Quarta-feira, 16 de Junho, 2010


Beach House, Lover of Mine

European debt crisis
Are EU governments and the IMF doing enough to reassure global markets?

O que se segue é a reescrita, eliminando os elementos identificativos concretos de pessoas e lugares, de um mail recebido hoje:

Boa tarde,

Tomei hoje conhecimento que, numa célebre reunião do DRE com diversos directores, o meu se recusou a agrupar.
Esta informação foi-me transmitida  de viva voz na sequência da minha interpelação que teve como motivo o facto de termos recebido ontem nos nossos mails a proposta do novo Projecto Educativo  para análise.

Quando li na diagonal o documento, constatei copy-paste do anterior PE, do RI (competências dos coordenadores de departamento e outros, pasme-se!) e do plano de acção 2006. Quase nada de novo. É um PE “à pressa” e eu percebo porquê lendo a Resolução do Governo  Como gosto de trabalhar seriamente mas não gosto de trabalhar “para aquecer”  questionei o órgão de gestão dizendo-lhe exactamente isto e perguntando se valeria a pena analisar e apresentar sugestões de melhoria a um PE por uns meses quiçá no máximo 1 ano.
Foi-me então transmitida a informação supra.

Sem querer entrar pelos meandros da sua recusa (quando lhe disse que era melhor pensar e consultar as bases ouvi um “não falas mais disso” pelo que saí ) gostaria de saber a sua opinião sobre a posição.

Será que os professores, principalmente os do 3º ciclo podem ser afectados por esta recusa?

Explico a minha ideia. Se não nos agruparmos, a ES vai agrupar com outro AE (poderá não o fazer?). Se isso acontecer, as eventuais actuais vagas para o 3º ciclo e secundário na ES são ocupadas pelos professores dos outros AE.

Se não vai haver concurso para o ano, o que irá acontecer aos professores do meu Agrupamento quando o nº de alunos diminuir?
Vão ficar horários zero certamente.
Será que a recusa nos beneficia ou prejudica?

M.

Não tendo o canal, vou tentar seguir online. Logo a seguir às 10 horas uma peça sobre o maior insucesso escolar dos rapazes, com explicações mais do que datadas. Como se o diferencial positivo das raparigas fosse uma novidade fresquinha e não um fenómeno com muitos anos e mesmo décadas.

A seguir um apanhado da discussão hoje na Comissão de Educação sobre o reordenamento escolar.

The Evidence on Class Size

Class Size Research Project

The Classe Size Debate

O dilema, Reb, é… apagar ou não apagar a vela?

Recebi ao fim da tarde de ontem os resultados das provas de aferição realizadas na minha escola, me particular as de LP.

Depois de ter oscilado muito entre as previsões no início do ano e no rescaldo da realização da prova, sou obrigado a admitir que os resultados ficaram abaixo das minhas expectativas, apesar de serem todos alunos de PCA.

Em 14 alunos, apenas 8 atingiram classificação positiva, o que significa um valor de 57% de sucesso. Faltou uma aluna – logo por azar a melhor desta colheita – mas mesmo que tivesse tido um C ou B, o valor final só subiria para 60%. Muito abaixo daquilo a que tenho estado habituado.

Eu sei que para turmas PCA – turmas com currículo e programas adaptados e menos uma aula semanal de LP – os resultados nem são maus, mas confesso que esperava melhor.

Já em termos globais, a partir da amostra da minha escola, os resultados devem descer este ano. Em particular a qualidade do sucesso (com destaque para classificações de A – Excelente) sofreu uma quebra abrupta.

Uma das razões para isso já eu adiantara por ocasião da discussão em torno da antecipação da prova (e afinal os resultados surgiram apenas um ou dois dias antes do que era habitual). Uma outra passa pelo facto de, pela primeira vez, a correcção ortográfica ter pesado na classificação de algumas questões. Pouco, mas… e o conhecimento explícito da língua também teve um peso ligeiramente superior ao habitual…

Claro que a culpa não é apenas externa. Por mim o digo. Este ano foi de ressaca, de quebra evidente da energia. Sempre disse que a luta dos professores não prejudicaria o trabalho dos alunos e o desempenho destes. Não sei se diga o mesmo do desânimo e desilusão…

Há que repensar muita coisa. Há que repensar até que ponto vale a pena ter esperança ao ponto do desânimo ser maior do que quando não esperamos grande coisa.

