E não só dela, mas de alguns outros. Em certos casos acho que por desconhecimento. Em outros por distorção dos factos.

Exemplifico: na entrevista publicada hoje temos o habitual polvilhar de referências aos nórdicos e ao facto de por lá não existirem retenções. Já nem sequer vou insistir no que estou cansado de repetir: o teórico fim das retenções é uma medida de final de trajecto, não uma medida de combate (real) ao insucesso. Interessa é tentar perceber se a inexistência de retenções corresponde ao que se quer dar a entender, ou seja, que os alunos fazem todos a escolaridade no mesmo número de anos.

Sobre outra realidade, a inglesa, é mesmo afirmado o seguinte:

Se disser a um inglês que o seu filho passou, ele nem percebe do que está a falar.

Será que Isabel Alçada está a afirmar, letra impressa preta em papel de jornal quase branco, que em Inglaterra todos os alunos (salvo casos excepcionais) fazem o seu percurso escolar sem qualquer tipo de percalço? Todos passam de ano, sempre? Ou ficam por lá estacionados à espera de chegarem à idade de saírem, com os problemas que se sabe estarem a afligir os próprios ingleses em matéria de Educação e estão a levar à completa inversão de algumas políticas?

Será que Isabel Alçada está a par da forma como os alunos ingleses completam (ou podem completar) o seu ensino secundário através da obtenção dos respectivos certificados gerais (GCSE) em diferentes momentos, normalmente entre os 14 e aos 16 anos e após 11 anos de escolaridade, mas não necessariamente todos ao fim do mesmo tempo de escolaridade?

Será que Isabel Alçada não distingue entre ausência de retenções formais, em dados anos, com um percurso escolar sempre com a mesma extensão? Ou que pensa que não há chumbos na tentativa de obter os GCSE e que todos os obtêm ao mesmo tempo, com o mesmo sucesso?

E o que dizer dos níveis A (Advanced Level) necessários para aceder ao Ensino Superior?

Mas para contextualizar a questão do desempenho dos alunos na Inglaterra, a forma como é encarado o underachievement, em especial entre as classes mais desfavorecidas do ponto de vista socioeconómico, e como é perspectivado o seu combate no sentido de promover a mobilidade social, aconselho a leitura deste detalhado documento, onde se percebe que sem a análise realista dos factores de insucesso é difícil uma intervenção adequada.

Em nenhuma passagem se lê que o insucesso se combate eliminando-o por via legislativa.

É verdade que a compulsory education está prevista dos 5 aos 16 anos, mas em nenhum ponto está escrito que todos conseguem aos 16 anos obter os indispensáveis GCSE para prosseguir os estudos…

Ou será que por cá vai renascer a ideia do certificado de frequência da escolaridade obrigatória, como chegou a estar previsto no início dos anos 90 e que depois não deu em (quase) nada porque sucesso é sucesso?