Quinta-feira, 10 de Junho, 2010


Snow Patrol, You’re All I Have

A ler na Visão desta semana. A quele destaque sobre o Inglês Técnico tem água no bico…

Há quem diga que o modelo de avaliação do desempenho docente não está em prática sem ser para os docentes contratados. permito-me discordar por saber que em diversas escolas (calcular o número é um exercício espúrio) sob o manto da apreciação intercalar a ADD está a ser implementada.

O problema é que muitas gente tem receio de colocar cá fora os documentos que o demonstram.

Em seguida ficam dois documentos que mostram como numa escola a apreciação intercalar dificilmente se distingue da ADD normal e que afinal há objectivos individuais e tudo, apresentando-se prazos que parecem ignorar a data específica em que cada docente deve ser apreciado. Que o ME e os sindicatos concordem em dizer que não é assim é que me parece estranho. Ou pecam por desconhecimento.

Talvez por isso eu gostaria de saber se há mais alguém que tenha manuais e calendarizações destas que me posa enviar.

Anexos: Manual_ADD-1, Calendarizacao_Professores_290

Excelentíssimos Senhores,

Somos um grupo de profissionais responsáveis pelas Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC) no Agrupamento de Escolas de Mafra e vimos por intermédio da carta aberta anexada informa-los da acção de sensibilização que levaremos a cabo na próxima segunda-feira dia 14 de Junho entre as 8:30 e as 11 da manhã em frente à EB1 Hélia Correia em Mafra.

A referida acção pretende alertar para a necessidade de uma intervenção efectiva por parte das instâncias responsáveis com vista à futura melhoria das condições laborais de profunda precariedade a que a nossa classe docente tem estado sujeita.

Como referido, em anexo segue o nosso manifesto o qual, sendo uma carta aberta, foi também enviado a todos os interessados e implicados na organização destas actividades.

Agradecemos o Vosso acompanhamento desta acção e desta problemática.

Um grupo de profissionais das AEC do Agrupamento de Escolas de Mafra


Anexo: Manifesto profs AEC Mafra.

FUNCIONÁRIOS-TIPO DE  EMPRESAS ESTATAIS

I – OS ACÁCIOS

Os Acácios não gostam de dar graxa, nem serem escovados. Não elogiam, nem esperam ser elogiados; não roubam as ideias dos outros. Se alguém precisa de ajuda, lá vem um Acácio, sorridente, ajudar. Os Acácios parecem surgir do nada, logo que é necessário. Os Acácios ajudam e não cobram depois. E gostam de ser anónimos; têm um trabalho pouco  interessante, mas não se importam, pois não estão à espera de  um cargo ou função de destaque.

Nos dias em que a empresa faz uma festa para o pessoal, lá está o Acácio à volta do grelhador a fazer o churrasco. Se quer alguém para ajudar, chame um Acácio. Ele vai ajudá-lo e estará consigo o tempo que for necessário. Há quem ache os Acácios uns tipos insignificantes que deixam que os outros se aproveitem do seu trabalho e esforço. Há mesmo quem os aconselhe a serem menos totós. Mas os Acácios não ligam. Continuam firmes, no seu local de trabalho, sem se deixarem distrair com coisas, para eles, de “lana caprina”.

Os Acácios quase nunca faltam ao trabalho. Pensa-se que é porque em casa, não sabem o que hão-de fazer. Cá fora aborrecem-se. Não gostam de ler, nem jogar. Só gostam de trabalhar. E o seu serviço está sempre em dia.

Os  Acácios são  tímidos. Se a sua mulher trabalhar com um Acácio, pode estar descansado que não haverá qualquer assédio da parte dele. É que os Acácios reprimem os desejos mais íntimos , concentrando-se, apenas e só, no  trabalho.

Há, infelizmente, muito poucos Acácios em Portugal, por isso é que o país está como está.

Mas os “não Acácios” até têm razão: se fossem todos Acácios, talvez eles também o fossem, sem problema nenhum.

