Domingo, 1 de Agosto, 2010


Desculpem não usar os dados da OCDE e ir directamente às fontes. No documento do ME norueguês com o título Education – from Kindergarten to Adult Education encontramos os seguintes números sobre o equivalente ao nosso Ensino Secundário:

Façam as contas: isto dá 500 alunos (e formandos) por escola e o ratio é de 8,2 alunos (9,7 incluindo os formandos) por professor. Agora digam-me lá: é assim um ratio tão diferente do nosso?

Do site do Ministério da Educação norueguês, formado por uma cambada de incompetentes que não percebem o mal que estão a fazer ás suas crianças ao não as enviar de autocarro municipal para um caixote, desculpem, centro escolar:

Universal schooling for children was introduced in Norway 250 years ago. From 1889, seven years of compulsory education were provided, 1969 this was increased to nine years and in 1997 to 10 years.

As a result of Norway’s scattered population, forty per cent of primary and lower secondary schools are so small that children of different ages are taught in the same classroom. Primary and lower secondary levels are often combined in the same school.

Imaginem isto lido à nossa ministra da Educação e ao seu secretário Trocado da Mata!

Agora é um esforço enorme para controlar os danos das declarações desastradas, sendo que cada uma surge pior do que a anterior. Ouvi-la na Antena 1 ou na RTP2 já foi penoso. Se hoje na SIC a confrontassem a sério com os dados disponíveies sobre o norte da Europa e lhe pedissem que identificasse de que estudos fala quando fiz coisas como esta:

Temos a indicação de que turmas de 15 e menos alunos apresentam taxas de sucesso mais baixas. Acima de um determinado limite acontece o mesmo, 24, 26 alunos é um número adequado para se trabalhar bem. (Expresso, 31 de Julho de 2010, p. 16)

Era bom que não fizessem meras perguntas de cortesia e sem um encadeamento de contraditório em relação à propaganda debitada. Mas isso seria esperar por muito.

Com a sorte que a nossa Educação tem, ainda vão buscar o MST à praia para o colocar a validar todas as propostas da ministra, só porque os professores são uns malandros absentistas…

E era capaz de apostar um dedo mindinho em como há guião…

Porque não estebelecem por cá uma relação entre o desenvolvimento educacional na Escandinávia e a dimensão das escolas?

Reparem bem que há escolas de diversos formatos, mas mesmo no que seria equivalente a uma EBI, do 1º ao 9º ano, só há cerca de 30 escolas com mais de 700 alunos, o que é um valor médio para muitas EB2/3 por cá. Num país com uma população próxima da nossa (tinham 9,3 milhões em 2009), só 40 escolas têm 700 alunos ou mais.

Entre as escolas com alunos do 1º ao 3º ano e do 4º ao 6º, só há 2 escolas acima dos 200 alunos. Mesmo do 1º ao 5º são apenas 35 as escolas acima dos 300 alunos.

… serão como?

E, já agora, uma questão que me é muito estimada, será que por lá só há educadores/professores ou existe pessoal com diferentes tipos de funções e responsabilidades, logo desde o pré-escolar.

Os dados são oficiais e os mais recentes disponíveis:

Cinco crianças por cada funcionário empregado anualmente… interessante… e olhem que na página 37 do documento se explicita que está excluído destes totais o pessoal da limpeza e dos refeitórios…

Estatísticas oficiais disponíveis na Agência Nacional para a Educação da Suécia, que equivale ao nosso ME. Dados publicados este ano:

Eu não sei sueco, mas eles foram gentis e têm versão para inglês ler.

Ana Maria Bettencourt, actual presidente do cada vez mais irrelevante CNE diz de sua justiça sobre o que se deve fazer para combater o insucesso:

Deve-se substituir a repetência por apoios. Por exemplo, fazer uma organização diferente do trabalho em sala de aula. A diferenciação pedagógica é fundamental.

Deixem-me ser um pouquinho chato e bilioso (só um pouco mais do que o habitual…) e questionar se, porventura, esse tipo de diferenciação pedagógica a fazer na sala de aula, entre alunos com níveis diferentes de progressão e capacidade de aprendizagem poderá equiparar-se à diferenciação pedagógica exigível…. sei lá…. por exemplo, numa sala com 12, 15 ou 20 alunos de dois ou mesmo quatro anos diferentes do 1º ciclo?

É que parece que aquilo que nuns casos é uma estratégia para combater o insucesso, em outros (cf declarações de ontem de Isabel Alçada à RTP2) é uma coisa absolutamente impossivélleeeee….

E acrescentou que não é razoável esperar que estejam numa mesma sala crianças de 6 e 10 anos. Pois, é melhor os de 6 levaram lambadas nos corredores e nos intervalos de matulões com 15…

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