de javali invertida), a legenda é corrigida, dando origem à…

Imagem “Dois”

Mesmo manual, 2ª tiragem ainda em 1995 para venda aos alunos.

O que é curioso é que em 1998, a mesma editora desenvolve o projecto “História 7º ano” com outros autores (…) que usa materiais decalcados dos nosos, incluindo o tal erro da primeira tiragem, notando-se uma completa falta de cuidado da editora e autores, pois já existia imagem corrigida.

Confirmar reprodução da p. 32 desse manual (15.000 exemplares dessa edição) na Imagem “Três”.


Adenda final: Há erros em manuais, o que é sempre criticável. Assim como é criticável que o processo de certificação dos manuais, durante algum tempo propagandeado pelo ME, seja uma espécie de nado-morto em muitas áreas, acabando por ser os professores a fazer, nas suas análises prévias às adopções, o papel de pós-revisores, ao preencherem alguns fichinhas com os erros detectados. Só que apenas com o uso efectivo dos manuais é possível detectar a maior parte dos que existem.