Hélder Sousa, actual director do GAVE no Expresso de hoje, em entrevista a Isabel Leiria:

Exames não servem para estragar a vida aos alunos

Claro, claro. Os exames servem apenas para enfeitar a vida.

Enfim, eu percebo a ideia, mas não pode ser assim que as coisas endireitam. Em especial quando se admite de forma cândida que há aprendizagens básicas que os alunos não fazem, ano após ano, apesar da pressão para o sucesso e das estatísticas marteladas para a Europa ver.

Vou deixar aqui uma res0osta completa, para não dizerem que descontextualizai a parte final, que é de cerrta forma a explicação para mantermos o pântano sempre pantanoso.

Qual é o critério [de dificuldade] que vale? É uma opinião a priori, baseada na experiência e expectativas que um grupo de professores possa ter em relação ao que é o nível de exigência adequado? Ou devemos guiar-nos pela dificuldade comprovada pelos resultados, que nos dizem, a partir de anos anteriores, que determinadas perguntas não são fáceis para os alunos? E essas temos de colocar no ano seguinte para perceber se houve evolução. Esta análise é que é importante. A nossa função não é estragar a vida aos alunos. Quando tentámos subir ligeiramente os graus de dificuldade o efeito não foi o mais positivo. Se decidíssemos elaborar um prova com critérios de dificuldade extremamente elevado, assistiríamos ao colapso nacional.

Ou seja:

  • O grau de dificuldade não deve corresponder às expectativas de um grupo d eprofessores experientes, mas às de um grupo de avaliadores escolhidos pelo ME que elaboram exames e provas que muitas vezes se afastam bastante do que é a prática normal dos professores (tirando os que apenas trabalham para os exames).
  • Colocam-se de forma recorrente certo tipo de questões de tipo elementar porque os alunos em anos anteriores não acertaram. Resta explicar que não são os mesmos alunos a responder no ano seguinte, pelo que a análise da evolução está algo distorcida. Só fazendo exames do mesmo tipo ao longo do percurso dos mesmos alunos seria possível estudar essa evolução.
  • Não há exames mais difíceis porque os alunos não os conseguiriam fazer. Deste modo, e independentemente de serem certos ou errados os níveis de dificuldade, fazem-se exames acessíveis, provavelmente para não baixar a auto-estima nacional.