Sócrates é muito meu amigo e eu tenho orgulho nessa amizade. Ele gosta muito de mim. Eu também gosto e admiro-o muito. E tenho muita pena que ele tenha sido tão mal tratado, tão agredido. Nunca nenhum primeiro-ministro foi tão agredido como ele e tão injustamente. Já o acusaram pelo menos de quatro coisas graves e ainda não provaram nenhuma. Mas continuam à procura.

O Estado Novo não tinha limites e perseguia ilegalmente. O que eles fazem agora tem sempre base legal. Tentam processá-lo. Não se pode dizer que sejam cometidas ilegalidades, o que são cometidos é excessos reprováveis e condenáveis. A partir do momento em que já se provou que não há nada que prove a culpa dele, insistem. Porque ele é o verdadeiro inimigo dos partidos da oposição. Personaliza hoje o PS com uma força muito grande. Por outro lado, admiro-o por muitas razões, não só a resistência psíquica, clarividência, capacidade oratória, a de se deslocar. Ele é como Deus nosso Senhor, está em toda a parte.

Ele cansa um exército e quando vai a qualquer país ainda vai correr na rua. Mas há uma coisa que admiro muito nele: a capacidade de inovação. Nunca ninguém fez tantas reformas como ele, sobretudo no anterior Governo, nomeadamente na área das novas tecnologias, saúde, energia.

Eu admirei os três primeiros-ministros. Tenho grande admiração por Mário Soares: pai da democracia. O Guterres: brilhante orador. Dos três, o melhor primeiro-ministro tem sido Sócrates.

Dito pelo “príncipe da democracia“, o tal que via dinamite em pontes.