A rede escolar do 1º ciclo está neste momento abaixo do que era há 100 anos, sendo que se anuncia para o próximo 5 de Outubro uma série de cerimónias de inauguração de centros escolares, como se isso correpondesse a uma qualquer herança do primeiro republicanismo, quanso se trata exactamente da inversão do espírito que durante décadas considerou que era papel do Estado ir ao encontro dos seus cidadãos.

Se do ponto de vista da racionalidade orçamental esta medida pode ter muito sentido, já é intelectualmente desonesto colocar estas medidas sob os auspícios dos ideais republicanos de outrora que, para serem cumpridos, implicariam a existência de, pelo menos, uma escola devidamente equipada em cada freguesia.

Se quiserem, é fácil recuperar os textos de outrora, de qualquer das tendências republicanas.

E não me venham com os contextos de cada época. Se agora é mais fácil deslocar os alunos, também é muito mais fácil fazer-lhes chegar as escolas.

3200 escolas do 1.º ciclo fechadas nos últimos 5 anos

Já só restam cerca de 200 escolas do 1.º ciclo abertas com menos de 21 alunos. Os 701 fechos deste ano abrangem dez mil estudantes.

No espaço de cinco anos, entre 2005/2006 e o próximo mês de Setembro, terão encerrado mais de 3200 escolas primárias com poucos alunos. Uma “reorganização” da rede lançada pela anterior ministra da Educação, e que a actual detentora da pasta, Isabel Alçada, aproximou do seu fim com o anúncio, ontem, de que mais 701 primárias já não abrirão portas no regresso às aulas.

De qualquer modo, não contesto entusiasmo que isto suscita em todos os órfãos de uma Grande Revolução Cultural, em especial entre aqueles que, tendo abandonado o esquerdismo em tempo útil de carreira política, não deixam de se sentir seduzidos por estes movimentos que eles chamam de reforma, mas que mais não se tratam do que de outra coisa… e nesse aspecto a terminologia revolucionária do intelectual vital faz todo o sentido.

Até porque neste aspecto a herança indiferenciadora dos ideais marxistas-leninistas une-se num abraço estreito com as do liberalismo de tipo napoleónico: ambas reduzem as pessoas a números e a massas estatísticas que se podem transformar por decreto.

Pelos vistos hoje acordei mesmo eu.