E chegamos a uma acta crítica: a de 9 de Abril, a da reunião de onde a Fenprof saiu dizendo que o ME concordara com tudo e mais alguma coisa e que estavam muito felizes com tudo e mais outras coisas. Era o dia em que tinha saído o Aviso de Abertura.

Vou apenas seleccionar dois trechos para vermos até que ponto, a serem estas actas o reflexo vero e rigoroso do que se passou na reunião (vamos lá duvidar de uma acta oficial e feita em tempo quase recorde atendendo ás anteriores!), o ME concordou com tudo e mais alguma coisa para o próximo ciclo de avaliação, como então foi dito e propalado para acalmar o pessoal.

Eis a resposta ao primeiro lote de preocupações da Fenprof:

Uma mão cheia de nada, como se pode ver.

Agora sobre a magna questão das regras do concurso aberto nesse dia, apreciemos o diálogo:

Ou seja, a lei está em vigor e o concurso lançado. É necessária uma decisão política nas palavras da Fenprof que, de forma compreensível, já sabe que no plano legal pouco ou nada há a fazer que não seja para consumo mediático e para não perder a face. É, de acordo com a acta, a Fenprof, pela voz do seu secretário-geral, que evoca a necessidade de uma decisão política, três meses depois de um acordo que nada deixou acautelado para além do próprio ECD e de uma pseudo-nova ADD.

O secretário de Estado agradece, como sempre, e afirma não haver decisão política.

(e aqui percebe-se claramente que se ambos falam nisto é porque antes algo terá sido aflorado, mas não em acta…)

E afirma que a decisão teria de ser tomada no «êmbito do quadro legal», o que na prática significa que nada há a fazer.

A decisão política não fora tomada e já se sabia que não seria porque essa decisão – como outras – sempre dependeu do PM e da equipa das Finanças.

A equipa do ME funcionou como testa de ferro e engodo, aparentemente de forma não maliciosa (vamos acreditar que alguém foi levado a crer que era mais do que um secretário destacado para ouvir os sindicatos e levar as propostas algures, a alguém), nunca tendo a capacidade de se comprometer de forma explícita com nada que pudesse ser traduzido nestas actas.

Ou seja, mesmo que algo possa ter sido falado, a escrita quase asséptica destas actas deixa a Fenprof sem nada de objectivo a que se possa agarrar porque o que lhe foi sempre dito é que agradeciam muito e iam reflectir e ponderar sobre isso, mas que…

Qualquer outra leitura do tipo aceitaram tudo o que exigimos é (foi!!!) puro foguetório para ficar no retrato.

Só que se percebe que o retrato está a ficar borrado e a tese da má-fé negocial tem poucas pernas para andar…