Domingo, 20 de Junho, 2010


Rage Against the Machine, Sleep Now in the Fire

NOTA DE  IMPRENSA  DOS DIRECTORES DE ESCOLAS E AGRUPAMENTOS DE ESCOLAS

– A Fusão de Agrupamentos de Escolas e Escolas Não Agrupadas –

Os Directores de Escolas e Agrupamentos de Escolas do distrito de Viseu da área de influência da Direcção Regional de Educação do Centro, reunidos ontem, reflectiram sobre o articulado na Resolução do Conselho de Ministros n.º 44/2010, publicado em Diário da República de 14.06, que estabelece as orientações para o reordenamento da rede escolar do ensino básico e secundário e analisaram as diligências que a DREC tem vindo a desenvolver com vários Agrupamentos e Escolas, bem como com alguns autarcas, no sentido de cumprir e fazer cumprir o estipulado no referido normativo.

Extremamente preocupados face às súbitas convocatórias, para reuniões em Coimbra, dos diversos responsáveis locais pelas unidades educativas bem como de responsáveis autárquicos, cujas decisões põem em risco e descaracterizam escolas, com número excessivo de alunos, de docentes e de outros profissionais o que comportará obrigatoriamente impedimentos inultrapassáveis à gestão pedagógica que a Resolução em análise preconiza, concluíram que, na verdade, pese embora  nalguns casos  específicos as fusões em escolas próximas e com poucos alunos até poder ser considerada conveniente,  na grande maioria dos casos, esta decisão é contraproducente, entre outras  pelas seguintes razões:

1-     A organização e gestão das escolas, como a conhecemos, desvanece-se. Perde-se a gestão de proximidade que tantas coisas resolve oportunamente, seja relativamente a alunos, professores, pais, funcionários, seja na gestão de processos e calendários. Só se ganha (?) em burocracia, formalismos, patamares de espera e atrasos na resolução dos problemas;

2-     As escolas perderão a sua identidade e cultura próprias, que tantos anos levam a conseguir. A identidade de uma escola não é uma coisa de somenos importância porque catalisa esforços, vontades, leva à obtenção de resultados vários e não apenas académicos. Uma escola sem cultura própria e sem identidade torna-se fria e indiferenciada. É uma escola morta;

3- Uma das coisas boas que as escolas têm, como é fácil de constatar pela análise exaustiva dos relatórios da IGE, são as suas lideranças pois, dos vários domínios em análise, as lideranças são em geral o domínio melhor avaliado, quase sempre com  Bom ou Muito Bom;

4-     Com a fusão de Direcções, muitas destas unidades de gestão tornar-se-ão inoperacionais e difíceis de gerir. Os departamentos e grupos disciplinares, por seu turno, devido ao enorme gigantismo em que se tornarão, levarão a uma articulação muito dificultada, dado o elevado número de docentes que os constituirão (por vezes rondando a centena) e pela distância geográfica entre os professores das diversas escolas fundidas administrativamente, mas não fisicamente;

5-     A perda de Direcção autónoma numa escola esvazia-a de autoridade formal e de proximidade. As escolas tenderão a ficar mais indisciplinadas, particularmente os alunos, mas não é de estranhar também que entre os corpos docente e não docente surjam com  maior frequência situações erráticas, pois a falta de liderança próxima é um convite a situações destas

6-     A importância fundamental das especificidades de cada Escola/Agrupamento de Escolas, do seu projecto educativo, da sua realidade social, económica, cultural e de implantação na área, bem como o nível de ocupação e de estrutura e capacidade de lotação de cada uma das unidades consideradas, no sentido de conseguir um trabalho pedagogicamente sustentado, positivo e que promova o sucesso escolar e educativo das crianças e jovens que frequentam a escola e são a razão de ser e de existir da mesma;

7-     Aos Directores, cabe hoje, a enorme responsabilidade de darem resposta à sua comunidade, em consonância com o Projecto de Intervenção fundamentalmente pedagógico com que se apresentaram a sufrágio, há cerca de um ano e pelo qual foram sufragados pela sua comunidade educativa, pelo que deverão ser ouvidos pela tutela por serem a face visível da educação e da escola pública no país e o garante das aprendizagens e do sucesso dos alunos.

