Quarta-feira, 26 de Maio, 2010


Neil Young, Like A Hurricane

Soares diz que não apoia Alegre por uma questão de «consciência»

Acalmem-se aqueles que querem ler já se vou ou deixo de ir à manifestação. Sou apenas um, não faço grande diferença e ao contrário do que afirmam, não tenho nenhuma noção desproporcionada da minha importância neste contexto.

Apenas gostaria que, em vez de quererem de nós adesões acríticas e debaixo de uma espécie de chantagem moral ou ética, se pensassem as coisas para além das reacções epidérmicas.

Dou dois exemplos:

  • Como entusiasmar uma classe que, no rescaldo de manifestações históricas, ganhou um entendimento e um acordo e indicações, nem sempre obscuras, de regresso aos quartéis?
  • Até que ponto uma manifestação geral de, digamos assim, 200.ooo pessoas, tem mais impacto do que 3, 4 ou 5 sectoriais com 50.000. 60.000 ou 70.000?

Estas duas questões estão bastante ligadas na forma como a manifestação do próximo dia 29 foi amadurecida. Não estou a contestar a justiça ou justeza dos motivos de revolta, de reivindicação, de indignação, de protesto. O que está em causa é o processo que levou à convocação desta manifestação e a necessidade de repensar as formas de definir formas de luta, algo que está bem presente nas palavras do próprio líder da CGTP, Carvalho da Silva, hoje,  à TSF:

O medo em relação ao que está para vir é razão suficiente para que os portugueses saiam à rua no próximo sábado, defendeu Carvalho da Silva que foi, no entanto, menos claro quando questionado sobre uma possível greve geral.

«Se me perguntar se aquilo que estamos a viver na sociedade portuguesa, do ponto de vista de limitações, de sofrimento para os portugueses, significa uma situação muito dolorosa, eu dir-lhe-ei que significa – é talvez a situação mais grave que nós temos depois do 25 de Abril», afirmou.

«Agora, nós vivemos num contexto concreto, em que as formas de expressão também têm as suas evoluções, em que as lutas têm enquadramentos diferentes do que tinham há cinco, há dez anos ou há quinze anos», concluiu o secretário-geral da CGTP.

Esta forma de encarar, com realismo e lucidez, o que se passa está muito distante de alguns agentes básicos no terreno que preferem a adesão acrítica de 10 do que a adesão consciente de 15.

Eu percebo que para diversas forças sociais e políticas, esta manifestação é uma prova de vida, um marcar de posição. Quase um imperativo de acordo com a sua forma de ver o mundo e as movimentações sociais.

Só que o devir histórico transforma, por vezes de forma bem rápida, as condições em que as massas e os indivíduos vivem,  como percepcionam o mundo e como são mobilizáveis para as lutas de que alguns acham ter achado a fórmula mágica e indesmentível há mais de 100 anos.

A clausura ideológica que motiva uma linearidade metodológica de estímulo/reacção nestas matérias não é a solução, muito menos a permanente postura de superioridade ética e moral para com aqueles que não concordam a 100% (ou 80% ou 50%) com os seus postulados científicos, como se os homens pudessem ser reduzidos a átomos e os seus actos a mecanismos regulados por leis deterministas.

No actual momento, de um mundo em veloz mutação (mesmo se em mais das três semanas do outro iluminado), é indispensável reflectir sobre novas formas de mobilizar e agir, não deixando nada de fora, mas também sem soluções únicas que sabemos ser de fiabilidade e eficácia apenas moderadas.

Prescindir de pensar sobre as coisas e aderir por reflexo condicionado ao rebate dos sinos não pode ser, muito menos agora, a solução. Esse já foi o método usado para diversos fracassos trágicos da Humanidade. Algumas vezes para inspiradores sucessos.

Há que saber distinguir os momentos e contextos, como diz Carvalho da Silva.

Quem não luta, dizem, não pode ganhar.

Mas quem diz que alguém tem o monopólio da definição de luta?

.

Nota final: Como o título explica este é apenas um primeiro post sobre o assunto. Existirá certamente mais um par deles sobre outros aspectos desta questão. Vale este o que vale e valerão os outros o que valerão, ou seja, apenas a minha opinião de revolucionário de sofá (ou cama, como numa música dos Oasis que ainda ouvi hoje). Os profissionais da luta, aqueles que ostentam pergaminhos, são livres para me desancar.

A pedido de várias famílias, e por estar em autoplay sem que eu possa desactivar a opção, cliquem aqui para ver..

Texto enviado para o MUP e aqui para o Umbigo, a propósito do post Letargia do Ilídio:

Nós, professores da Inês de Castro/Coimbra, não sofremos ainda de LETARGIA, mas o Sistema tem-nos mantido na mesma.

Com tanto discurso e medidas de contenção, não deveria o Min da Educação ter já interiorizado as intenções do próprio governo e ter começado a dar o exemplo, controlando, por exemplo, os impulsos de despesismo que têm vindo a ocorrer na forma de repetidas interposições de recursos relativamente a situações de medidas cautelares e outras causas entretanto “perdidas” em sede de Tribunais, em várias instâncias? Quando um cidadão comum não se pode atrever a defender, porque a única forma que lhe é permitida é através duma acção em Tribunal e se vê impelido a não o fazer por falta de recursos financeiros… quanto mais pensar sequer  em teimar e interpor recurso, mesmo que convictos de que não foi feita justiça!… É que aqui é o cidadão a adiantar dinheiro e no caso do ME quem o adianta, compulsivamente, somos nós todos! Pudera! Só por esta grande diferença não hesitam em o fazer, nem tão pouco parece, pensar duas vezes em voltar e voltar a recorrer, até ao um Supremo! Haja parcimónia, coerência de pensamento, discurso e actuação e, em conformidade, vontade para  rever  tomadas de posição anteriores, como no caso do Agrupamento de Escolas Inês de Castro em Coimbra.

isabel teixeira/coimbra

Parque Escolar: BEI disponibiliza 600 ME para financiar modernização de escolas

O Banco Europeu de Investimento (BEI) aprovou o pedido de 600 milhões de euros da Parque Escolar, empresa responsável pelo programa de modernização das escolas secundárias, destinado ao financiamento do projecto Modernização Parque Escolar II.

O objectivo é inquestionavelmente meritório. O que está em causa é o sistema em que depois tudo isto se desenvolve. A nata fica para alguns e os amendoins para o resto dos assalariados. As escolas ficam lindinhas de ver na inauguração e durante o tempo que demora a perceber que os materiais não são bem aqueles que…

Despesa com juros dava para pagar a todos os professores

IGCP emite hoje entre 500 a mil milhões de euros em OT.

O valor previsto para a despesa com juros deste ano seria o suficiente para pagar outra vez a todos os professores do país, e ainda sobravam 52 milhões de euros. As contas resultam das previsões do Governo e demonstram o quão importante é que o leilão de Obrigações do Tesouro agendado para as 10h30 de hoje corra bem.

O endividamento excessivo do Estado tem um preço. De acordo com o Programa de Estabilidade e Crescimento, o serviço da dívida portuguesa deverá custar 5.314 milhões de euros aos cofres do Estado, só este ano. Este valor já ultrapassa a verba que o Ministério da Educação tem para pagar a todos os professores e representa mais de metade do orçamento da Saúde.

A mim parece-me uma notícia em forma de vazio, com um título a modos que parvo.

Mas é só a minha opinião.

Não me multem.

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