Terça-feira, 18 de Maio, 2010


Commodores, Nightshift

A pedido de várias famílias, em especial de quem pediu um pouco de nostalgia…

(c) Antero Valério

Hoje não estou numa de ficção.

New minister Nick Gibb upsets teachers – already

Disciplinarian Gibb says he’d rather see an Oxbridge graduate with no PGCE teaching physics than a qualified teacher with a degree from a ‘rubbish university’.

With his penchant for old-fashioned discipline in schools – complete with strict uniform policies and rules that pupils should stand when teachers enter the classroom – it was never likely to be long before Nick Gibb provoked the ire of the profession.

But even the new schools minister’s harshest critics didn’t expect him to manage it within just three days in the job.

Gibb is reported to have told officials in the Department for Education on Friday, the day after his appointment: “I would rather have a physics graduate from Oxbridge without a PGCE teaching in a school than a physics graduate from one of the rubbish universities with a PGCE.”

The remark, which has already attracted a flurry of posts on Twitter, accusing the Tory MP of elitism and a failing to understand what makes a good teacher, will doubtless have rubbed a few people in higher education up the wrong way too.

Isabel Maria de Sousa Costa Machado, professora de Geografia na Escola Secundária Camilo Castelo Branco em Vila Real, no intuito de esclarecer Miguel Sousa Tavares e todos que, de alguma forma, foram influenciados pelas suas palavras, gostaria, se possível, de ver publicado este texto no seu blogue.

Grata pela atenção dispensada, com os melhores cumprimentos,

Isabel Machado

Caro Miguel Sousa Tavares

No passado dia 26 de Abril, em Sinais de Fogo, ouvi-o afirmar, como se fosse “dono da verdade”, que os professores não querem ser avaliados… e que se juntaram aos milhares nas ruas simplesmente para contestarem a avaliação. Afinal, não percebeu nada!… Acha mesmo que os professores se deram a tanto trabalho para contestar uma simples avaliação que, nos moldes em que estava desenhada, garantia o Muito Bom a todos quantos a requeressem? Admira-me muito que ainda não tenha “enxergado” que, neste país, ninguém quer avaliar ninguém. Verdade! Recordo-lhe a máxima popular “Quem tem telhados de vidro não pode atirar pedras aos dos vizinhos”.

E julgar que durante algum tempo lhe dei o benefício da dúvida: Coitado, está a ser alienado!

Mas que desilusão! Considera mesmo que os professores são uns “baldas” e têm receio duma avaliação por mérito… Bem! Desculpo-o porque, fazendo jus à cor do seu cabelo… tem andado distraído… Mas está a ficar grisalho… e com idade para pensar pela própria cabeça e, ainda, de pensar antes de falar… A minha avó dizia-me muitas vezes: – “Filha! Devemos pensar antes de falar!” Mas hoje em dia toda a gente desatou a falar sem pensar. Não devem ter tido avós sensatas como a minha…

De facto, em relação aos professores está redondamente enganado! Nós não receamos a avaliação, mas sim que, à boa maneira portuguesa, o mérito como algo profundamente subjectivo é para os amigos, para os “lambe botas”, para os que representam votos, etc…etc… vale tudo em função da reeleição e para manter o “lugar ao Sol” … e isto também se aplica às escolas. Sabia que neste modelo de avaliação por pares, avaliados e avaliadores, competem pela mesma vaga? Acha mesmo que em Portugal alguém está preparado para reconhecer o mérito do “outro”? Para conviver com o facto do “outro” ser melhor? A minha experiência diz-me que o português quando vê uma “sombra” não descansa enquanto não a afasta … e como sair da sombra dá muito mais trabalho, o mais fácil é aniquilá-la.