São estas, entre muitas outras, as razões daqueles que melhor conhecem as Escolas e que durante anos a fio, muitos há já dezenas de anos, sem olhar a horas, conjunturas ou mudanças sucessivas que têm agitado a vida das escolas, se dedicam com o maior profissionalismo e se entregam, incondicionalmente, ajudando a fazer com que as Escolas funcionem bem e as gerações de crianças e jovens sejam educados e instruídos num ambiente da maior estabilidade possível que proporcione aprendizagens e formação coerentes, das gerações que garantirão o futuro da nossa região e do nosso país.

Viseu, 16 de Junho de 2010

Os Directores das Escolas e Agrupamentos de Escolas dos Concelhos da área de influência da DREC:

– Carregal do Sal, Castro Daire, Mangualde, Mortágua, Nelas, O. Frades, Penalva do Castelo, São Pedro do Sul, Santa Comba Dão, Satão, Tondela, Vila Nova de Paiva, Viseu, Vouzela

Ouçam o depoimento deste Presidente de Junta a explicar as condições da Escola:

Junta de Freguesia da Capinha vai lutar contra encerramento de escola

O presidente da Junta de Freguesia da Capinha, no concelho do Fundão, afirma que vai lutar até ao fim contra o encerramento da escola do 1º ciclo da aldeia, conforme foi decidido pelo Governo no caso de estabelecimentos de ensino com menos de 20 alunos. Esta escola tem 14 alunos, para além de acolher oito crianças ao nível pré-primário. O presidente da Junta de Freguesia, Rogério Palmeiro, não compreende como pode ser fechada uma escola com todas as condições para as crianças nem as razões que levaram o Executivo a tomar esta decisão sem dialogar com os autarcas.

Câmara da Azambuja contesta fecho de escolas

Autarquia diz que não tem alternativas

Três escolas, no concelho de Arganil, podem fechar!

Câmara de Moura contra encerramento da Escola de Santo Amador

A Câmara Municipal de Moura aprovou uma Moção contra o encerramento da Escola de Santo Amador. Na moção a autarquia considera que esta escola possui todas as condições para prosseguir com o “processo de ensino-aprendizagem”.
Maria José Silva, vereadora da Câmara de Moura, referiu que esta moção pretende “essencialmente” mostrar a discordância com esta medida, com base em alguns critérios que consideram que são “pouco claros”.

E eu não sou daqueles que a usa apenas quando interessa. Nem confundo questões de gosto com questões de liberdade.

Artigo 37.º
Liberdade de expressão e informação

1. Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações.

2. O exercício destes direitos não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo ou forma de censura.

3. As infracções cometidas no exercício destes direitos ficam submetidas aos princípios gerais de direito criminal ou do ilícito de mera ordenação social, sendo a sua apreciação respectivamente da competência dos tribunais judiciais ou de entidade administrativa independente, nos termos da lei.

4. A todas as pessoas, singulares ou colectivas, é assegurado, em condições de igualdade e eficácia, o direito de resposta e de rectificação, bem como o direito a indemnização pelos danos sofridos.

Ahhhh…. ia-me esquecendo… é muito corajoso e frontal queixarem-se, mas depois ofenderem com base em nicks, mails falsos e navegações clandestinas na net… que se percebem quais são, mas…

Aprendam a conviver com a liberdade, não confundam as esferas pública e privada. E outras coisas. Enfim, aprendam a conviver sem ser em casulos mentais ou políticos…

Na morte de Saramago:

Se saber é compreender, compreender é um passo em frente para amar.

A Literatura não iguala nem imita nem copia a vida. A Literatura  (a ARTE) é a vida, é tudo o que somos e que não somos e tudo o que, não sendo, gostaríamos de ser, é tudo o que sonhamos, é tudo o que não entendemos, é tudo o que intuímos, é tudo o que odiamos e amamos, o que choramos e o que rimos, o que renegamos ou o que construímos em nós e fora de nós…

Comecei por não gostar nada de Saramago. Como Homem, afigurava-se-me seco, estéril até, duro, implacável… O primeiro livro foi o Memorial. Estranhei, preparada para ignorar ou odiar, tanto até que pedi o livro emprestado, eu que sempre fui uma compradora de livros… Estou a falar de um tempo muito antes do Nobel, de um tempo em que ele era apenas o Saramago, aquele que não usava a pontuação…

Gostei muito da obra e não me lembro que me ter sentido interrompida no meu prazer de leitora pelos constantes “atropelos” às leis da gramática, da ortografia e da sintaxe. E na Feira do Livro seguinte comprei-o e aproveitei a presença do próprio Saramago na feira para lhe pedir que mo assinasse. Estamos a falar de um tempo anterior às imensas filas que depois do Nobel se formavam para que num dos seus livros ele escrevesse “À/Ao… do José Saramago”, numa escrita já mais mecânica e apressada por via das circunstâncias.

