Sábado, 26 de Junho, 2010


Suede, Saturday Night

Por estas horas devo estar a chegar ao Baile de Finalistas (9º ano) da minha Escola. É a primeira vez que compareço nos quatro anos em que lá estou, por várias razões. Não gosto muito destes eventos e lecciono 2º CEB, pelo que não tenho finalistas.

Mas este ano fui convidado para padrinho por uma turma de 9º ano, uma turma pequena, herdeira de uma outra que tive  em2006/07, então no 6º ano.

E confesso que a coisa me tocou ao ponto de, mesmo extremamente desiludido com muita coisa (quando me convidaram há uns seis meses) e cansado (agora), fazer questão de comparecer, contra tudo o que me é habitual.

Porque estes miúdos, os poucos que restam (curiosamente, menos de metade são da tal turma, conhecendo eu os outros porque ao longo dos anos se foram habituando a aparecer nas minhas aulas, quando nada mais interessante tinham para fazer), acabaram por ser muito importantes para mim.

Em 2006/07, quando voltava de um intervalo sem leccionar de três anos para fazer a tese de doutoramento ao abrigo da equiparação a bolseiro, porque me fizeram acreditar que ainda sabia dar aulas e que, afinal, compensava apostar de forma algo visceral no que se faz. São alunos daquela turma PCA com que iniciei o hábito de fazer uma correcção pública das fichas e testes e com a qual foi possível estabelecer uma dinâmica de trabalho que fui tentando adaptar nos anos seguintes, com maior ou menor êxito. Foram eles (afinal eram 10 ou 11 horas semanais distribuídas por LP, HGP e TIC) que me fizeram reencontrar o meu lugar profissional.

Este ano porque, num momento em que coloquei em causa o sentido de me andar a envolver em muita coisa para deparar com incompreensões sucessivas e desilusões pessoais enormes, o convite deles me fez recordar que afinal o sentido passa principalmente por outros espaços que não as avenidas e as praças, os anfiteatros ou as esplanadas. O sentido passa pelo que se faz e realiza na sala de aula. E que, por muito que o resto nos desiluda e deixe a pensar que se calhar nos enganámos no trajecto, há algo e alguém que nos diz que, afinal, tem valido a pena.

A Ândria, a Bruna e o Leandro fazem parte desse grupo (a que pertenciam o Edmílio, o Helder, a Soraia, o Hugo, ou o Vítor ), a que se juntaram a Denise e a Raquel como visitas às minhas aulas, mas também o André, o Daniel e o Fábio.

Parece que, de algum modo, os marquei de forma positiva. Garanto que a mim eles marcaram de uma forma que não esquecerei. Mesmo três anos depois…

Big School, Small School – High Scholl Size and Student Behavior

Research about School Size and School Performance in Impoverished Communities

High School Size and the Education of All Students in 9-12: What the Research Suggests

From School to school – The integration into the secondary school of pupils in transition from Primary to Secondary Schooling

Economies of scale, school violence and the optimal size of schools

Does secondary school size make a difference?: A systematic review

School Size- Research Brief

Mega-agrupamentos: sistematizando a crítica

SCHOOL SIZE/SMALL SCHOOLS

Information on the issue of optimum school facility size, and class and classroom size, compiled by the National Clearinghouse for Educational Facilities.

Maria de Lurdes Rodrigues teve uma missão ingrata no mandato anterior e levou-a até ao fim. Foi recompensada por isso, de forma muito notória até pela data em que isso foi tornado público, com a presidência da FLAD.

Foi uma enorme recompensa, até porque virtualmente vitalícia, dada pelo primeiro-ministro José Sócrates. Todos sabemos e percebemos isso. Foi um pagamento enorme pelo sacrifício que fez e por ter ajudado a piorar o desempenho do nosso sistema educativo, como agora se percebe pelos resultados em provas de aferição (e quase por certo nos exames), na ressaca da blitzkrieg que tentou e acabou por transformar numa longa e mortífera guerra de trincheiras entre ME e professores.

Eu sei que é inevitável que lhe perguntem o que acha da nomeação. E compreendo que tenha aceite. Afinal merece mesmo ser recompensada pelo que desfez. Pelas vidas de professores que estragou, pela forma como ajudou a destruir o ambiente de trabalho nas nossas escolas e como – achando que fez uma revolução – apenas encetou formas de terror.

O que a mim me dá algum incómodo é que se transforme uma evidência num dever. Essa parte é que me faz embrulhar o estômago.

Considerei que era meu dever aceitar e também uma honra ser distinguida para a direcção de uma instituição com tanto prestígio, com trabalho feito e reconhecida por muitos portugueses que beneficiaram da sua ação.

