Desde o início do ditoso ano de 2010 que o Ministério da Educação é uma entidade virtual, meramente cosmética, em tudo o que tenha a mínima implicação com a gestão financeira desta área da governação.

Resta à ministra a alegria com as «metas de aprendizagem» (que faz acreditar serem uma novidade…), ao SE Trocado da Mata andar pelo país numa de vendedor de ilusões e ao SE Ventura ter arranjado uns amigos novos para partilhar mágoas.

O resto é matéria do ministério da Finanças e não há que enganar: o terreno está a ser preparado para algo giro (o mais certo com a aplicação aos docentes das regras gerais da Função Pública) a arrancar o ano lectivo (para entreter as hostes até ao foguetório de inaugurações no dia 5 de Outubro) e depois para justificar novo congelamento nas progressões. Isso só para começar, que me parece vir aí coisa pior.

Do lado dos sindicatos, teremos uma multiplicação de iniciativas em trono da causa perdida da contabilização da avaliação para a graduação profissional. Haverá muitas notas e conferências de imprensa cada vez que for intentada nova acção ou algum epifenómeno tão irrelevante quanto os que existiram até agora nesta matéria. Bom… por sindicatos, entenda-se aqui a Fenprof que, bem ou mal, ainda existe, enquanto a FNE faz por parecer que existe, o SINDEP e o SPLIU surgem à tona d’água quando algum jornalista lhes faz uma pergunta, estando a restante dezena de agremiações sindicais entregues a uma existência de papel selado.

Quanto aos professores, estão entregues a si mesmos, num sistema que foi fragmentado e feudalizado em extremo, restando linhas de resistências locais e pouco mais. A luta neste momento é apenas por conseguir bolsas de oxigénio para ir respirando e esperar que nada corra tão mal quanto vai parecer que vai correr.

O alargamento (eleitoralista) da escolaridade para 12 anos é para ser feito sem custos adicionais, enquanto se esbajna dinheiro a rodos na ficção das Novas Oportunidades, pelo que esperem que o que venha a mudar seja para pior, ao contrário do que vos prometeram no rescaldo do acordo.

Quanto às vozes tresmalhadas irão ficando cada vez menos e mais cercadas por todos os lados, na tentativa dos actores pré-instalados eliminarem o ruído e reocuparem o espaço que esteve fugazmente perdido. Nesse aspecto, há uma confluência de interesses para se regressar à coreografia pré-2005. Restarão em maior sossego os encavalitados na luta, ou seja, aqueles que falam muito, mas arriscam nada, pois estão fora das escolas a tentar ganhar créditos para uma alternativa formalmente pacificadora, quando a actual clientela der lugar à nova.

Não sei bem se isto é um balanço da situação em matéria de Educação. Acho que não. Acho que é só uma pinceladela. A fazer um balanço a sério, seria uma obra muito mais ao negro. Sempre se poupava nas cores.