Mais tarde, entre vários outros livros também por ele autografados, havia de lhe levar A Maior Flor do Mundo, que lhe pedi que dedicasse à minha filha.

A minha vida profissional “obrigou-me” a pegar mais vezes no Memorial e percorrer com ele, em conjunto com os meus alunos,  um conjunto de caminhos de análise, de reflexão mas também de perplexidades sobre o Mundo,  e ainda de descoberta dum Literatura nova construída de subversões, desde os géneros (como, por exemplo, o Garrett das Viagens na Minha Terra também tinha feito antes dele) até aos pressupostos literários. Ao mesmo tempo, e para mim é mais um factor de admiração, não renega a nossa literatura, todo o passado literário que carregamos connosco enquanto povo.  Por exemplo,  reencontramos no Memorial o povo de Fernão Lopes e a epopeia de Camões mas também ouvimos os contos tradicionais que talvez a sua avó Josefa lhe contasse em noites de encantamento…

E assim, por compreender um bocadinho melhor a obra, passei a admirá-la e tornei um dos seus livros um dos MEUS livros de sempre, O Ensaio sobre a Cegueira.

Não posso dizer que gosto de toda a obra. Até hoje, por exemplo, ainda não consegui ler O Ano da Morte de Ricardo Reis, depois de uma ou duas tentativas em que o abandonei nas primeiras páginas. Não me sinto obrigada a vir gostar de todos os seus livros. Mas sinto muito a falta dos livros que ele ainda tinha para nos dizer.

Saramago dizia: “Escrevo para compreender. Compreender o quê? Tudo.

E eu, parafraseando-o, posso afirmar que Leio para compreender. Compreender o quê? Tudo.

E sinto-me agradecida a Saramago por também ele me ter ajudado a compreender um bocadinho mais sobre o mundo e sobre nós mesmos.

Ana Mendes da Silva

20 de Junho de 2010

Porque me livrei de saramaguices. Fez-me o favor de ir para o Maneta à beira do fim-de-semana e já deve estar a pagá-las no Inferno, – Estás aí?

E, porque valeu a pena ter andado pelo Natal a enterrar boletas, tenho agora algumas centenas de carrascos sôfregos pela luz.

… e tomaram as posições que, salvo excepções, estão em risco de ser extintas.

Foi um caso exemplar de aliciar um grupo, com este ou aquele pretexto, para impor uma solução à maioria. Agora será feito o mesmo dentro desse grupo. Alguns serão aliciados para servirem como ameaça para os outros também aderirem ou então serão afastados.

Acima estão as DRE a comandar. Até ser a sua vez de obedecerem… nem que seja à Parque Escolar.

Ora, tal como aliás melhor se demonstrará adiante, o regime instituído pelo citado Decreto-Lei nº 75/2008 está – ao invés do que formal e genericamente se declara no respectivo preâmbulo – muito longe de representar um mero desenvolvimento do regime estabelecido pela já referenciada Lei de Bases do Sistema Educativo, e muito em especial dos princípios gerais da administração e gestão do sistema educativo (que assentam no pleno respeito pelas regras de democraticidade e de participação dos implicados no processo educativo, na prevalência dos critérios de natureza pedagógica e científica sobre critérios de natureza administrativa e no asseguramento da direcção de cada estabelecimento ou grupo de estabelecimento por órgãos próprios para os quais são democraticamente eleitos os representantes dos professores, alunos e pessoal não docente), antes consubstancia um autêntico extravasar e até um completo afastamento desse mesmo regime geral no que respeita ao dito “Director”.

Ademais e em nosso entender, a matéria da definição e natureza dos órgãos de administração e gestão dos estabelecimentos de educação e ensino, das suas atribuições e competências, bem como dos modos de designação dos respectivos titulares e do regime dos seus mandatos, assume natureza não apenas de direitos e garantias dos cidadãos, e desde logo dos próprios professores, como também e inequivocamente de opção fundamental e disciplinar básica do sistema de ensino, pelo que é, inequivocamente, de reserva absoluta da competência da Assembleia da República, nos termos da alínea i) do artigo 164º da Constituição da República.

Razão por que o específico regime relativo aos órgãos de administração e gestão dos estabelecimentos de educação e ensino constante do Decreto-Lei nº 75/2008, que veio criar um verdadeiro regime novo (através, designadamente, de várias modificações inovatórias relativamente à LBSE), e porque produzido pelo Governo no âmbito da matéria de reserva absoluta da competência da Assembleia da República (que assim foi invadida) é desde logo organicamente inconstitucionalex vi”, precisamente, da supracitada alínea i) do artigo 164º da C.R.P..

