Domingo, 6 de Junho, 2010


Beastie Boys, Sabotage

Espero, para saber mais, se a Fenprof está para Romanos ou para Gregos.

Para mim, nem cá, nem lá, agora até lhe deu para, também, reordenar a rede escolar, mimetismo.

Era criminoso para o nosso sistema público de ensino não ter feito nada para encerrar as escolas com menos de 20 alunos [e] é por isso que vamos continuar com esse esforço

 Chegam à escola já vindos de um recreio forçado, aparecem eléctricos na primeira aula, algo que irá ser reforçado no primeiro intervalo.  Mas o Ministério tem, em cada autocarro, um assessor de autocarros que toma notas.

Tanto que ao almoço não haverá filas disfuncionais, os grandes nunca deixarão os pequenos para últimos, a não ser que valha a pena bater mais.

A volta a casa será única todos os dias, é sabido aonde estarão as vítimas. E nós sabemos o quanto as crianças conseguem ser cruéis, apenas enquanto crianças; levadas sim, serão o que o sr. Sócrates pretende, o caos comunista.

Mas voltemos aos autocarros que levarão o futuro deste país à escola:

– Serão veículos devidamente seguros ou aqueles das autarquias?

– Haverá acompanhamento, além do do motorista da “cambra”?

– A Escola Segura estará em qualquer “paragem”?

Em suma, quem pagará pelo fiasco e pela dor, um tal de Sócrates que nunca cumpriu? Com nada, coisa nenhuma.

Desde logo um esclarecimento: este não é um texto motivado por um ou dois casos particulares, de maior ou menor proximidade. É o resultado de uma acumulação de situações que vou observando desde 2005.

O da enorme desconvergência entre princípios proclamados e as práticas desenvolvidas. Em especial por parte das diversas tendências (porque há mais de uma, embora com certas convergências geracionais) de puros, de fundamentalistas e mestres da luta. Daqueles que criticam a apatia dos outros, a falta de combatividade mas, perante as asperezas do quotidiano, se remetem ao conforto das traseiras, que não das trincheiras.

Que se esclareça: não critico nenhum(a) colega que tenha fugido do manicómio em que se vai tornando mais e mais o sistema público de ensino, gente que foi atropelada por mudanças, após anos e anos de dedicação e trabalho. Gente que está nos limites e que parte porque se sente injustiçada e sabe quem já não conseguiria dar o melhor de si, de cansaço e desmotivação.

Nem critico quem, mesmo estando fora, assume de forma clara a permanência do seu activismo, que incita à dita luta, que faz propostas, que mantém o seu interesse e militância.

O que eu critico é a hipocrisia daqueles que, tendo aproveitado a primeira oportunidade para voar para o remanso, criticam, com uma postura de superioridade moral burilada em horas de esplanada, a forma como os outros permanecem e fazem o seu trabalho e desenvolvem a sua actividade, em particular a relacionada com a sua participação cívica ou política.

O que eu critico é a incoerência daqueles que criticam quem não vai a todas as vigílias ou manifestações, acusando os traidores de elitismo e de não se quererem misturar como povo, quando esses grandes lutadores abandonam logo que podem, ou o ardor começa a queimar mais, a primeira linha da luta que é a escola, não a rua.

Sentindo-me eu geneticamente de Esquerda, mas não conseguindo enquadrar-me em colectivos que desresponsabilizam e dão força e segurança a indivíduos que de outra forma nada fariam por si mesmos, sinto um enorme desgosto quando vejo esses auto-proclamados lutadores da primeira hora, sempre recobertos de medalhas de batalhas (em forma de autocolantes e cartazes das presenças nos eventos), demonstrarem que é mais fácil fazer a revolução e teorizar sobre os outros, libertando-se do fardo do trabalho diário em idade mais do que útil.

Mas eu esclareço, de novo: não lhes critico a esperteza, o chico-espertismo à moda nacional, o calculismo, a auto-defesa. São portugueses no seu melhor: cheios de bravata enquanto a coisa não mói. Enquanto é festa. Enquanto se sentem heróis. Enquanto são eles os faróis. Enquanto se sentem fortes com a maioria. Enquanto, na mesa do café, debitam fórmulas aprendidas em décadas passadas e que julgam imorredoiras.

O que critico mesmo é – à moda dos bons generais da grande guerra de 14-18 – esses enormes vultos da verticalidade cívica mandarem para as trincheiras e para as investidas em terreno aberto, sem lhes explicar os riscos ou os informarem de toda a verdade, aqueles que não abandonaram a docência quando as coisas apertaram a sério.

Não estou aqui a fazer ataques ao homem, à mulher ou às terceiras vias. Estou a criticar comportamentos. Daqueles que têm o direito de tratar da sua vidinha. Mas que ficam com a sua legitimidade um pouco limitada para apontarem o dedo (não é que não possam criticar, o que me desgosta é mesmo a postura de superioridade ética) aos que não se vão embora e se mantém por dentro, com esta ou aquela estratégia.

