Terça-feira, 7 de Setembro, 2010


Tubeway Army, Are ‘Friends’ Electric?

Duas notas sobre esta música:

  • Devia ter feito parte da banda sonora do Blade Runner.
  • Há ‘amigos’ que realmente chocam. Agora se são eléctricos

Só para diversificar o olhar e ficar por algo menos corporativo. Fui espreitar também o Indicator B2: What proportion of national wealth is spent on education?

Eis o bonequinho do quadro B2.5 que não surge na edição em papel:

A evolução desde 2000 é absolutamente não deprimente.

Portugal é o único país da OCDE em que o investimento (em relação à riqueza produzida e usando preços constantes) na Educação não-superior recuou, de um índice 100 para 97.  Como comparação a Finlândia passou de 100 para 127, a Espanha para 117, a Inglaterra para 137. Fora da OCDE o investimento a este nível no Brasil saltou de 100 para 181  e a Federação Russa de 100 para 322.

Ou seja, e por muito que digam o contrário (e se calhar neste caso, a OCDE já é capaz de ter trabalhado mal os dados segundo alguns…), Portugal foi o único país que desinvestiu na Educação Básica e Secundária desde o início do terceiro milénio.

Portal do Governo:

Relatório da OCDE: Portugal em franco progresso na educação

Jornal de Negócios:

Portugal ainda abaixo da OCDE na despesa com Educação

Lusa:

Portugal é dos países da OCDE onde mais cresce a formação, mas indicadores continuavam baixos em 2008

Renascença:

Investimento de Portugal na educação é inferior ao de há 15 anos

RTP:

Portugal abaixo da média da OCDE em gastos com Educação

Sol:

A taxa de crianças no pré-escolar em Portugal é superior à média da OCDE

Recolha do Livresco, sendo que por acaso há por aqui olhares que escapam à trela…

Mas há mais coisas interessantes no relatório da OCDE para além dos dois únicos indicadores que o Governo decidiu servir à comunicação social para consumo geral (aumento do valor médio gasto por aluno e alargamento da rede escolar).

Do ponto de vista de quem há anos leva com análises e comentários feitos à martelada só com base nos rácios (e não deixa de ser interessante que continue a não existir nenhum rácio sobre outro tipo de pessoal ou então, como no caso do pré-escolar, Portugal não fornece dados), há outro quadro interessante que é o da evolução da carga horária de trabalho em sala de aula.

Vejamos:

As evidências são evidentes, como diria o outro.

A tendência geral foi para a diminuição da carga horária em sala de aula (ensino primário) ou para a sua estabilização (níveis pós-primários).

Excepto na Hungria (pós-primário) e em Portugal (em todos os níveis de ensino).

Em relação a 1996, em 2008, os professores portugueses trabalhavam mais 9% no 1º CEB, mais 17% no 2º e 3º CEB e 31% no secundário.

Durante este período não se deram grandes mudanças na generalidade dos países com dados disponíveis, sendo as maiores variações no sentido da redução das horas em sala de aula (casos da Bélgica, grécia, Holanda ou Escócia).

Portanto, não sei se vai a tempo, mas amanhã era bom que os vários jótaénes (de notícias ou de negócios, mais os económicos) conseguissem ver um pouco para além do press-release e do sumário do relatório digerido pelos serviços comunicacionais do Governo.

Não vi, mas consta que o Eduardo quer fazer-nos ter saudades do Ricardo na selecção. Com Chipre já ajudou bastante e parece que hoje também.

Já percebi que há excitações múltiplas e nem sequer apareceu o Valter Lemos a interpretar os dados, nem sabemos se o Paulo Chitas escreverá sobre isso na Visão..

O link fica aqui.

Eu, como não estou com muito tempo livre, decidi fazer aquilo que é mais habitual nos analistas interessados: vou em direcção ao que me interessa, claro está, e selecciono os dados que me interessam, numa perspectiva interessante.

Ora bem… interessei-me pelo Indicator D4: How much time do teachers spend teaching?

