Quinta-feira, 17 de Junho, 2010


New Young Pony Club, Chaos

Não há.

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Não vale a pena repisar muito os argumentos que na altura tentei esgrimir contra o 75/2008. Sei o quanto – ao contrário da carreira e da avaliação – esse assunto não foi agradável e foi visto com displicência por quase todos os actores institucionais em presença, enredados numa coreografia de protestos enquanto, na prática, aceitavam dar corpos e rostos ao modelo.

Não falo de quem já estava na gestão e decidiu continuar o trabalho feito, mas sim de quem entrou para ele voluntariamente, afirmando que iria dar um rosto humano à criatura.

Não vale também muito a pena relembrar o papel martirizado – e agora esquecido – de Santo Onofre, onde as pessoas decidiram por si mesmas não constituir listas para o Conselho Geral Transitório, enquanto em muitos outros lados as listas se constituíram com base em argumentos variados, muitas vezes com o mesmo pretexto de só ser possível alterar o que era mau estando por dentro.

Talvez valha apenas relembrar que discordei e achei desde logo que o novo modelo de gestão, sendo mau, deveria ser deixado a quem o apoiasse para que a sua desagregação fosse evidente e os seus erros atribuíveis a quem com ele concordava.

Mas vamos admitir que eu fui injusto e que, efectivamente, quem aderiu ao modelo de forma crítica e com o objectivo de o transfigurar para melhor, quis mesmo isso.

Então é esta a sua oportunidade de demonstrar que assim é.

No caso do(a)s Directore(a)s – que estão a ser pressionados de forma brutal para aderirem em 24 e 48 horas a mega-agrupamentos propostos pelas DRE (está a chegar aqui à margem sul esta forma de agir) – era bom que não tomassem decisões unipessoais sem consultar as suas escolas e agrupamentos, não apenas os seus fiéis.

E era bom que os Conselhos Gerais saíssem do marasmo a que a maior parte se tem votado e percebesse que entre as suas atribuições (artigo 13º do 75/2008) é capaz de estar a de se pronunciar sobre algo como o desaparecimento da escola ou agrupamento de que são o órgão máximo (não, a direcção é apenas um órgão executivo…).

O conselho geral é o órgão de direcção estratégica responsável pela definição das linhas orientadoras da actividade da escola, assegurando a participação e representação da comunidade educativa, nos termos e para os efeitos do n.º 4 do artigo 48.º da Lei de Bases do Sistema Educativo (artigo 11º do 75/2008).

Que muita gente pareça só ter ido para as presidências dos conselhos ou para conselheiro para efeitos decorativos ou vaidade pessoal eu compreendo.

Agora que aqueles que disseram que iam para esses cargos para ajudar o modelo de gestão a não triturar os restos de democraticidade nas escolas e agrupamentos não tomem nenhuma iniciativa no actual contexto – como reunirem-se extraordinariamente logo que alguma informação surja ou mesmo preventivamente para antecipar os ultimatos feitos pelas DRE às direcções executivas – já me custa mais a aceitar.

Porque – não se esqueçam – a direcção executiva pode ser demitida a qualquer momento pelo director regional mas o Conselho Geral, desde que siga os seus procedimentos de forma legal, não responde perante nenhum emissário do ME, nem lhe é hierarquicamente subordinado.

Que tal se fizessem algo mais do que o Conselho de Escolas, olimpicamente ignorado pelo ME e Governo nestas matérias?

sem ministério da educação

Foi já quase no fim, depois das intervenções de nove telespectadores, que a pivot Sara Bento chamou a atenção para algo que se tornou evidente: esta ministra esgotou o imenso capital de esperança e estado de graça com que iniciou o seu mandato.

Porque hoje aconteceu uma coisa estranha: nenhum dos intervenientes conseguiu defender a política ministerial ou governamental em curso na área da Educação. Nem houve quem malhasse nos professores ou sindicatos.

Se Maria de Lurdes Rodrigues conseguia irritar muitos, verdade se diga que conseguia ludibriar outros. Aquela mistura de mau feitio e voluntarismo mal dirigido conseguia, de forma estranha, mobilizar apoios em alguma sociedade civil mais despeitada que alinhava no tiro ao boneco (leia-se “professor”).