O verdadeiro revolucionário de sofá não é quem todos os dias enfrenta as dificuldades da docência e não vai a todas as manifs em forma de piloto automático.

O verdadeiro revolucionário de sofá é quem fica em casa a mandar os outros para as manifs, ofendendo quem deles discorda, e depois aparece nos momentos certos para acrescentar uma estrelinha à patente de general da luta.

O verdadeiro revolucionário de sofá não é quem se tenta informar, quem analisa as situações, que age de acordo com a sua consciência e a sua avaliação de cada situação, medindo prós e contras.

O verdadeiro revolucionário de sofá é aquele que, nada arriscando, manda os outros aplicarem as fórmulas que acha certas porque só soube usar essas em seu tempo, o tempo das conquistas, o passado glorioso que protagonizou, esquecendo-se que os tempos mudaram.

Recentemente, em sessão pública, assumi o meu estatuto de contestatário de cadeira algo desconfortável (não escrevo num sofá, não me dá jeito…), por achar que é isso que faço menos mal. Não o escondo. Mas respeito quem tem outras opções e as pratica. Quem não respeito é que, efectivamente no sofá ou a caminho dele, engrossa a multidão dos treinadores de bancada que adjectivam de forma soez quem tem a coragem de não voltar as costas ao mais difícil: o trabalho diário, não as manifestações por Lisboa ao fim de semana.

E custa-me que seja esta gente que, sem razões objectivas que não a esperteza e o comodismo pessoal, dê lições de moral e ética revolucionária. Que evoquem os chilenos, os gregos e todos aqueles que, fazendo muito estardalhaço mediático, objectivamente nada conseguiram com essas acções. Que subjugam a eficácia à coreografia. Que comentam de forma sobranceira que aposta em outros métodos.

Que, quando no activo, raramente aplicaram o que pregavam. Porque alguns ou eram são contra a avaliação (lembro-me de uma professora minha do último ano da Faculdade, daquelas cheias dos tais pergaminhos…) porque – há que dizê-lo com frontalidade – avaliar com seriedade dá trabalho, ocupa tempo e retira disponibilidade para congeminar a Eterna Revolução! Ou então pregam a igualdade entre todos os os docentes, mas ó faxavor, esse cadeirão é meu e os privilégios da antiguidade também.

Não falo dos que foram empurrados para uma situação de inactividade profissional e mantêm o seu activismo. Esses são aqueles que admiro.

Falo dos que voluntariamente saíram com pretextos variados, mas que agora se mostram muito ofendidos e incomodados com a falta de coerência alheia.

Ler certas coisas revolta o estômago. Ler autojustificações da treta, de quem está sempre disponível para um cargozinho ou uma comissãozinha que sirva – isso sim – para manter algum protagonismo e abastecer o ego, só não me deixa mais admirado ou incomodado, porque a vacina para essas atitudes foi-me dada há mais de 30-35 anos em casa, por quem me avisou contra os carreiristas da contestação, os oportunistas armados em heróis a posteriori, idealistas q.b. desde que o Estado lhes mantenha os ideias.

Verdade se diga que são coerentes: o Estado deve ser Pai e sendo Pai deve pagar a mesada a todos os tardo-adolescentes que estão cansados – eles sim – de andar no meio do Povo que tanto evocam.

Se estou algo anojado?

Claro que estou.

Mas passa-me.

Era tempo de uma posição clara…

Passos Coelho critica encerramento de escolas e questiona Governo sobre encerramento de institutos públicos

filhos de montessori

3 escolas EB1 são para fechar imediatamente. A EB1 da Junqueira tem sucesso, até ganhou o 3º prémio musical, mas mesmo assim o Governo e a Cãmara querem fechá-la

coisas que me deixam [inevitavelmente] preocupada

ENCERRAMENTO DE ESCOLAS

ENCERRAMENTO DAS ESCOLAS– 2

Flexibilidade só para baixo

Governo é criminoso ou tem o fecho aberto?!

Guigui persegue Manhouce

Pelo menos, cheira…

E lá dentro traz uma foto (chega um para iluminar toda a revista) da Padma Lakshmi.

… no interior deste país já sabemos, o seu ocaso é economicista (numa postagem mais adiante referirei porque é que, ao contrário do que o sr. Sócrates diz, também é criminosa).

Mas, em contraponto, nas urbes mais populosas isto ainda vai dar que falar em termos de negociatas de empreiteiros e políticos afins. Julgo que, sem querer ser adivinhador do costume, já estará tudo, ou quase tudo, tratado a bem de filhos e primos de algo.

Professores com dificuldades para acolher a diferença

O inquérito aos professores realizado no âmbito do projecto ‘Estado, Escola e Diversidade’, cujos resultados são apresentados na segunda-feira, em Lisboa, mostra que a escola está ainda pouco preparada para lidar com públicos diferentes, disse à agência lusa a investigadora Joana Lopes Martins, co-autora do estudo.