Independentemente do que antecede, a Lei de Bases do Sistema Educativo assume claramente a natureza de lei “supra-ordenadora” em relação a outras leis posteriores e, mais do que isso, posicionada acima destas últimas, as quais a terão sempre de respeitar por força do valor hierárquico reforçado que lhe é conferido pelo artigo 112º, nº 3 da Constituição. Razão por que qualquer   decreto-lei do Governo – mesmo que se admitisse que este para tal teria competência e assim poderia legislar sobre tal matéria – está necessariamente subordinado à lei de bases que supostamente esse diploma governamental venha posteriormente procurar desenvolver.

Ora, ao fazê-lo de forma que manifestamente afasta-se de todo e mesmo contraria os princípios e soluções constantes da LBSE, o Decreto-Lei nº 75/2008 viola também a denominada “superioridade paramétrica geral” (estabelecida pelos citados nºs 2 e 3 do artigo 112º da Lei Fundamental) daquela Lei de Bases, pelo que também por esta via não poderá vigorar, na exacta medida dessa contradição, na Ordem Jurídica.

Parecer de Garcia Pereira sobre o DL 75/2008

Já pensaram como será possível fazer listas para os futuros CG dos mega-agrupamentos? Em matéria de professores, serão listas de escolas contra listas de outras escolas? E no caso dos encarregados de educação, como será possível uma representatividade significativa de cada escola?

A sério… já pensaram como isto vai funcionar?

Já perceberam que será uma pirâmide com uma lógica não muito diversa do centralismo democrático?

Já perceberam que ao terem deixado abrir a porta, agora ficaram com ela escancarada?

Sei que deveria ter mais qualidades do que tenho e não relembrar que… mas tenho escassas virtudes cristãs. Muito menos aquela de dar a outra face. Já me chega o que fui levando, por isso, deixem-me relembrar… Não serve para nada ter razão antes de tempo, mas…

E o interessante é que tudo isto está ser feito com base numa resolução

Vou voltar aqui a algo que já aflorei há uns dias. Refiro-me ao papel que os Conselhos Gerais podem e devem assumir no presente contexto de concentração da rede escolar.

Porque me parece – repito-o – que os Conselhos Gerais dos Agrupamentos e Escolas Não Agrupadas se estão a refugiar demasiado na inacção antes da dissolução de muitos deles.

Será que já perceberam que o encerramento das escolas do 1º CEB também é um assunto vosso? Tal como a decisão de mega-agrupar?

Que não se podem refugiar nas cómoda declarações de «nada podemos fazer», «não é nada connosco», «ninguém nos disse nada», como a maioria está a fazer?

Afinal andaram a fazer listas e a reunir-se, mesmo que ocasional e rotineiramente em muitos casos, para quê?

Esqueceram-se (ou nunca souberam?) que «O conselho geral é o órgão de direcção estratégica responsável pela definição das linhas orientadoras da actividade da escola» (artigo 13º do 75/2008)

Ou que «no desempenho das suas competências, o conselho geral tem a faculdade de requerer aos restantes órgãos as informações necessárias para realizar eficazmente o acompanhamento e a avaliação do funcionamento do agrupamento de escolas ou escola não agrupada e de lhes dirigir recomendações, com vista ao desenvolvimento do projecto educativo e ao cumprimento do plano anual de actividades.» (nº 3 do artigo 13º)

São os meus caro(a)s amigo(a)s que devem mostrar pró-activos e não esperar que vos caia no colo alguma coisa. Estão cansados? Desanimados? Estamos todos! E depois? Foram para os CG fazer o quê? Escapar a outros cargos?

Mesmo aqueles que acredita(ra) no novo modelo de gestão, acham que isto não vos irá atingir? Que não é tempo de desadesivarem um bocadinho?

Em quantos casos se colocou em prática o seguinte: «O conselho geral pode constituir no seu seio uma comissão permanente, na qual pode delegar as competências de acompanhamento da actividade do agrupamento de escolas ou escola não agrupada entre as suas reuniões ordinárias.» (nº 4 do artigo 13º)

Vão aceitar ser extintos pouco depois de criados sem refilar?

Estão à espera do quê para reunir? Os professores não estão em maioria, mas certamente são mais de um terço e também por certo que conseguiriam mobilizar mais alguém para uma convocatória extraordinária! E o(a) presidente do CG pode fazê-lo quando assim o entender necessário.

