Quinta-feira, 19 de Agosto, 2010


Confesso não ter tempo para analisar com detalhe a forma como o assunto é tratado em todos os jornais de hoje, mas é curioso que há quem tenha conseguido espaço para fazer destaque de primeira página.

Por entre as peças do DN, I e Público, quase sempre com base nos dados da Lusa e umas declarações adicionais, eu destacaria uma passagem da peça do Correio da Manhã:

DISTÂNCIA DE METROS PASSA A 15 QUILÓMETROS

A pequena Carolina, de oito anos, vai deixar de atravessar a rua em São Miguel, Odemira, para ir para a escola. A partir de agora, terá de fazer um percurso de 15 quilómetros até São Teotónio. A solução intermédia ficava no Brejão, a metade da distância, mas a mãe, Dulce Cacia, entende que não seria benéfico mudar duas vezes de escola em dois anos. ‘Como no quinto ano tinha que ir para São Teotónio, achámos por bem já fazer o quarto ano lá’, disse ao CM a progenitora, que assim vê a sua vida totalmente alterada. ‘Nem eu nem o pai temos rotinas compatíveis com os horários escolares, mas no Brejão era pior, porque a escola não tem condições. Carolina parece não se importar porque tem muitos amigos que vão mudar para o mesmo estabelecimento.

COVILHÃ NÃO VAI ENCERRAR NENHUMA ESCOLA

A Covilhã foi um dos concelhos que mais contestou a intenção de encerrar escolas e conseguiu que as seis escolas em risco continuem a funcionar. ‘Isto significa que a câmara tinha razão quando se bateu pelo não encerramento’, disse o presidente da Câmara Carlos Pinto, que ontem à tarde, antes de a lista definitiva ser conhecida, ameaçara, em declarações ao CM, ‘colocar os alunos em colégios privados a expensas da câmara’.

Carlos Pinto garantiu que as escolas em causa não irão funcionar apenas mais um ano por autorização especial. ‘Não fecha nenhuma escola na Covilhã e ponto final. No futuro ver-se-á o que vai suceder’, disse, acrescentando: ‘Não é uma vitória minha. Prevaleceu o bom senso. Vale a pena sermos determinados’.

Claro que a duas semanas do arranque do ano, há tempo para fechar escolas, não colocando lá professores, voltar a abri-las e colocar lá professores e pessoal e tudo o mais.

Porque no te callas, hombre?

Ou este tipo de frete continuado vai servir para justificar a permanência, em cargo criado à medida, mas estruturas confapianas e assim perpetuar o encostanço?

Certificados do 12º ano vendidos na Internet por 400 euros

O i tentou comprar um portefólio que dá acesso ao 12.º ano das Novas Oportunidades. Pediram-nos 400 euros

A Agência Nacional de Qualificação (ANQ), entidade criada sob a tutela do Ministério da Educação e do Ministério do Trabalho, detectou durante “um programa de visitas de acompanhamento a Centros Novas Oportunidades”, ao longo do ano de 2009, a existência de candidatos certificados com trabalhos “retirados integralmente da internet, e com base nos quais é feita a validação e certificação de competências”. Esta denúncia foi feita sob a forma de “orientação e indicação técnica” enviada aos cerca de 450 Centros Novas Oportunidades e à qual o i teve acesso. Em paralelo, foram ainda detectados dezenas de casos de formandos e ex-formandos que colocaram os seus trabalhos à venda na internet. O Ministério Público está a investigar.

A ANQ é o organismo responsável pela coordenação e gestão da rede de Centros Novas Oportunidades, entidades que surgiram após o lançamento, no final de 2005, do programa Novas Oportunidades. Este programa tem como objectivo “dar a todos os que entraram no mercado de trabalho sem qualificações uma nova oportunidade de melhorarem as suas habilitações ou verem reconhecidas as competências que adquiriram ao longo da vida”. Na prática, e no final do processo de certificação, são atribuídos aos inscritos diplomas de conclusão do 9.o ou do 12.o anos. A avaliação é feita através de um Portefólio Reflexivo de Aprendizagem do candidato certificado, que se traduz – segundo a tutela – numa colecção de documentos vários (de natureza textual ou não) que revela o desenvolvimento e o progresso na aprendizagem.

Durante as visitas de acompanhamento feitas pelas ANQ em 2009, onde foram analisados Portefólios Reflexivos de Aprendizagem desenvolvidos por candidatos já certificados, foi “constatado, por vezes, existirem portefólios que integram textos (i. e. trabalhos) retirados integralmente da internet” e que serviram para a certificação dos candidatos, pode ler–se no documento enviado pela agência aos centros.

Contactado pelo i, o presidente da Agência Nacional para a Qualificação, Luís Capucha, confirmou a existência destes casos: “É natural que haja parte desses portefólios – que têm centenas de páginas – que seja transcrita da internet.” “Porém”, adianta, “as pessoas devem ser encorajadas a trabalhar essa informação em vez de a transcreverem”, acrescentando que “não compete à ANQ fazer qualquer avaliação do trabalho dos centros”. “Uma avaliação implica um juízo, ora o que encontra nos documentos são orientações técnicas”, conclui.

As declarações do responsável pela ANQ são absolutamente inadmissíveis. Estamos a falar de um nível de escolaridade que permite o acesso à Universidade e este senhor diz que os alunos devem ser encorajados a trabalhar a informação?

Eu se calhar encorajava-o a rever a sua perspectiva das coisas e a ter uma abordagem séria de algo que ficará para a história da nossa educação/formação como um dos maiores logros de sempre.

Nem nas campanhas de alfabetização do Estado Novo ou do pós-25 de Abril se praticou a complacência descarada com a fraude!

Já agora… quanto ao preço… acho exagerado. Se forem espertos, fazer os próprios cursos das NO sai mais barato, embora possa ocupar uum pouco mais de tempo…

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