Quinta-feira, 20 de Maio, 2010


Green Day, 21st Century Breakdown

… mas à última hora não tive autorização para divulgar uma troca de mails que tive desde o final da tarde com um colega bloguista não bloquista e assumidamente (?) de centro-direita.

Por isso, fico-me assim, apenas assinalando o facto de algumas pessoas andarem certamnete muito baralhadas com a tentativa de categorizar e localizar tudo e todos numa cartografia oscilante desta coisa que ainda é a chamada luta dos professores.

Queria tanto poder divulgar a forma como fui implicitamente acusado, com simpatia e elogios à mistura, de ser um despesista de esquerda que não vê a luz da racionalidade económica.

Alguém que está sempre do lado da agenda do Bloco em matéria de Educação.

E gostava de divulgar a troca de mails (explicitamente autorizada de início) porque eu gosto de debates abertos e transparentes, não apenas de conversas privadas. Não me interessa nada divulgar esse tipo de conversas quando acho que elas têm relevância pública para ajudar a conhecer o posicionamento real das pessoas.

Porque o que eu digo em privado é o mesmo (talvez com mais ênfase) do que aquilo que digo em público.

Portanto, cortaram o meu barato.

Mas sempre posso adiantar que, como bloquista encoberto, amanhã vou moderar uma sessão da Feira de Aprendizagens, Conhecimento e Empreendedorismo em Ansião com a seguinte ementa:

O dia 21 termina com um dos momentos mais importantes da FACE, com a apresentação pública do Projecto-piloto ansiao.municipiodamalta.pt, desenvolvido em parceria entre o município de Ansião e a empresa I-Zone. Este projecto apresenta-se como uma plataforma electrónica de cidadania e interacção, posicionando-se como uma ferramenta de cidadania, visando a troca de ideias, conhecimento das entidades locais e desenvolvimento de parcerias, passando a breve trecho a poder ser utilizada por todos os cidadãos. A apresentar o programa estarão Rui Rocha, o Administrador da I-Zone Rui Falcão e a programadora Dionísia Laranjeiro.

Confesso que aceitei sem perguntar qual era a cor do concelho, que agora sei ser a laranja. Aceitei porque, como outras coisas, aceito aquilo que acho ter interesse e ser uma boa ideia, venha de que cor vier.

Se isso faz de mim bloquista, ok.

Há uns meses – relembremo-lo – era acusado de ser do PSD e em alguns círculos sou considerado um agente disfarçado ao seviço da Fenprof nogueirista.

Enfim…

Podemos ter sempre um TGV do Poceirão até à Marateca. Fica aqui no concelho onde vivo e sempre se tem uma espécie de carrossel em ponto grande.

Espanha vai rever todos os projectos de TGV

Se nos transformarmos num arquipélago formado por pequenas ilhas com poucas centenas de habitantes e uma área de 17 km2 somos capazes de chegar ao topo do PISA.

Não há registos de abandono escolar

Os resultados escolares dos 40 alunos da ilha do Corvo estão acima da média da Região. A escola é para estes jovens mais do que um local de ensino, conforme comprova a directora do estabelecimento.

Agora a sério e com o maior dos respeitos: para onde é que um miúdo traquinas poderá fugir das aulas na ilha do Corvo?

A Escola Básica Integrada Mouzinho da Silveira, da ilha do Corvo, tem um taxa de sucesso educativo de 96% e uma taxa de abandono escolar de 0%. Conta com 40 alunos, número que tem vindo a manter-se nos últimos dois anos. “Na área central da prática lectiva e dos resultados escolares, a análise dos diversos elementos estatísticos e dos relatórios permite verificar que os resultados foram globalmente positivos, tanto a nível interno como externo”, afirma Deolinda Estêvão, presidente do Conselho Executivo. A nível externo, prossegue, “os resultados nas PASE (Prova de Avaliação Sumativa Externa) foram satisfatórios em todos os anos lectivos, destacando-se os resultados do primeiro ciclo onde registámos uma evolução muito positiva, comparativamente com os resultados obtidos no ano lectivo 2007/2008.