Sobre o exame do 12º ano. Dizem que está de acordo com o programa e está bem feito. Conteste ou apoie quem de direito. A mim garantem-me que o Camões não faz parte do programa. A APP diz que sim e que foi objecto de análise nas aulas. Quem desempata?

(tenho uma suspeita, mesquinha, sobre parte da responsabilidade pelo exame…)

olá a todos

Tentando conciliar uma ética de responsabilidade e uma educação para cidadania com os problemas do progresso científico e tecnológico dos nossos dias, sugeri aos alunos que, em grupo, trabalhassem um Problema sob a forma de blogue.  Deixo-vos alguns dos que me parecem mais interessantes …

podem comentar e divulgar :))

um beijo e bom domingo [pois… é melhor deixar boa semana]

marta costa

11º A

http://www.stopoverty.webs.com/ – sobre pobreza e exclusão social (MUITO BOM)

http://pastilhog.blogspot.com/ sobre o péssimo hábito de atirar as pastilhas para o chão (original,  com um video hilariante realizado pelos alunos e com proposta uma  surpreendente)

http://ambienteinformatico.webs.com/ sobre a informática e o ambiente (BOM)

11º B

http://slowmovement11b.blogspot.com/ tema muito interessante desconhecido de muitos  (BOM)

http://www.naoplasticoogspot.com/ alerta para a redução do uso dos sacos de plástico ( importante pelo tema que é )

11º H

http://h2o-sos.blogspot.com/ escassez da água potável

http://www.afirmaatuaposicao.blogspot.com/ sobre o parque da cidade ( MUITO INTERESSANTE é sobre a nossa cidade)

http://mudardeatitude.blogspot.com/ desenvolvimento sustentável (Muito Bom, muita informação muita preocupação )

Excelentíssimos Senhores,

Ontem, dia dia 14 de Junho de 2010 foi levada a cabo, em frente à EB1 Hélia Correia, a prevista acção de sensibilização para as condições de trabalho dos profissionais responsáveis pelas Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC) no Concelho de Mafra, mais concretamente no Agrupamento de Escolas de Mafra. Esta acção, cujo aviso se fez acompanhar de uma carta aberta dirigida às instâncias com responsabilidade na sua implementação, assumiu como principal objectivo a intervenção na realidade local embora não esquecendo – e assinalando! – a precariedade que afecta globalmente todos os profissionais destas actividades por todo o país.

Como relativamente ao ano lectivo 2010/2011 ainda não foi definida qualquer directriz ou assumida qualquer responsabilidade por parte das entidades responsáveis, estes profissionais quiseram mostrar que estão atentos e que estão a lutar para a obtenção de condições de trabalho dignas, lembrando que este é o momento certo para as decisões adequadas e convenientes serem tomadas.

A acção de sensibilização decorreu dentro da maior responsabilidade e tranquilidade tendo atingido uma considerável moldura humana por volta das 9 da manhã, momento de maior afluência por parte dos pais que iam deixar os seus filhos à escola. Contudo, o seu impacto também deverá ser medido na presença e contacto directo por diversos meios de comunicação social local e nacional.

Com o auxilio da plataforma “Precários Inflexíveis” que se solidarizou com este grupo de profissionais, foi ainda colocada uma faixa alusiva às exigências futuras desta classe docente (contrato e direitos).