Maria de Lurdes Rodrigues sabe que numa sociedade meritocrática e não baseada no favor pessoal e político, nunca chegaria à presidência da FLAD. Sabe que num sistema de avaliação e progressão como o que defende para os professores, nunca passaria de investigadora candidata a apoios da FLAD para fazer os seus estudos.

Mas, como a sociedade em que vivemos nem sequer é a utopia em que todos são iguais, mas sim a distopia em que uns são mais iguais do que outros devido a factores que não interessa aqui desenvolver, Maria De Lurdes Rodrigues chegou onde chegou.

Dou-lhe os meus parabéns.

Mas aconselharia o recato e o pudor que não voltasse a apresentar a sua aceitação como um dever.

(mas, que fique claro, comprarei o livro o mais depressa que puder, para me deliciar com a prosa de alguém com uma auto-imagem claramente em elevação estratosférica)

A entrevista de Maria de Lurdes Rodrigues ao Expresso de hoje revela como, afinal, a ex-ministra ficou imbuída daquele providencialismo típico de quem pensa que, por sua acção, se poderia ter regenerado uma nação, não fosse o raio das pessoas não concordarem.

Repete muito do que disse durante cinco anos, ao ponto de se ter convencido dos seus erros. Em nenhum momento consegue admitor que se possa ter enganado na substância ou na forma.

Não vale a pena retirar muitas citações para as contraditar. Vou apenas usar, neste post, uma para demonstrar como MLR se sente hoje distante das teorias libertárias e igualitárias que a acompanharam até bem dentro da siua idade adulta. Provavelmente, ela achará que os professores são umas ciranças crescidas que, tal como os alunos, sentem que têm todos direito ao sucesso.

Acho que há uma enorme resistência da maioria dos professores e dos sindicatos à diferenciação e, portanto, tudo o que forem mecanismos de diferenciação vão ser sempre rejeitados. O que correu mal foi isso. A avaliação até mpode existir, desde que não distinga. Os professores preferem este sistema, que dá maior segurança a todos: são todos iguais, nenhum é melhor do que o outro nem nenhum manda em ninguém.

Isto é factualmente inexacto. Infelizmente. Se fosse completamente verdade seria um oásis de solidariedade e fraternidade numa sociedade imensamente desigual.

Se fosse acompanhado por um sentido individual de ética, este seria o melhor dos mundos (profissionais), onde todos se sentissem iguais em deveres e direitos perante a sua função.

Maria de Lurdes Rodrigues cresceu, já não acredita em utopias, mas elas assombram-na. Ainda as entrevê nos outros e, demonizando-as, tenta exorcizar as crenças que já teve e que lhe são agora incómodas.

Os professores não são como ela os idealizou. Infelizmente, repito.

Tomara…

Estas posições gerais, ao nível do topo das organizações, precisam ter tradução ao nível local. Não pode ser a ANMP a acordar e impor, por exemplo, que escolas fechem e outras sejam mega-agrupadas.

Há que reunir Conselhos Gerais de Escolas e Conselhos Municipais de Educação.

Autarquias e associações de pais resistem ao fecho de escolas

Reorganização da rede escolar no básico gera protestos. Muitas comunidades educativas de norte a sul do país não estão a aceitar a fusão dos agrpamentos.

Câmaras exigem decisão até 4.ª

Associação de Municípios quer que encerramentos sejam protocolados e reclamam reunião urgente

O anúncio de que serão investidos 100 milhões de euros na requalificação de escolas do 2.º e 3.º ciclos, não altera a posição das câmaras relativamente ao fecho de primárias. A Associação Nacional de Municípios (ANMP) aumenta de resto a pressão sobre o Governo, dando até quarta-feira ao Ministério da Educação para definir – com o acordo dos autarcas – quais são os espaços a encerrar.

“Até ao final do mês isto tem de estar resolvido, senão teremos enormes complicações”, defende ao DN António José Ganhão, presidente comissão de Educação da ANMP: “Corremos o risco de pôr em causa o arranque do ano lectivo”, diz, lembrando que “em breve vão começar as matrículas para o próximo ano e as famílias não sabem se as escolas vão abrir”.

