Sábado, 15 de Maio, 2010


Eu sei que já deixaram esta num comentário, mas é imperdível… até porque parece que já se separaram…

Perante tudo o que se tem sucedido nas últimas semanas, que nos fazem pensar que nada está garantido em matéria de futuro próximo ou intermédio, acordado ou não, o que resta para a luta dos professores contra aquelas mudanças que consideram mais gravosas para a Educação e para a sua profissão?

No Expresso de hoje, em peça de Isabel Leiria, é dado destaque a um estudo já por aqui falado há meses, que demonstra uma relação entre as reformas do mandato anterior e uma quebra de rendimento dos alunos em exames. Sei que tem algumas conclusões polémicas e que carece de maior aprofundamento, mas demonstra que as reformas encetadas em 2005 têm aspectos negativos que vão para além da opinião, dita corporativa, de muitos professores.

Pelo que agora, à aproximação de meados de 2010, num contexto político e económico bastante diverso (pelo menos na superfície) do de 2008 é necessário reequacionar o que podem ser as tácticas de luta dos professores ao serviço de uma estratégia a médio-longo prazo que vise a recuperação de direitos que lhes foram sendo sucessivamente negados e/ ou cortados.

As hipóteses são diversas, embora limitadas pelo avanço do ano lectivo, desde o esperar para ver antes que nos caia alguma coisa em cima até a um apelo a uma patuleia ou maria da fonte pelas escolas.

  • As hipóteses mais radicais passam pelo apelo a greves por tempo indeterminado, greve a exames e/ou avaliações. É a estratégia de risco, com impacto necessariamente negativo na opinião pública. Seria uma demonstração de força, mas é uma incógnita saber qual o grau de mobilização/adesão. E as propostas limitam-se normalmente ao restabelecimento de um status quo perdido.
  • A estratégia tradicional, mais segura, é a que irá ser acenada por algumas organizações sindicais e passa pela integração da contestação dos professores num movimento social de rua mais amplo, seja no âmbito da Função Pública ou dos trabalhadores em geral. Tem a sua lógica mas, por regra, é uma estratégia que se define pela oposição, raramente trazendo consigo propostas concretas de alternativa ao que está a ser feito. Seria importante que essa estratégia trouxesse consigo propostas concretas e não apenas slogans.
  • Há uma estratégia menos tradicional que pode passar pela aposta em lutas sectoriais, baseadas no reforço da coesão de grupo, com objectivos mais específicos, apostando na demonstração de propostas alternativas como melhores do que as propostas pelo Governo (em matéria de modelos de carreira e avaliação do desempenho, mas também da organização e funcionamento das escolas no sentido da racionalização dos recursos). O problema é perceber, nesta altura, quais as formas de pressão que podem ser despoletadas para além do soft-power discursivo. O calendário do ano escolar é ingrato, pois a margem de manobra é escassa.
  • Num extremo da inacção temos a opção por não agir, baixar os braços e esperar que a tempestade passe e a bonança chegue um dia. Esta é a posição daqueles que ou desistiram de ter uma acção em prol do seu presente e futuro, que estão demasiado desiludidos com tudo ou que acham que não há alternativas perante o panorama macro-económico em que estamos. Como é natural é a opção que significa o fim de um ciclo de luta por parte dos professores.

Com um cenário destes, e antes de eu fazer por aqui uma sondagem a propósito, o que acha quem por aqui passa? Há outros caminhos? Quais?

O que podemos, ainda, fazer?

Public sector braced for pension reform

Public-sector workers are braced for an end to generous final-salary pensions, after the new government said it would establish an independent commission to review the “long-term affordability” of public-sector pension schemes.

Both the Tory and Liberal Democrat manifestos pledged to reform public-sector pensions. The Tory manifesto pledged to cap public-sector pensions above £50,000 while the Lib Dems’ manifesto called for an independent review.

The government’s coalition document, published on Tuesday, spelled out that while existing rights would be protected, future retirement benefits are likely to be less generous.

The decision is likely to amplify the sense of grievance among civil servants, who went on strike in March over efforts by the previous government to reduce redundancy payouts. Last week the Public and Commercial Services Union won its high court bid to halt that measure, suggesting the new coalition government’s plan could also face legal challenges.

Teachers warned the new government against making any changes to public-sector pension provision. They said there has been considerable progress in improving recruitment since 2002 and a change to pensions could erode that progress. Employer contributions are 14.1%, while teachers currently pay 6.4% into their pensions each year.

In 1996, there was an exodus of teachers over changes to their pension scheme as they sought to take advantage of the old arrangements before the new, less favourable terms kicked in. Under that scheme, teachers could quite easily retire on ill-health grounds with no reduction in the size of their pension. But the reforms made it more difficult to take early retirement without a reduction in pension.

John Dunford, general secretary of the Association of School and College Leaders, said: “If there are to be changes, they should not affect people over the age of 50, otherwise there will be a risk of a mass exodus at a time when a very high proportion of headteachers are in their 50s and a high proportion are in their late 50s. It would trigger an immediate recruitment crisis. In 2000, it was so difficult to recruit a teacher that schools frequently had to recruit abroad.”

