Já percebi que há excitações múltiplas e nem sequer apareceu o Valter Lemos a interpretar os dados, nem sabemos se o Paulo Chitas escreverá sobre isso na Visão..

O link fica aqui.

Eu, como não estou com muito tempo livre, decidi fazer aquilo que é mais habitual nos analistas interessados: vou em direcção ao que me interessa, claro está, e selecciono os dados que me interessam, numa perspectiva interessante.

Ora bem… interessei-me pelo Indicator D4: How much time do teachers spend teaching?

Se repararem há lá um quadro (D4.1) no ficheiro Excel que tem uma tabela que responde pela designação Net Teaching Time in Hours (que posso traduzir por tempo efectivo a leccionar, mas que numa tradução em Português Técnico será “horas a ensinar em rede” ) que é muito educational indeed. Fica aqui a imagem em tamanho reduzido:

O que notamos?

No ensino primário, os calões dos professores tugas trabalham 855 horas contra uma média de 786 horas nos países da OCDE e de 763 nos 19 da União Europeia que estão na tabela. Ou seja quase mais 100 horas por ano, ou seja ainda, um diferencial superior a 10% em relação aos da União e um pouco menos em relação aos da OCDE. Nem será bom lembrar que os professores primários na Inglaterra surgem com 654 horas de trabalho lectivo efectivo por ano, os dinamarqueses com 648 e os finlandeses com 677. Já mediram bem a diferença? Assim a olho anda pelos 20-25% de trabalho em sala de aula a mais.

E quanto ao ensino secundário inferior? Vulgo 2º e 3º CEB? Os mandriões dos portugueses trabalham 752 horas, contra uma média de 703 na OCDE e 661 na União Europeia. Os dinamarqueses? 648! E os finlandeses? 592!!! Os japoneses? 603!! Verdade se diga que os mexicanos trabalham mais, mas…

E quanto ao ensino secundário superior (o nosso Secundário)? Os sonecas cá do burgo trabalham 752 horas limpinhas por ano na sala de aula, enquanto na OCDE se ficam pelas 661 horas e na União Europeia pelas 632. Japoneses? 500 horas! Finlandeses? 550!! Dinamarqueses? 364!!!

Isto significa que quando os sheetas, miguéis e rangéis zurzem nos salários dos profes, esquecem-se destes detalhes que passam por coisas de somenos como uma carga de trabalho 10 a 25%, ou mais, superior à dos confrades do norte da Europa ou da própria OCDE.

Se alguém fosse caridoso e se desse ao trabalho de medir o famoso diferencial positivo salarial dos professores portugueses, algo que não me apetece fazer por razões animalescas não vá alguém colher os louros, talvez constatasse que ele é largamente absorvido pelo trabalho acrescido na sala de aula que, todos concordam, é aquilo que constitui a essência da docência.

Mas, claro, o que interessa mesmo é destacar os ganhos conseguidos à custa das creches criadas (e muito bem) pela administração do Jumbo…