Neste caso Júlio Pedrosa (ao jornal As Beiras) que, se puxarmos pela cabeça, foi o último do guterrismo e aquele que chegou a um acordo com os sindicatos para a integração de contratados mas depois, com o argumento do governo de gestão que não coibiu outros de licenciarem, aprovarem e decretarem, deixou tudo para quem viesse a seguir, com pruridos que vistos à distância se parecem demasiado com falta de…

Agora, aponta o dedo aos sindicatos em matérias que acho divertidas porque Júlio Pedrosa fala e por parágrafos até fala bem mas teve cargos com efectiva responsabilidade em matéria de Educação mas, se os não tivesse ocupado, ninguém daria pela diferença.

Quanto aos elogios que faz aos professores, são bem-vindos, apenas lamentando que, em matéria de actos, valham zero.

P – No seus dias o que lhe suscita maiores perplexidades na educação?

R – Um certo tipo de discurso que reflecte uma grande incapacidade de perceber o que se passa nas nossas escolas. Um discurso muito truculento, muito agressivo em relação às pessoas que têm tido responsabilidade na educação mas esquece que não foi assim há tanto tempo que as crianças saiam das escolas com o terceiro ano.

Não sou assim tão velho e na minha classe apenas dois de nós prosseguimos estudos, tive de ir para Coimbra, a 30 quilómetros de casa.

Depois fizemos um caminho de ir alargando a frequência das escolas a cada vez mais crianças e hoje temos todas as que devem lá estar para fazer nove anos de escolaridade.

A escola hoje tem uma diversidade de crianças, não é em 40 anos que aprendemos a lidar com este tipo de escola.

P – Os professores estão à altura?

R – Os nossos professores enfrentam na escola desafios extraordinários. Como é que um professor lida com crianças que lhe chegam a saber escrever um pouco ou até algumas palavras em língua estrangeiro ao lado de outras vindas de um contexto familiar tão pobre e difícil que mal olha de frente, com comportamentos que resultam de factores vários. Estão na mesma sala de aula, como se organiza o trabalho de maneira que cada uma faça o seu percurso até atingir o limite do seu desenvolvimento. É um trabalho de uma dificuldade extraordinária. Quem fala sobre este problema? Há uma grande incompreensão pelos problemas sérios da escola que temos.

P – Dos professores, dos responsáveis políticos?

R – A incapacidade de alguns actores políticos mais sérios, nomeadamente os sindicatos dos professores, não falarem destes problemas. Eles entraram no jogo político, a fazer política, para além defenderem os interesses dos professores. Se fosse uma questão central das suas preocupações talvez chegássemos a outra plataforma de entendimentos sobre o modo de conduzirmos a política educativa.

P – Até que ponto isso condiciona a tutela?

R – Estou convencido que a continuarmos do modo como trabalhamos e falamos da educação, daqui a algum tempo vai ser muito difícil o país dispor de pessoas qualificadas, interessadas, livres, amantes do seu país, a ser ministro da educação.

P – Porquê?

R – É um cargo tão pesado, tão difícil. As pessoas fazem-no com grande empenho e interesse, mas precisavam de ter outro tipo de contexto para o seu trabalho. Desejo muito que os futuros minutos, e inclusivamente para a actual, qualquer que seja o partido ou esfera política, tenham condições para o desempenho do seu papel com mais paz, mais compreensão sobre o que está em cima da mesa.

Já agora, eu sou mais novo e, seguindo direitinho, da minha turma da primária até à Faculdade, sem tropeções, quase só lá cheguei eu e, também já agora, ainda havia pés descalços quase a meio dos anos 70 na minha classe.

Esta conversa mole, dos coitadinhos que vão para o governo e são maltratados, que depois deles nem haverá mais gente qualificada é tão inane, tão inane, que só me faz pensar porque tanta competente nos conduziu a isto.