Porque a aprovação do novo ECD, sem conteúdo substantivo perante a lei 12-A, está directamente relacionado com a megalomania concentracionária das unidades de gestão para a Educação.

Eu vou resumir, porque nem estou para demonstrar, a coisa que nos espera a partir de 1 de Setembro ou 1 de Janeiro:

  • A Direcção toda-poderosa de um Mega-Agrupamento terá, anualmente, o poder de distribuir o serviço por mapas de pessoal e afastar quem bem entender de uma escola e fazer circular o pessoal que bem entender por entre as escolas do agrupamento. No limite, ou antes dele, pode afastar do mega-agrupamento quem achar por bem.
  • Num futuro não muito distante, as unidades de gestão concentradas disporão de um orçamento próprio que irão gerir conforme entendam, podendo travar ou suspender progressões na carreira, que nem com classificações de mérito serão automáticas, caso não exista, ou se alegue não existir, verba para tal.

(não esquecer por aqui o papel das autarquias na gestão do pessoal não docente e da Parque Escolar na rentabilização dos espaços e edifícios)

  • Em termos quotidianos, por interesse da própria Direcção para a sua avaliação e para obtenção de favores da tutela, a pressão para apresentar resultados irá sobrepor-se a qualquer critério de qualidade pedagógica no que será apresentado como a saudável concorrência no sector da Educação.
  • A liberdade de escolha dos alunos pelas escolas surgirá a par da chamada liberdade de escolha das escolas pelas famílias, agravando clivagens no sistema educativo e, nos mega-agrupamentos, conduzindo a possíveis especializações funcionais de cada escola.

Há mais, mas fico por aqui para nao vos causar pesadelos…