Mas Isabel Alçada, excepto os signatários do acordo (ou alguns, talvez menos agora), apesar do discurso simpático, sorridente e quase fofinho, não parece convencer ninguém da bondade da política que está a executar e que vem directamente na linha da sua antecessora na maior parte dos aspectos.

Aliás, o quadro legal é exactamente o mesmo. Nada mudou.

Mas a opinião pública não está claramente com as suas medidas, mesmo se a pode achar simpática para tomar um chá e discutir uma leituras.

Porque aquele discurso formatado, sincopado, automatizado soa demasiado postiço.

Hoje foi a minha vez de me sentir confortável. Em passagens anteriores por programas de antena aberta fui mimoseado pessoalmente, ou por ser professor, com diversas intervenções desagradáveis e durinhas.

Hoje foi um repouso completo. É curioso como, subitamente, a um clima de apatia quase generalizada nas escolas corresponde uma evidente desafeição pública bem clara.

Que seria interessante conseguir aproveitar, demonstrando que a investida que se mantém contra os professores é apenas uma peça de uma engrenagem mais ampla de desagregação da Escola Pública e da Educação que, a curto ou médio prazo, atingirá de forma negativa quase todos.

De preferência sem chavões simplistas, equivalente e simétricos aos do ME.

Explicando que o objectivo não é, de modo algum, aumentar a qualidade da Educação mas apenas embaratecê-la.

Por todos os meios.

O que tem algum, mesmo se escasso, fundamento em tempos de crise, mas só se fosse perceptível essa atitude em outras áreas da governança e da gastação

Boa tarde,
O Agrupamento de Vila Nova de Cacela, irá a Faro na segunda feira, dia 21, entregar um abaixo assinado contra o Mega Agrupamento em que foi inserida com a Escola Secundária de Vila Real de St António, que começará a funcionar dia 1 de Julho, segundo ordens da Drealg.
Partirão de Vila Nova de Cacela pelas 9h da manhã, professores, pais e funcionários, cada um no seu carro em marcha pela estrada Nacional 125, e concentrar-se-ão na relva, inaugurada no dia 10 de Junho com a parada militar.
Pede-se a divulgação desta nossa posição, no sentido de chegar a todo o país e orgãos de Comunicação social. Juntos, tentamos vencer.
Obrigada
E.

Escola de Barcelos foi renovada e equipada há três anos mas fecha portas sexta-feira

Governo surpreende municípios com garantia de fecho de escolas

Associação garante que não se reúne há um mês com Ministério.

Câmara da Azambuja contesta fecho de escolas

Autarquia diz que não tem alternativas

Câmara de Rio Maior contra encerramento de quatro escolas no concelho

Lisboa: Assembleia Metropolitana exige “interrupção” do plano de encerramento de escolas do 1.º ciclo

Escolas fechadas e agrupamentos fundidos

O Sindicato de Professores da Região Centro (SPRC) acusa o Governo de estar a “ameaçar autarcas e escolas afirmando que, a bem ou a mal, estas vão encerrar e os agrupamentos fundir-se”.

Nas reuniões que estão a realizar-se com os presidentes de câmaras municipais, o Sindicato diz que “o discurso é claro: se os municípios concordarem, as escolas encerrarão; se não concordarem encerrarão na mesma, neste caso por decisão unilateral do Governo”.

Câmara Municipal de Montijo
Aprova por unanimidade Parecer Desfavorável sobre encerramento da EB1 n.º 2 de Sarilhos

Pais revoltados contra fecho da escola de Olhos de Fervença

Ontem foi dado o primeiro passo de uma “batalha” que promete. Ainda não eram 8h15 e os pais dos alunos da escola primária de Olhos de Fervença – única no concelho de Cantanhede sinalizada pela DREC para encerrar no próximo ano lectivo -, já estavam à porta do estabelecimento de ensino com os seus filhos a colocar uma longa tarja com dez cartazes na vedação da escola. Outros vinham chegando e juntavam-se ao protesto. Para já, a iniciativa é só para alertar «as entidades competentes», de que estão contra o encerramento da escola. Por várias razões. «Neste momento temos 11 alunos e no próximo ano recebemos mais oito, a escola recebeu beneficiações, tem excelentes condições e não se justifica que seja encerrada», diz à nossa reportagem Carlos Buco, preocupado sem saber para onde vão os seus dois filhos.

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