Eu sei que há muitos autarcas que não alinham pelo oportunismo e que estão seriamente preocupados com a manutenção de uma rede escolar que sirva as populações e não apenas as contas da mercearia orçamental. Que traçam prioridades. Na rádio hoje ouvi alguns casos em que justamente se destacava que isto é feito por anunciada lei cega e não negociada, quando tanto se fala da necessidade de territorializar a Educação.

Mas a verdade é que na situação de aperto actual, há muita autarquia a quem esta medida interessa sobremaneira, em especial se vier com bónus para os transportes escolares porque há economias evidentes com o fecho de escolas:

  • Desde logo os custos de manutenção (electricidade, água, net, funcionários), que assim se reduzem muito e compensam largamente os gastos com os transportes.
  • E depois os custos acrescidos com as AEC, que com o desaparecimento destas escolas incómodas permitem recrutar muito menos gente e diminuir os tais ratios que afligem tanto os economistas de algibeira com dados recolhidos no site da OCDE.

Por isso acho que a ANMP só fará uma oposição consequente a esta investida do Governo se forem activos e articulados todos aqueles autarcas que percebam que esta medida será brutalmente penalizadora para muitas terras do interior onde a custo as escolas chegaram quando – todos o dizem – Portugal era ainda mais pobre do que é.