Se repararem há lá um quadro (D4.1) no ficheiro Excel que tem uma tabela que responde pela designação Net Teaching Time in Hours (que posso traduzir por tempo efectivo a leccionar, mas que numa tradução em Português Técnico será “horas a ensinar em rede” ) que é muito educational indeed. Fica aqui a imagem em tamanho reduzido:

O que notamos?

No ensino primário, os calões dos professores tugas trabalham 855 horas contra uma média de 786 horas nos países da OCDE e de 763 nos 19 da União Europeia que estão na tabela. Ou seja quase mais 100 horas por ano, ou seja ainda, um diferencial superior a 10% em relação aos da União e um pouco menos em relação aos da OCDE. Nem será bom lembrar que os professores primários na Inglaterra surgem com 654 horas de trabalho lectivo efectivo por ano, os dinamarqueses com 648 e os finlandeses com 677. Já mediram bem a diferença? Assim a olho anda pelos 20-25% de trabalho em sala de aula a mais.

E quanto ao ensino secundário inferior? Vulgo 2º e 3º CEB? Os mandriões dos portugueses trabalham 752 horas, contra uma média de 703 na OCDE e 661 na União Europeia. Os dinamarqueses? 648! E os finlandeses? 592!!! Os japoneses? 603!! Verdade se diga que os mexicanos trabalham mais, mas…

E quanto ao ensino secundário superior (o nosso Secundário)? Os sonecas cá do burgo trabalham 752 horas limpinhas por ano na sala de aula, enquanto na OCDE se ficam pelas 661 horas e na União Europeia pelas 632. Japoneses? 500 horas! Finlandeses? 550!! Dinamarqueses? 364!!!

Isto significa que quando os sheetas, miguéis e rangéis zurzem nos salários dos profes, esquecem-se destes detalhes que passam por coisas de somenos como uma carga de trabalho 10 a 25%, ou mais, superior à dos confrades do norte da Europa ou da própria OCDE.

Se alguém fosse caridoso e se desse ao trabalho de medir o famoso diferencial positivo salarial dos professores portugueses, algo que não me apetece fazer por razões animalescas não vá alguém colher os louros, talvez constatasse que ele é largamente absorvido pelo trabalho acrescido na sala de aula que, todos concordam, é aquilo que constitui a essência da docência.

Mas, claro, o que interessa mesmo é destacar os ganhos conseguidos à custa das creches criadas (e muito bem) pela administração do Jumbo…

A ministra garante que em matéria de ASE tudo vai ficar como dantes, que nos devemos aquietar e não inquietar com o facto de, com o ano lectivo oficialmente em decurso não existirem tabelas para os apoios a alunos de famílias carenciadas.

Mas, se assim fosse e se não andassem criaturas de cinzento a fazer cálculos para perceber em que escalão uma diferença de x euros elimina y candidatos aos apoios, porque não sai o malfadado despacho e vai estando para breve, semana após semana?

E depois há sempre aquelas pérolas que nos extasiam:

“O que está decidido é que as famílias vão ter apoios idênticos àquilo que tiveram no ano passado. Há manutenção dos apoios em todos os domínios, das refeições, dos equipamentos, dos livros escolares”, declarou.

Mas então, para além dos ajustes nos escalões, alguém considerou mesmo a hipótese de cortar apoios em algum destes três domínios?

Será que com a sua habitual (censurado), Isabel Alçada levantou a ponta do véu do verdadeiro debate que houve no Governo sobre estas matérias?

Isto é como nos saldos. A camisa que custava 50 euros aparece com um papel pregado a dizer que antes custava 75 e agora apenas 49,99.

Cem novas escolas inauguradas a 5 de Outubro

Primeiro-ministro afirma que é resultado de investimentos feitos há três anos

O problema é que por cada feito há um par de de(s)feitos.

Sócrates considera “um feito” Portugal ter ultrapassado a média dos países da OCDE na educação

O primeiro-ministro, José Sócrates, disse esta terça-feira que considera um “feito” o facto de Portugal ter conseguido ultrapassar a média dos países da OCDE na taxa de cobertura do ensino pré-escolar, refere a Lusa.