Acham que não é necessário? Ou estão á espera que aconteça, para se justificarem com a inutilidade do acto?

Acaso leram que «o conselho geral reúne ordinariamente uma vez por trimestre e extraordinariamente sempre que convocado pelo respectivo presidente, por sua iniciativa, a requerimento de um terço dos seus membros em efectividade de funções ou por solicitação do director.» (nº 1 do artigo 17º)

Sinceramente, desculpas como algumas que tenho ouvido ou me têm contado não me convencem. Muito menos os casos em que se alega a falta de informação como razão para nada fazerem. Mas se reunindo o CG podem pedir essas mesmas informações, porque o não fazem?

Afinal, ser conselheiros era apenas um cargo honorífico e não nos ralamos com mais nada?

Sei que posso estar a ser injusto com uma minoria mas tenho quase a certeza que é mesmo uma minoria que estará a actuar de forma preventiva ou activa.

O resto está a pecar por omissão.

Acordem!

Informo, que a entrega do abaixo assinado e manifesto dos professores, encarregados de educaçäo e funcionários da EB de Vila Nova de Cacela, contra o Mega Agrupamento que a Drealg ordenou começar a funcionar a 1 de Julho próximo, passa de segunda para terça de manhä.
Sem mais,
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Elisabete
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E no Topo da Carreira:

Mega-Agrupamentos e Encerramento de Escolas – Algarve

Barcelos

Antuzede

Escola da Cidreira em risco

Junta de Freguesia está a “fazer tudo” para manter o estabelecimento aberto.

… mas a sanha do Governo em encerrar escolas pode provocar uma espécie de caça ao aluno…

EB Castelo Viegas não corre risco de encerramento

Oliveira Alves confirma que a escola está fora de perigo. A EB de Marmeleira “estava na linha de fronteira”, mas já terá conseguido o número mínimo de alunos para manter as portas abertas.

A Escola Básica de Castelo Viegas não vai sofrer as consequências da nova Carta Educativa do Governo, que pretende encerrar escolas com menos de 21 alunos. «A EB de Castelo Viegas não corre risco de encerramento. Nessa freguesia, esse cenário só se coloca para a Escola de Pereiros», esclareceu ao Diário de Coimbra o director da Divisão de Acção Social e Educação da autarquia, Oliveira Alves.
A ideia é defendida também por Sandra Coelho, presidente da Associação de Pais da EB de Castelo Viegas. «A nossa escola tem um número de alunos mais que suficiente para continuar aberta e até foi completamente reestruturada em Fevereiro», afirmou a responsável, que adiantou que a EB de Pereiros, essa sim, «tem apenas três alunos». «Aí o encerramento é iminente», lamentou.
Outra instituição onde existiam algumas dúvidas era a Escola Básica de Marmeleira, na freguesia de Souselas. «A Escola estava, de facto, na linha de fronteira. Tínhamos dados que apontavam para menos de 21 alunos», contextualizou Oliveira Alves.

E se em vez de deslocarem os miúdos todos das aldeias, os juntassem numa das escolas mais próximas?

Porque não apresentam as autarquias essa alternativa?

Não é de Saramago, mas fez-me sorrir com gosto:

Holisticamente

A Sheila era tão mais exuberante, falante e inteligente do que o marido que os amigos se apiedavam dele. Reclamavam quando a Sheila o interrompia, sempre que ele começava a dizer alguma coisa, com um ríspido “Quer fazer o favor, Flávio Augusto?”

– Deixa ele falar, Sheila!

– Mas esse aí não diz nada que preste!

O pior era que o Flávio Augusto não dizia, mesmo, nada que prestasse. Nas poucas vezes em que conseguia falar, dizia bobagem. E aí a Sheila olhava em volta com uma expressão de “Pode?” no rosto. Podia alguém ser tão bobo quanto o Flávio Augusto?

E ela era inteligentíssima. Falava sobre tudo, entendia de tudo. Até que os amigos prepararam uma. Um pouco para vingar o coitado do Flávio Augusto, um pouco porque também não agüentavam mais a prepotência intelectual da Sheila. Prepararam uma.

Chamaram o Flávio Augusto para lhe dar instruções. Sem a Sheila saber, treinaram o Flávio Augusto. Fizeram várias reuniões com ele, ensaiando o que ele iria dizer. Na hora certa, quando a Sheila menos esperasse. Para arrasar.