Se um Acácio for professor pode estar certo que raramente faltará à escola; ajuda os colegas até à exaustão; corrige os testes a tempo e horas; e se lhe perguntam se ganha bem, para o trabalho que faz, ele responde que sim. Porque não se compara com mais ninguém.

II. OS ARMANDOJOSÉS

Os ArmandoJosés são como as varas de marmeleiro: vergam pra todos os lados, especialmente para aquele que lhes dá mais jeito; e  nunca partem!

São muito hábeis na arte da escova. Mas também adoram ser engraxados, mesmo não tendo nada digno de lustro; e se ninguém os elogiar, eles auto-elogiam-se à farta. Ou então, compram quem lhes venda algum elogio.

Os ArmandoJosés estão sempre a roubar as ideias dos outros, jurando a pés juntos que são deles próprios. Se alguém precisa de ajuda, um ArmandoJosé está-se nas tintas; ou então diz-lhe que sim, mas só para a semana que vem… Só que, passa toda a semana, e não aparece. Depois, esquiva-se da pessoa a quem devia ajudar, ou diz que esteve doente…

Quando é necessário para alguma coisa, um ArmandoJosé nunca aparece; quando não faz falta nenhuma, é uma grande carraça.

Para um ArmandoJosé nenhum trabalho é interessante, se não combinar três características fundamentais: muita retribuição, pouco suor, e bastante destaque.

Quando a empresa, onde trabalha, faz uma festa, Armando José chega tarde, traz uma dúzia de amigos , e está sempre a esticar o prato e o copo.

Há quem lhe mande piadas por ser assim, parasita, mas ele não se incomoda, e faz de conta que não é nada com ele.

Um ArmandoJosé não tem horário pra trabalhar. E às vezes fica até às tantas da noite no seu gabinete, com a luz acesa; mas em geral está a dormir, ou a namorar.  Nunca tem o serviço em dia, porque está sempre à espera que algum “Acácio” lho faça.

Os ArmandoJosés são uns fala-barato cheios de lata. Se a sua esposa, ou namorada,  tiver o azar de ser funcionária na empresa de um ArmandoJosé, abra bem esses olhos! Os safados gostam de assediar. E não descansam enquanto  não levam nega da presa. Em termos de sexo os tipos são uns labregos.

Infelizmente, há cada vez mais ArmandoJosés, em Portugal. Por isso o país está como está.

Os ArmandoJosés adoravam que houvesse muitos Acácios. Nisso são como certos heterossexuais quando dizem: “ Ainda bem que há muitos homossexuais, porque as mulheres que seriam pra eles,  sobram  para nós”.

Não há ArmandoJosés na classe dos professores. São quase todos Acácios. E os que não são, coitados, ainda sofrem mais que os Acácios, porque não são uma coisa nem outra. Ou seja, não contam  na sociedade pra coisa nenhuma.

Cunha Ribeiro

Os partidos políticos sobre encerramento de escolas do 1º ciclo

Por vários locais. Há dias que hesito em divulgar um documento que me chegou de uma escola aqui do deserto, cheio de detalhes sobre a sua vida interna, nomes, etc. Penso que foi encaminhado para a IGE, pelo que continuo a não achar a melhor das ideias colocá-lo aqui, até poque já boa parte foi colocada num comentário.

Entretanto, também a partir de Seia me prometem novidades, talvez ainda para hoje.

O ano lectivo aproxima-se do fim, mas a insanidade parece ter tomado conta – ou continuado a dominar – certas mentes e grupos feudais nas escolas.

O legado de Maria de Lurdes Rodrigues – que parece ensaiar um certo regresso à ribalta a partir da FLAD como se vê esta esta semana na Visão – deixou cicatrizes e disfunções demasiado fundas e já se percebeu que, no essencial, nada mudou ou mudará. Apenas fomos adormecidos e agora parece-me tarde para tocar a rebate. Talvez com muito trabalhinho e menos remoques contra quem avisou…

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