O que eu considero um feito é a generalidade da oposição revelar uma profunda inépcia em contra-argumentar na área da Educação, permitindo a José Sócrates continuar a apresentar como trunfos medidas que seriam avanços na Tanzânia, Nepal, Burundi ou na República Dominicana.

No outro dia, o homem apareceu todo ufano a inaugurar uma creche e só em rodapé é que se chama a atenção para o facto de ser uma iniciativa do Grupo Auchan…

As coisas são simples: fizeram-se cálculos e há uns tempos concluíram que enfiar a malta nas Novas Oportunidades e certificar tudo a esmo  saia muito mais barato do que obrigar o pessoal a fazer o percurso normal. É óbvio que é mais barato contratar formadores nas bolsas fecundas do desemprego docente e pagar-lhes o mínimo do que pagar a professores na carreira para dar as aulas ditas regulares. Portanto, até 2013, a ideia é dar um certificado a cada candidato que saiba escrever o nome com mais de um cruz, contar até cinco e estender a mão numa cerimónia de entrega de diplomas.

E é óbvio que os próprios alunos, agora formandos, podem não ser geniais, mas basta-lhes street learning para perceberem onde é mais fácil obter o papelinho que eleva a auto-estima e encanta a OCDE.

A restante conversa é apenas para o fiador se entreter.

É nestes contextos de crise que se percebe a falta de elasticidade das bolsas da pretensa classe média e o interesse dos cheques-ensino.

Porque o mercado e o liberalismo são muito mais atractivos se subsidiados.

O engraçado é que em outros sectores (em especial os mais deprimidos como a agricultura, pescas, têxteis), quando as coisas não funcionam, dizem logo que é a globalização, as regras do mercado, que é preciso inovação, empreendedorismo e tal…

Façam um manual de sobrevivência para famílias e crianças deslocadas…

Associação Nacional de Municípios reúne-se hoje para debater fecho de escolas

Mais uns que fizeram um acordo à pressa e agora andam a peneirar o sol…

A resistência ao fecho da escola do Coucieiro.

Acho sempre muito curioso que se alegue que as famílias devem intervir mais na condução dos destinos das escolas… desde que não seja de forma indesejada pelo poder.

Também é assinalável a ausência das organizações federativas parentais destes espaços. Será que é por não ficarem bem nestes retratos ou por não terem garantia de terem a cobertura pessoal desejada?

Pelo menos 50 ‘primárias’ da lista do ministério não fecham este ano

Retraites : effacer les déficits en jouant sur l’âge de départ

Grèves : les perturbations, secteur par secteur

Grèves : le service minimum fonctionne-t-il chez vous ?

Olá, viva.

Não é o meu caso mas na minha escola há uma colega nesta situação: pertencendo a um quadro de zona da Madeira, pediu destacamento para o continente por condições especiais (apoio a familiar doente). Aparentemente, entre Açores e Madeira, haverá 20 colegas nestas condições. Estes destacamentos foram deferidos. Praticamente todas as escolas (não posso garantir que não tenham sido mesmo todas) a que estes colegas concorreram colocaram contratados nos horários completos existentes e estes colegas (quadros de zona e de escola, repito) continuam à espera de colocação que, segundo o DGRHE ocorrerá apenas a 13 de setembro.
A dúvida que está instalada é: onde e em que horários?

Abraço

Renato A.

Quem é o presidente da câmara que mais dá aos seus filhos?

Em Portugal há 308 sistemas de acção social escolar – um em cada município. Nem sempre os mais ricos são os mais generosos.

O preço da educação

É tempo de regresso às aulas e de fazer contas. Há as matrículas, as mensalidades, as propinas, o material e os livros escolares, a alimentação, o alojamento, as actividades extracurriculares. Gastos sem fim que os pais vão pagando. Uns com mais ginástica do que outros.

O crédito é solução para comprar material escolar?

As taxas de juro para um empréstimo de 1.500 euros a pagar em 12 meses superam os 18%.

Alvíssaras a quem sabe onde pára o martelo que não é professor.

Todos são santos, todos são puros, todos agora sabem ser isto e aquilo, incluindo serenos. Sinceramente… Há quem ande com lixívia e esfregona a jeito…