A hora certa chegou. Um jantar na casa dos Pedroso, toda a turma reunida e mais um professor visitante, um cenário perfeito para a Sheila brilhar. E a Sheila brilhou. Sentada ao lado do professor, dominou a conversa desde o começo do jantar. Desde a entrada fria. Até que, depois da sobremesa e antes do café, com a Sheila expondo com entusiasmo uma teoria para o professor, apenas para o professor, pois era claro que os outros da mesa não tinham a menor capacidade para entendê-la e estavam ali só como ouvintes e figurantes, o Oscar fez um sinal para o Flávio Augusto e o Flávio Augusto levantou um dedo. E disse:

– Meu bem…

Sheila parou no meio de uma frase. Ficou de boca aberta. Era inacreditável. Alguém a interrompera. Alguém tivera a ousadia de interrompê-la. Menos do que alguém: o Flávio Augusto. O Flávio Augusto! E ele estava a ponto de continuar.

– Eu…

– Quer fazer o favor, Flávio Augusto?!

Desta vez os protestos foram de todos. E os pedidos para que ela deixasse o Flávio Augusto falar foram veementes. Estavam todos bem ensaiados. E Sheila teve que ceder, resignada a mais um vexame do marido.

– Está bem, fala.

– Eu acho que você está enganada.

Sabe aquela pintura do Munch? A mulher gritando na ponte? O grito silencioso da Sheila foi parecido. O Flávio Augusto – o Flávio Augusto! – dizendo que…

– Eu estou enganada, Flávio Augusto?!

E então Flávio Augusto deu a estocada, conforme o combinado.

– Você não está vendo a coisa holisticamente.

É difícil descrever a expressão no rosto de Sheila, então. Não era só choque. Era como se ela tivesse caído por um alçapão e estivesse solta no ar, sem reconhecer nada à sua volta. Falta aguda de coordenadas. E ainda por cima… Sim, tinha um ainda por cima.
Oscar virou-se para o professor e perguntou:

– O que o senhor acha?

E o professor, sorrindo, para Sheila:

– Acho que vou ter que concordar com seu marido.

Sheila despencando. Sheila solta no espaço. E todos na mesa se congratulando com o olhar. “Holisticamente” era demais. “Holisticamente” era genial. Na saída, no elevador, pela primeira vez em muitos anos a Sheila pegou no braço do marido. Mais tarde, Flávio Augusto contou que o “holisticamente” tinha melhorado até a vida sexual dos dois.

Luís Fernando Veríssimo – O Globo
19/08/2001
Incluído em O Melhor das Comédias da Vida Privada (Lisboa, D. Quixote, 2005, pp. 128-130)

… porque se não o admiravam em vida, não é depois de morto que devem aparecer no retrato.

As mais altas figuras do Estado não vão participar nas cerimónias fúnebres de hoje

Pode haver quem ache que é mesquinho, mas eu acho que é coerente. Afinal, na inversa, duvido que Saramago fosse a algum dos funerais destas personagens/personalidades,

Confesso que não estou completamente em desacordo, porque acho que há demasiados concelhos em algumas zonas do país, mas acho que a fusão de concelhos só0 faz sentido reforçando as competências das autarquias.

Só pela poupança não faz sentido. Fazer uma reforma administrativa na base de necessidades conjunturais não adianta, nem os seus efeitos chegariam a tempo.

De qualquer modo isto ficará na esfera académica. Se há grupo de presão com muito poder no PS e PSD é o dos autarcas e, portanto, isto é apenas mais barro atirado à parede.

Até porque não temos políticos com estatura para demonstrareem a validade e um reforma desta às populações e muito menos para se imporem ao caciquismo local à custa do qual se ergueram e ao qual prestam vassalagem nas voltas a Portugal que fazem antes de se instalarem em São Bento ou Belém.

PS e PSD pela extinção de concelhos

Almeida Santos e Miguel Relvas querem mexidas, para haver redimensionamento e economia de recursos

Desde 1855 que não se extingue um concelho ou uma freguesia em Portugal. E desde 2005 que o “tabu” tem vindo a ser alimentado” pelos diversos governantes e dirigentes autárquicos. O presidente do PS colocou o dedo na ferida. Almeida Santos sustenta que “nos tempos actuais não se justifica a existência de 308 municípios” e propôs a sua redução, o que permitiria “uma poupança brutal que seria usada em favor dos cidadãos”. O secretário-geral do PSD concordou. “A reforma administrativa do País é imperiosa”, afirmou Miguel Relvas.

Lisboa, 1972