«Aquilo que nos parece é que em tudo aquilo que está fora de um público considerado standard não há condições na escola para garantir sucesso», afirmou, remetendo para as respostas dos professores.

Ide ler, ide, e verão o standard padrão.

How Children Learn to Survive in a Meritocracy

Professores não sabem identificar aluno com necessidades especiais

Depois de lido o texto – depreende-se que deveria ser: Professores são impedidos de identificar aluno com necessidades especiais.

Só que, primeiro, culpa-se imediatamente o professor, como se fosse ele o responsável. Ou existe má-fé… ou alguma dificuldade em ligar a notícia ao título da mesma.

[Craft Magazine]

[Make Magazine]

Mesmo entre as hostes alegristas:

Câmara de Resende fecha mais dez escolas

O presidente da Câmara de Resende anunciou hoje, sábado, o encerramento de mais dez escolas do ensino básico no concelho, passando os cerca de 400 alunos a frequentar um novo centro escolar.

Trata-se de “um investimento de cerca de dois milhões de euros”, que se integra no reordenamento da rede escolar do concelho, que deverá ficar concluído em 2012, quando se prevê que todos os alunos estejam agrupados em três centros escolares, disse António Borges.

Em 2006, com a abertura do Centro Escolar de S. Martinho de Mouros, a autarquia encerrou 14 escolas. Com o centro escolar de Resende, encerrará mais dez, restando apenas mais quatro escolas, que irão integrar o terceiro equipamento a construir em S. Cipriano.

O novo centro escolar, que abrirá portas em Resende no início do próximo ano letivo, inclui 21 salas de aulas, todas com quadros interativos e outros equipamentos considerados “essenciais ao bom funcionamento de uma escola”, sustentou o autarca.

O acordo entre a Câmara de Resende e o Ministério da Educação, através da Direcção Regional de Educação do Norte relativo ao encerramento das dez escolas, será assinado na próxima semana.

Um imaginário feminino menos agressivo mas, ao mesmo tempo, mais vago. Ou não…

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Imaginemos que um professor faz a ligação Língua Portuguesa-TIC e depois da abordagem teórica à banda desenhada com resultados muito sofríveis a nível da aplicação prática em suporte papel, decide propor a realização de bandas desenhadas digitais a uma turma de 5º ano.

Que a estratégia é directiva no objectivo – apresentar a bd ao fim dos primeiros 45 minutos do bloco com recurso ao Stripgenerator – mas não-directiva ao nível do conteúdo a apresentar – apoiar a parte técnica sempre que solicitado, mas sem exercer filtragem dos guiões.

Os resultados podem ser, por exemplo, como estes no sector masculino da turma:

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Já ouvimos desde há demasiado tempo estas fórmulas mágicas (ninguém leu o que se escreveu, em cada época, sobre a maravilhosa arquitectura de outras campanhas deste tipo?) para acreditarmos que são os meios técnicos que podem mudar algo que, na sua essência mais profunda e radical, só os meios humanos podem verdadeiramente transformar.

Entretanto, sempre serve para acreditarmos que o futuro está aí e que são as paredes físicas que atrapalham a liberdade mental.

E para acreditarmos que a questão da dimensão e escala dos espaços e indivíduos em presença é indiferente para os métodos pedagógicos a aplicar.

As novas escolas querem mudar o ensino em Portugal

A sala de aula já não é o espaço mais importante da escola, acredita a Parque Escolar. A arquitectura poderá transformar o ensino?

Ainda hoje vou em busca de alguma bibliografia passada e entusiasmada acerca destas questões. Mas há umas revistas de Arquitectura de meados do século pasado que eu já nem sei onde andarão…

Atendendo às competências dos Conselhos Municipais de Educação (decreto-lei 7/2003 de 15 de Janeiro, artigo 4º), é de questionar:

Está prevista pelo ME uma consulta alargada aos CME de todo o país sobre este projecto de concentração da rede escolar?

Sinceramente, gostava de saber o que se passa a este nível. Ainda hoje seguirá mail meu com proposta de adenda à ordem de trabalhos do CME a que pertenço, visando a inclusão deste tema.

É conhecida a minha reserva em relação à municipalização dos serviços educativos num país com a dimensão do nosso mas, em havendo estas instituições com atribuições tão ricas e diversificadas, seria bom perceber se servem para alguma coisa.

Até por o projecto de diploma sobre esta reconfiguração da rede escolar não contempla qualquer tipo de consulta deste tipo antes da sua publicação.

E já agora uma segunda dúvida:

Estão as autarquias, até por iniciativa da ANMP, disponíveis para que a posição a levar para as negociações com o ME seja o resultado de uma consulta aos respectivos Conselhos Municipais de Educação? Ou apenas serão posições com origem na elite política no poder local e a sociedade civil que coiso e tal?

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