E se em Portugal as pessoas fossem escolhidas por mérito e não por “compadrio”, com certeza nunca mais teríamos que ouvir falar de si. É que eu ainda não percebi qual é o seu mérito em Sinais de Fogo. Dominar a técnica da entrevista? Não me parece! Afinal é a sua opinião que prevalece. Se a opinião dos entrevistados for contrária à sua, atropela-os para se tornar mais audível. Para quem criticava a Manuela Moura Guedes, até que aprendeu bem a lição. Para não falar da leviandade com que faz afirmações sem estar devidamente fundamentado, contrariando por completo o código deontológico dos jornalistas…

Este comportamento até é admissível num saloio que vai à bola e encarna a personagem de treinador de bancada, agora numa pessoa com formação académica e suposta formação moral, não é admissível que faça juízos de valor sem o mínimo pudor.

Mas para que não continue a falar sem fundamentação, pois é eticamente incorrecto principalmente para um jornalista, convido-o a fazer uma visita à minha escola. E como já percebi que se preocupa com a educação dos alunos deste país, porque não aceitar fazer uma palestra sobre um tema que domine realmente. Uma prelecção sobre a influência dos livros de Ernest Hemingway – “Fiesta” e “Por Quem os Sinos Dobram” – no seu livro Rio das Flores seria de toda a pertinência. A sério! Sem ressentimentos! Garanto-lhe que os professores, ao contrário do que pensa, são pessoas de uma enorme generosidade, ou não estivessem eles habituados a lidar com os filhos de uma sociedade “enlouquecida”…

Isabel Machado

Mas então expliquem-me lá devagarinho o que é que correu mal depois de sermos os melhores alunos da Europa, de termos feitos a Expo, estádios para a bola e tanta coisa boa… até queremos um têgêvê ali no Poceirão…

Salários em Portugal têm de baixar 30%

Nobel da Economia defende necessidade de ajustamentos e avisa que vão demorar.

Não me entendam mal, eu não me recuso a fazer sacrifícios e até a darum dedo pelo fulgor da Pátria. O meu problema é que não tenho qualquder confiança no sortido de políticos e economistas que temos à nossa disposição e com disposição para se sentarem à mesa do poder.

Porque quase todos eles tiveram responsabilidades no passado e se nãqo tiveram raramente os ouvimos discordar do caminho que foi sendo trilhado e os que discordaram (poucos, sem ser mais para Esquerda ou aqueles que acham que são Liberais) raramente o fizeram com propostas alternativas que não nos fizessem deitar as mãos à cabeça de tão enfrasquilhados.

O problema é que a economia parece, nos dias que correm ainda mais, uma espécie de jogo de adivinhação e experimentação para tótós e quanto mais tótó maior a promoção (ou pouco como os políticos que exportamos depois de nos terem sucessivamente enterrado).

E se parece não termos ainda atingido o requinte grego na baralhação das estatísticas, a verdade é que as nossas parecem demasiado frágeis para servirem para qualquer tipo de análise congruente do passado ou para planificar um qualquer futuro.

Lembro-me de há mais de 15 anos ter feito no mestrado um trabalho sobre preços e salários em Portugal na transição da República para o Estado Novo e ter ficado maravilhado com a forma como mudavam os critérios de recolha e tratamento dos dados e como cada novo regime criava o seu aparato, quase tornando impossível colar as séries de dados disponíveis para elaborar séries consistentes e coerentes.

Mas pelo menos percebia-se a olho nu que aquilo tinha mudado.

Agora vivemos estas coisas com maior sofisticação pois a cada mandato ou ano mudam critérios no cálculo da inflacção, no número de desempregados, na pura futurologia orçamental do défice que virá ou no cozinhado do défice que foi.

Em boa verdade não é possível saber onde estamos, economicamente falando.

Se parecemos estar com um melhor nível de vida do que há 50 anos, a verdade é que parece que estamos mais perto de regredir do que de progredir.

Porque antes sabia-se que estávamos mal e percebia-se que podia haver um rumo.

Agora não.

… agora somos apenas pobres.

Portugal, o país pobre, bonito e honrado da “National Geographic”

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