Artigo de Clara Viana a ler com a máxima atenção:

Chumbos estão a diminuir devido a limpeza nas estatísticas

Os alunos com mais dificuldades deixaram de entrar nas contas do ensino regular, onde estão incluídas as taxas de retenção.

Isto é demasiado grave para merecer mais do que olhares displiscentes ou comentários passageiros.

Já o disse e repito, até pela experiência de ter consultado as estatísticas educacionais portuguesas desde que existem: estamos quase sempre a mudar critérios na recolha e tratamento dos dados. É quase impossível encontrar – excepção feita a um período em meados do século XX, o que não deixa de ser curioso – períodos longos com critérios uniformes que permitam traçar tendências consistentes.

Só que nos últimos 20 anos estas alterações de critérios têm sido sempre no mesmo sentido: ou baralhar as categorias de análise ou demonstrar um sucesso a todo o custo para legitimar políticas erradas.

Tudo com o beneplácito do Centrão que tem governado a Educação, com a conivência da muita Esquerda demasiado bem-pensante que também está instalada nos meandros do ME, e com uma ausência de crítica clara por parte de especialistas (muito dependentes dos apoios institucionais para os seus estudos) e da comunicação social que só nos últimos anos despertou verdadeiramente para estes temas.

Porque não é honesto dispensar dos exames (caso dos CEF no 9º ano) exactamente os alunos que apresentariam mais dificuldades nesses mesmos exames e depois argumentar que os resultados subiram.