Porque tem a sua graça esta sucessão de pressa no arranque e lentidão na chegada:

Ministério da Educação continua à espera de nova decisão do tribunal de Beja sobre avaliação

Seja para aqueles que ganham prémios com base em tarifas que eles próprios definem beneficiando de situações de monopólio (o caso mais notório é o da EDP) ou que se sucedem em empresas que apresentam défices recorrentes sem que ninguém seja culpado de nada?

Passos Coelho: um dia não haverá dinheiro para pagar aos funcionários públicos

(…)
Falando para uma plateia de estudantes de Direito na Universidade Católica do Porto, num debate sobre a revisão constitucional, o líder do PSD carregou nas tintas e avisou que o momento particularmente difícil que o país vive exige “uma maior gestão e uma maior eficácia” dos dinheiros públicos. A sala, repleta de estudantes e de alguns professores, quase gelou, quando disse: “Chegará mesmo um dia em que não haverá dinheiro para pagar aos médicos, aos enfermeiros, aos professores (…)”.

Pode haver quem diga que isto é ter sentido de Estado. Eu acho que é voltar ao discurso da tanga de Barroso, só que sem alternativa ao que está.

Portanto, em matéria de reivindicações dos docentes, é melhor esquecer o Parlamento sem ser com grande dose de sedução, pois a maior maioria bloqueará tudo.

Com tango, fandango ou corridinho.

É verdade que nos queixámos imenso da torrente legislativa do mandato anterior. Aquilo não tinha hora nem dia marcado. Era despejar legislação quando se lembravam, a meio do ano, com efeitos prospectivos ou retroactivos. Tanto fazia. As regras mudavam quando calhava.

Mas nem 80, nem 8.

Neste momento começa a ser importante que as escolas, os professores (e não só) saibam como planear o próximo ano lectivo a vários níveis.

E há demasiadas incógnitas.

Mesmo dando de barato que as promessas quanto a alterar regras na componente lectivos, horários dos professores e modelo de gestão foram apenas isso mesmo (promessas), existem diversas matérias que é necessário conhecer o mais depressa possível para ser possível fazer um trabalho de preparação e planificação devidamente atempado.

Em primeiro lugar, acho que a questão mais premente é a dos anunciados reajustamentos curriculares, afastada que foi a hipótese de uma real reorganização curricular. Até que ponto isso implicará alteração na carga horária das disciplinas, o que tem consequências mais do que óbvias na previsão dos horários necessários e respectiva preparação, assim como na própria planificação anual e plurianual das disciplinas.

Por exemplo: do que adianta andar a fazer trabalhos de anualização dos novos programas de LP (que só entram em vigor em 2011-12) se não sabemos exactamente sequer a carga horária para 2010-11? Será preciso replanificar só para o próximo ano?

E o que dizer daquelas escolas que – como já escrevi ontem  – andam a distribuir os 45 minutos que ficam ao critério da escola, ainda sem saberem a carga lectiva das diferentes disciplinas?

Será que teremos a benção de saber – se possível em articulação com as eventuais (cada vez mais hipotéticas) ajustamentos na componente lectiva dos docentes – quais os reajustamentos curriculares em tempo útil, ou seja, antes de final de Junho?

E já agora que os reajustamentos tenham como fundamento questões de ordem pedagógica e não apenas um cálculo de dever/haver em relação aos custos com professores.

Se a Área de Projecto era uma excrescência inútil arrancada à carga horária das disciplinas do chamado núcleo duro (que muitos acham antiquado) do currículo, esperemos que essa carga horária seja devolvida a esse mesmo núcleo duro (e nem estou a nomear disciplinas) e não transferidas para outras coisas em forma de pseudo-transversalidade.

Se no 3º CEB se pretende combater a atomização curricular em 14 ou 15 disciplinas e áreas-coiso, certamete que esse combate não passa por passa a ter 8 ou 10 disciplinas e áreas curriculares anuais e 6 ou 8 semestrais.

A verdade é que depois de uma fase de atirar barro à parede se seguiu o silêncio que se espera ser de reflexão, antes da decisão.

O que realmente incomoda é que nas escolas nada se saiba. E que mesmo quem tem sido ouvido ao nível das associações profissionais  não tenham parecido estar muito preocupadas em ouvir as bases.

E que há vícios organizacionais que, esses sim, são mesmo transversais.

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