Nesta acção, mais do que a crítica ao que de mal tem sido feito no municipio (cuja responsabilidade é da Câmara Municipal de Mafra, mas também do Colégio Miramar como entidade até agora mediadora na “contratação” dos docentes), foram exigidas responsabilidades em relação à necessária melhoria nos procedimentos futuros, nomeadamente o fim da utilização de falsos recibos verdes e a realização de um contrato de trabalho para estes profissionais. Os professores presentes contactaram directamente com os pais, distribuiram panfletos elaborados para o efeito e ainda explicaram a todos os cidadãos interessados o quão precária é, também em Mafra, a situação destes profissionais que asseguram a denominada Escola a Tempo Inteiro (ainda que “à hora”). Desta feita, foi ainda lembrado que no próximo dia 18 de Junho estes profissionais irão para o desemprego sem possibilidade de recurso ao subsídio respectivo devido ao facto de estarem sob o regime de utilização dos falsos recibos verdes.

Perante este panorama, os profissionais das AEC mostraram que lutam pelos seus direitos. Mostraram que têm voz e que esta tem de ser ouvida. E afirmaram esperar que este dia possa representar um ponto de inflexão no futuro do seu exercício profissional.

Em anexo enviamo-vos duas fotografias da acção assim como o pequeno filme realizado pela plataforma dos Precários Inflexíveis e que está disponível no youtube (http://www.youtube.com/watch?v=NphzriPvL5M&feature=player_embedded). Agradecemos também que sigam o blog http/aecsdagrandelisboa.blogspot.com.

Gratos pela atenção obtida da vossa parte.

Os Profs das AECs do Agrupamento de Escolas de Mafra

Agradecendo a referência ao António Ferrão:

How important are school gadgets?

Some educators wonder how much high-tech tools raise achievement.

Nem a propósito, porque hoje levei um belo naco de tempo a discutir com um colega meu o que é mais importante desenvolver primeiro ou com maior cuidado na infância : as competências básicas tradicionais ou as novas compet~encias tecnológicas.

Ou simplificando de forma redutora: primeiro a tabuada ou o software?

Eu acho que a explicação humana é mais importante do que usar um programa em que a criança, quando erra, tem hipóteses de tentar até acertar, sem perceber a origem do erro.

O meu colega acha que a capacidade de lidar com um computador, dominar o uso do rato e a capacidade de explorar um programa pode anteceder as aprendizagens tradicionais com ganhos.

Discordámos a 120% um do outro, mesmo se o mais certo é só discordarmos a 20%.

O do 9º ano parece-me sofisticado ao nível da escolha dos textos (em especial um poema de Nuno Júdice a puxar muito ao simbolismo), mesmo se depois o questionário – salvo excepções – faz os possíveis por pedir respostas objectivas para maior facilidade de classificação.

Já o do 12º ano acho-o comparativamente fácil, em especial para quem tivesse História no Secundário. Aliás, tem perguntas (em especial no grupo II) claramente ao nível de um 9º ano.

A velhinha e a cabaça

Era uma vez uma velhinha que vivia sozinha numa pequena casa junto a um bosque onde ela gostava muito de passear.
Um dia quando ia para o casamento da sua filha teve que atravessar todo o bosque a pé.
Ia ela a apreciar o passeio quando encontrou uma raposa, que lhe disse:
– Vou-te comer, velhinha.
– Não faças isso agora – respondeu a velhinha – é que eu vou ao casamento da minha filha, quando voltar venho mais gordinha.
E a raposa deixou-a continuar o seu caminho.
Um pouco mais à frente encontrou um grande lobo.
– Não passas aqui sem que eu te coma – disse o lobo.
A velhinha respondeu:
– Agora não, eu vou ao casamento da minha filha e vou voltar mais gordinha.
E o lobo também a deixou ir embora.
No casamento da filha a velhinha divertiu-se muito e comeu muito também.
Quando já estava para ir embora e voltar para casa, lembrou-se do lobo e da raposa que estavam à espera dela. Então contou a história à filha e ficaram as duas a pensar numa forma para a velhinha voltar para casa sem ser vista.
Foram então à procura de alguma coisa onde a velhinha se pudesse esconder, experimentaram vários objectos, panelas, barris, e então encontraram uma grande cabaça onde ela cabia e conseguia espreitar para poder ver.
No caminho de volta para casa a velhinha ia rodando a cabaça.
Quando passou pelo lobo ele perguntou:
– Viste por aí uma velhinha?
– Nem velhinha nem velhão, roda cabacinha, roda cabação – respondeu-lhe a velhinha.
E continuou o seu caminho escondida dentro da cabaça.
Já ia um pouco mais descansada por ter conseguido enganar o lobo, quando a raposa se pôs no seu caminho.
– Viste por aí uma velhinha? – perguntou-lhe a raposa.
A velhinha respondeu:
– Nem velhinha nem velhão, roda cabacinha, roda cabação.
Pouco depois chegou a casa em segurança, bateu com a cabaça numa grande pedra que estava perto da porta e saiu de lá de dentro.
A velhinha continuou a dar os seus passeios, mas noutro sítio do bosque para não se cruzar novamente com o lobo e a raposa e eles ainda hoje continuam à espera que a velhinha volte do casamento da filha.

