As coisas chegam em nuvens dispersas, algo que se ouviu, algo que se viu, algo que não se conseguiu saber. Telefonemas, reuniões, confidências. Segredos. Ou não. Coisas que se deixam escapar, em busca de receptor, em busca de perceber quem as faz passar.

Ao que parece o método usado a norte não terá sido o melhor, com muita informação a circular antes de tempo e mais para sul pretende-se um maior secretismo na implementação dos mega-agrupamentos, tentando apanhar toda a gente mais de surpresa. Como dizia em outro post, se possível empurrando para quando a maior parte das pessoas estiver em pausa lectiva.

Factos consumados no regresso. Direcções entaladas sem quem as apoie perante a investida. Alguns aliciados, outros intimidados.

Tudo entre director regional e coordenadores das equipas de apoio às escolas. Tudo em circuito muito fechado. Tudo muito na base da opinião sobre o que poderá ser feito ou não. O objectivo é reduzir órgãos de gestão, não interessa muito um critério uniforme como a régua e esquadro dos 21 alunos das escolas do 1º CEB.

E depois haverá visitas. Não se percebe se a sondar, se a comunicar.

Será alegado o superior interesse da Nação e das contas públicas. PS e PSD de acordo, com peões de outras cores a aceitar ser operacionais em certas tomadas de poder.

Sobre Setúbal há rumores quanto aos mega-agrupamentos possíveis. Talvez quatro ou cinco no máximo, talvez não para já. Também em Lisboa se houve falar em mega-agrupamentos com as escolas intervencionadas pela Parque Escolar a assumirem o comando do processo e, por essa via, a maior parte da rede escolar a ficar na dependência da PE. Daí a urgência de muitas obras. Como em Setúbal, já agora.

O Verão será agitado. Em Setembro grande parte da revolução estará encaminhada, mesmo sacrificando muitos dos que acreditaram poder mudar um modelo que nunca perceberam qual seria no fim do trajecto.

A semi-privatização da Educação está ao dobrar da esquina.

Atendendo à natureza humana, muitos cederão. Muitas autarquias aceitarão partilhar o poder com a PE, em especial se houver uma espécie de tratado de Tordesilhas nas competências e encargos. Muitos directores acreditarão poder vir a alargar os seus poderes. Verão que, mais tarde, também acabarão sacrificados.

Acho que, muito sinceramente, the truth is out there…

Só a não vê quem não percebe que, pelo menos nesta matéria, o paradigma está mesmo em acelerada mutação.