O Jornal de (dizem) Notícias vai lavrando o terreno para outros deitarem sementes dentro de uma ou duas semanas. Ou seja, como título, dá por provada uma versão de algo que é objecto de disputa entre dois organismos do Estado. Nada demais, é habitual, não fosse o JN useiro e vezeiro em apresentar as coisas sempre no mesmo sentido.

Vamos lá a ver: de uma vez por todas o ECD serve para alguma coisa ou não? As regras da carreira servem para alguma coisa ou não?

No ano lectivo passado recebi o pagamento de uma hora extraordinária semanal por indicação da IGE quando passou lá pela escola e viu que no meu horário estava uma hora na não-lectiva que era obviamente lectiva. Mas eu até me tinha calado depois de ter avisado. Por essa hora, que nuns meses se transforma 2 ou 3 mensais, raramente em quatro, o máximo que recebi foram aí uns 60 euros descontando quase outro tanto para o IRS. Ou seja, para começantes, os 11 milhões que a IGF com a amplificação do JN clamam são antes ou depois do Estado retirar uns 40% para si? Afinal, mesmo enganados, serão só 6-7 milhões, ou seja, o equivalente a um par ou trio de ruispedros?

Professores ganharam 11 milhões a mais em horas extraordinárias

Relatório acusa escolas de usarem fórmula errada

A Inspecção-Geral de Finanças detectou que no ano lectivo 2007-2008, as escolas públicas pagaram 11 milhões de euros a mais em horas extraordinárias. A fórmula de cálculo usada “é contrária à lei”, aponta a IGF. O Ministério da Educação diz que não.

“A fórmula utilizada no cálculo das horas extraordinárias lectivas dos professores é construída de acordo com as regras estipuladas no Estatuto da Carreira Docente e não nos termos da legislação geral da administração pública, que a IGF invoca”, defende o Ministério da Educação (ME) numa nota enviada ao JN.

Anúncios