Domingo, 23 de Maio, 2010


R.E.M., Electrolite

… pelo menos é o que me chega por duas fontes bem distintas. Há quem não queira escrever as coisas que não podiam ser escritas antes e agora muito menos, pelo que quem precisa que elas apareceçam escritas não pode assinar se elas lá não estiverem. Porque enfim. Bem me parecia que isto não podia acabar a contento de todos.

Amanhã talvez já possa dizer mais alguma coisa…

Descrição chegada por mail, com pedido de reserva da identidade do emissário.

Mais um daqueles casos a pedir-  certamente – a desculpabilização do agressor que, neste caso, terá do seu lado a ganga toda do discurso eduquês. Querem apostar? O que dirão os disto tanto um Daniel Oliveira, quanto um Daniel Sampaio que nas suas últimas crónicas na Pública regressa ao discurso que o marcou nos anos 90?

Pelo que se percebe será um caso a escapar às estatísticas do ME.

A situação foi a seguinte: o aluno agredido e o agressor desentenderam-se no intervalo mas afastaram-se um do outro. Em seguida, o agressor atacou o agredido por trás com uma navalha na cara do outro aluno.
Um colega de turma chamou o INEM. Ao INEM a escola disse que foi um acidente. Outro colega telefonou à GNR que elaborou um auto como agressão.
O aluno agredido foi encaminhado ao centro de saúde da vila e posteriormente enviado para Coimbra, visto a navalha ter perfurado o olho.
Foi operado de urgência e segundo os médicos dificilmente recuperará a visão desse olho: vai ser operado novamente hoje mas sem grandes esperanças.
O agressor já tinha agredido outros alunos inclusive tinha um auto na GNR mas o pai do outro aluno decidiu n apresentar queixa.
Obrigado pela disponibilidade

… à maneira do Teixeira dos Santos.

Este post provocou alguma comoção. Só alguma, nada excessivo.

Sobre a essência do caso fui claro:

Seja como for, os mil euros são capazes de fazer repensar algumas pessoas.

Se isto é uma desculpabilização ou relativização vou ali e já venho.

Quem não percebeu bem, é pena.

Porque agora vou ser curto e grosso em relação a algo que me incomoda muito mais.

Nas nossas escolas, não apenas à porta (e dentro das salas), existe um descontrole verbal enorme. Os palavrões, a agressividade, a expressão vocal, alto e bom som, de impropérios, preconceitos e ofensas das mais variadas são algo comum que TODOS NÓS ouvimos.

E muitos, em especial gente com pruridos, fingem que não ouvem.

Ao menos eu não finjo e, sempre que acho que os limites da civilidade são ultrapassados, interpelo os alunos sobre a sua conduta.

Provavelmente, quando os mando calar, estarei a ser intrusivo para alguns daniéisoliveiras. E, com quase toda a certeza, se fosse filmado a intervir dessa forma, seria condenado em praça pública e cozinhado a fogo lento por alguns comentadores anónimos sobre cujas práticas nada sabemos. Certamente e acusariam de estar a limitar a liberdade de expressão de alguém. Há umas semanas insurgi-me quando um aluno disse na TV que os alunos eram tratados nas escolas como animaizinhos e levei com uma revoada de protestos compreensivos para com a expressão do aluno.

Gostaria de saber se os inflamados comentadores que tanto desculpam uns, mas atacam outros, são dos que ficam surdos naqueles minutos em que vão a caminho a sala de aula pelo pátio ou corredores.

A verdade, minhas caras e meus caros, é que as escolas se tornaram num espaço onde o palavrão e a falta de educação cívica campeiam, onde a agressão verbal é a regra e muitos – para sobreviver – fingem que não ouvem.

Ao longo destes anos a dar aulas, por mais de uma vez, muito mais, assisti a alunos entrarem e saírem de aulas aos gritos e urros, em corrida e aos pontapés.

Em alguns casos nem vale a pena abrir a boca porque não adianta. Em outros, já me aconteceu que as pessoas que davam as aulas em causa aparecerem à porta e quando eu disse (sem fazer qualquer acusação) que assim não era possível dar aulas, dizerem-me que não tinham culpa nenhuma, nem queriam saber do que se passava fora das suas salas.

Portanto, minhas caras e meus caros, quando acharem por bem criticar, façam-no depois de olharem para o que fazem quando poderiam dar o exemplo de impedir o uso do calão mais vernáculo na vossa presença (podem não estar a olhar, mas certamente ouvem).

Pagar mil euros por amesquinhar um aluno pela sua etnia é um castigo cuja justiça não sei avaliar completamente.

Mas olhem que multaria com gosto – mesmo se apenas com 10 euros – todo(a)s aquele(a)s que fingem que não é com ele(a)s aquilo que o(a)s rodeia a cada intervalo.

E deixem-se de tretas.

A verdade é esta, salvo excepções.

Sim, os pátios e corredores sem palavrões frequentes  e ofensas variadas são UMA EXCEPÇÃO.

E deveríamos agir contra isso e não estar sempre, nesses casos sim, a relativizar e a dizer que não vale a pena chatearmo-nos com isso se não nem chegamos ao fim do primeiro mês com sanidade mental.

Ou então mandem um danieloliveira para cada corredor.

Até o Jugular, meu Deus Blogosférico… Embora não pelo teclado da f. e de uma forma que escapa ao meu curto entendimento.

Não me digam… a seguir é quem?

Por favor, digam-me que é o Gatas  QB a linkar-me.

Já percebi…

Que se lixe a Educação. O que dá é escrever sobre Sexo (um post sobre a polémica da jovem mirandelesa na Playboy deu mais de 20oo visualizações directas num dia) e Minorias Étnicas de forma a fracturar os fracturantes.

Esta é a parte da secção de formação política básica que fica mais barata que as NO (1 € o volume)

bloco da precaução [2]

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