Tal como com a avgaliação na graduação para concurso, o ME tem do seu lado a lei aprovada e não revogada, assim como zero compromissos assumidos oficialmente.

Professores: entradas no quadro ameaçadas pela crise

… o exame do 9º ano de Língua Portuguesa. Ainda não o espreitei. Andei a ensacar oregãos, chá-príncipe, alecrim erva de caril e outros cheiros e especiarias para a feira renascentista de 6ª feira. Ganhei um inusitado aroma nas mãos que me faz ansiar por uma travessa de caracóis ao final da tarde. Não houvesse mais uma sessão de formação (informal, não creditada) sobre os novos programas de Língua Portuguesa.

Enfim…

>>> [aqui] <<<

Caro Paulo

Há alguns anos que sigo o seu blog de tal forma que sinto que o conheço. Foi fundamental num dos momentos mais complexos das nossas vidas profissionais e nos seus posts, bem como nos contributos de outros como nós, encontrei alento para um quotidiano que se arrastava de tão pesado. Talvez por temperamento nunca “postei”… talvez seja mesmo por comodismo… mas sempre assumi uma mais postura introspectiva nas longas horas que dedico ao meu cachimbo. Ainda não consigo escrever de forma aberta mas queria deixar-lhe uma preocupação que penso estar algo arredada do seu constante poder de análise e sentido critico.

Hoje está a ser levada a cabo – ou talvez tentada – uma das maiores operações de expurgo político na educação de que tenho memória. Veio a publico a morte mãos do que anunciada das escolas do primeiro ciclo com menos de 20 alunos. Na verdade a maior parte destas escolas fechariam naturalmente, mesmo a pedido das autarquias ou das populações. Esta estratégia, que está a resultar de forma brilhante, escamoteia a verdadeira intenção daqueles que não pensam na escola.

A criação dos mega agrupamentos, sob pretextos vazios como o alargamento da escolaridade obrigatória está a provocar um rodopio de reuniões, um pouco por todo o país, de afinações. Pelo meio são feitas alianças e assumidas traições, numa dança ditada pelas notas de um partido em agonia.

Não se trata tão somente da luta desesperada pelo poder por parte daqueles que se vêem dispensados com um telefonema numa acto puro de exercício de poder.

A minha preocupação prende-se com aspectos muito simples e que vão afectar a nossa vida. A política partidária já entrou na escola ao sabor de uma eleição em muitos casos manipulada por forças locais.

Neste momento assiste-se a um holocausto de projectos educativos, a uma limpeza político-étnica de directores de escolas que se manifestaram contra a tutela, a uma diminuição considerável de lugares para professores contratados, ao ostracismo de todos os princípios pedagógicos em prol de valores economicistas e, muito mais silenciado, vamos assistir ao despedaçar definitivo das carreiras dos assistentes técnicos que vão sobrar…

Se considerar que este pode ser um contributo que queira partilhar no Umbigo, esteja à vontade. Certamente que será uma sensação estranha ler o que penso…

Obrigado por dar vida ao Umbigo!

Até sempre,

Manuel Bastos

Professor NUNCA Titular de uma (ainda) escola acima do rio Douro

Amadora, 1978 (ed. original de 1976)