Concentração de escolas torna crianças vulneráveis

Pedopsiquiatra do Centro Hospitalar acusa o aumento de casos de crianças em acompanhamento provocado por factores relacionados com a deslocação para escolas com maior número de alunos, de diferentes idades

A concentração de escolas e a transferência de crianças de estabelecimentos de ensino localizados em meios rurais para o meio urbano, onde a escola é frequentada por alunos de várias idades, está a provocar um aumento no número de casos em acompanhamento de pedopsiquiatria. A constatação foi feita por Elisa Vieira, a única profissional pedopsiquiatra do Centro Hospitalar do Nordeste que, desde há 15 anos, faz o acompanhamento das crianças do distrito de Bragança e até de alguns concelhos limítrofes do distrito de Vila Real, durante uma conferência sobre a temática, promovida pelo Instituto Piaget de Macedo de Cavaleiros. A profissional considera que o fenómeno da concentração de alunos está a fazer com que muitas crianças fiquem desprotegidas ao estarem longe da família, tornando-se mais vulneráveis pela perda de “factores protectores”. “Uma criança que venha de uma aldeia recôndita tem de sair de casa de madrugada para chegar à escola onde há imensos alunos de diferentes idades. Essa criança não fica bem”, apontou Elisa Vieira. Embora seja justificado que as crianças não se encontram no recinto escolar, porque os intervalos não são coincidentes, a profissional questiona se tal não acontece durante a hora da refeição. Outra das situações que preocupa a pedopsiquiatra e que foi constatado por ela própria é o caso das crianças que chegam à escola e têm de aguardar na rua pela abertura do estabelecimento. “Eu própria constatei que muitos alunos chegavam e ficavam ali isolados à espera que a porta abrisse. São crianças que estão vulneráveis”, contou. Tudo isto tem resultado num aumento do número de casos de crianças que chegam à unidade de Pedopsiquiatria com alterações de comportamento, inibições intelectuais, dificuldades de aprendizagem, e medos. Elisa Vieira considera que seria mais positivo que as crianças permanecessem nas escolas primárias da localidade, mesmo nos casos em que há menos de 21 alunos: “é sempre suficiente porque existe uma professora, existe uma auxiliar de educação e outros profissionais que podem ajudar a criança a superar as suas dificuldades, mesmo as afectivas, porque nas aldeias há sempre a família alargada e o afastamento da família é superado”. A opinião é partilhada por vários pais e professores que se têm manifestado contra a fusão de escolas e que veêm com muita preocupação o convívio entre crianças com tanta diferença de idade.

Carla A. Gonçalves

“Ideias loucas” do ministério deixaram educação “insustentável”

A educação em Portugal está «insustentável» e, na opinião de Nuno Crato, o grande responsável é o ministério e as «ideias loucas» e «mirabolantes» de algumas pessoas que «não percebem nada de educação», mas controlam as escolas e o ensino. Esquecem-se que, afinal, bastam «meia dúzia de coisas simples». O problema é que «ninguém as quer fazer», lamentou anteontem o presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM), no jantar-debate “Quintas na Quinta”, o último antes de férias.
À partida, pede-se «respeito pelo saber», no entanto, hoje em dia, «o que tem valor é um dia apertar a mão ao Ronaldo», ironizou o professor do Instituto Superior de Economia e Gestão, defendendo uma maior liberdade das escolas, desde logo com uma das rotinas mais básicas: a elaboração dos horários. «O Ministério está preocupado em controlar a Educação, não está preocupado com a Educação. Não dá liberdade, quer controlar as pessoas e não faz avaliação de resultados. Assim não vamos longe», lamentou Nuno Crato, na Quinta das Lágrimas, perante uma assistência com muitos professores e vários nomes reconhecidos do ensino em Portugal, como Montezuma de Carvalho ou Carlos Fiolhais.
Avaliar os alunos. Esta é uma das «ideias simples» defendida pelo também presidente do TagusPark. Mas o que o país precisa é de uma avaliação externa. «São mais de 30 as disciplinas do ensino básico, ao longo de nove anos. E os nossos alunos são avaliados externamente a duas», ao fim desse tempo», criticou, acrescentando que mesmo essa avaliação «não é suficientemente séria».
O ideal é que fosse realizada por um instituto que não estivesse sob a tutela do Ministério da Educação, porque, continuou, os resultados dos exercícios «valem também para avaliação do próprio ministério».
Depois, pedem-se «metas de aprendizagem», que vão além de «currículos com várias páginas vagas», onde se lê, por exemplo, que é necessário «uma atitude positiva forte perante a aprendizagem». «Duvido que isto vá resultar de alguma coisa», lamentou, antes de mais, porque, frisou Nuno Crato, as metas divulgadas pelo ministério foram criadas por alguém que é contra as metas e que «não percebe o que são metas de aprendizagem».

(continua…)

Em entrevista ao Expresso. Não perdoou aos professores, mais do que aos sindicatos. Lerei, mas não agora, que é de manhã e…

Lisboa, 1983 (ed. original de 1981)