Chris Keates, general secretary of the NASUWT teaching union, said the teachers’ pension scheme had changed as recently as 2007 and was unlikely to change again. (This is particularly the case because Michael Gove has given a commitment to the Association of Teachers and Lecturers (ATL) that “the accrued benefits of ATL members would be protected by a Conservative government”.)

Keates said: “We settled our pensions in 2007 under the agreement that it was future-proof. There would be considerable anger across the profession if the scheme was made worse. There are still issues over teacher recruitment, particularly the recruitment and retention of young teachers.”

A PROSTITUTA

Ela vende o seu corpo à beira das estradas de Portugal. Encontramo-la, vistosa e perfumada, em “áreas para esse serviço”, país além. O perfume exala essências de vegetais liquefeitos. Como se na sua composição entrassem moléculas de óleos petro-genéticos. O hálito é agreste, explosivo. E parece escapar da “boca” levemente aberta do isqueiro de prata.

A vida é-lhe difícil devido às exigências alarves do “proxeneta”. De toda a receita cobrada à vasta clientela que tem, o “chulo”, de quem se diz muito mal , mas ninguém deita a mão, apanha-lhe cerca de setenta por cento.

Por via disso, quem é confiscado são todos os que procuram os prazeres do seu corpo. Depois do serviço, saem exangues, de tanto serem sugados.

A prostituta presta duplo serviço : dentro, ou fora do carro.  Dentro dá direito a gorjeta. Se for carro de luxo, o serviço é mais prolongado, e a carteira mais despejada.

O sacrifício que faz, para agradar à clientela, é muito compensador: a prostituta consegue viver muito bem, mesmo dando ao “canalha” do chulo a fatia que dá.

O “artista”, porém, para poder sugar à vontade, vai repartindo a grossa maquia pela “família chulista”.

Não há prostituta em Portugal que ganhe tanto dinheiro como esta “madona” da estrada.

Dizem que é por ser especialista em “sex –marketing”. E eu acredito.

É que a “gaja” é tão espertalhona que oferece pontos por cada serviço, os quais dão descontos no super-mercado.

A prostituta deve ter estudado economia e finanças. É que o estupor parece ter arranjinho com as colegas “da vida”,  prestando o serviço a idêntico preço.

E as charlatonas das concorrentes cumprem à risca o compromisso!

Assim, todas têm  com que comprar o mais caro bâton do mercado; todas têm acesso aos melhores cabeleireiros e esteticistas;  e até já usam “botox”.

Os seios, prenhes de um viçoso produto feito à base de silicone gasoso, são o chamariz principal da clientela sedenta (ou faminta). O corpinho sempre atraente, resplandece, embora com um brilho cada vez mais longe do natural.

Mas que interessa isso se a clientela continua a subir, mesmo com o vencimento a descer?

A prostituta da estrada pode ser cara, mas é cá uma “bomba”!

Cunha Ribeiro

Expresso, 15 de Maio de 2010

A estratégia foi a mesma: uma maratona negocial para ter tudo pronto naquele dia e noite, acontecesse o que acontecesse. Depois anuncia-se o acordo com os adversários do dia anterior, co-responsabilizando-os pelas medidas tomadas pela governação.

A ameaça é a mesma: ou isto ou o caos e a catástrofe, não há margem de manobra. Ou se chega a acordo ou eles vêm aí. Ou aceitam isto ou não há mais negociações, não há mais hipóteses, saem por aquela porta, não há regresso à mesa das negociações.

Porque se diz que não há alternativa.

Não sei se é inteligente, mas tem sido hábil e eficaz.

E na imprensa ainda surge como se fosse o primeiro a salvar alguma coisa. Como outrora a ministra.

O acordo prende os acordantes, em especial os que estavam de fora e deixa-os na situação de se mostrarem cúmplices, ingénuos ou ineptos.

No caso do PSD, a ressaca veio no dia seguinte com o inusitado pedido de desculpas ao país por parte de Pedro Passos Coelho que tarde percebeu que, perante este acordo, nada terá de substancial a apresentar em próximas eleições que o distinga de Sócrates.

outros que ainda hoje não parecem ter-se curado da ressaca e a maratona nem terá sido tão longa e insistem que não havia outra solução. Ainda hoje no Público se dá a conhecer que parte dos termos do que foi acordado com a maior parte dos sindicatos de professores tem muito poucas hipóteses de vir a ser cumprido, nomeadamente no que ao eventual concurso para 2011 e aos contratados diz respeito. Afinal, o que está legislado é novo concurso para 2013… Como no caso da avaliação para efeitos de graduação profissional…

Uma coisa há que admitir com frontalidade e, já agora, com humildade: o PS que está no Governo sabe reinventar-se nas suas estratégias enquanto os seus adversários parecem confiar excessivamente na sua condição de moribundo ambulante e que o poder lhes há-de cair nas mãos de maduro.

O que está em causa já não é a boa governação do país, é a manutenção de uma facção no poder com capacidade de desisão sobre as fatias orçamentais.

O grupo mais aguerrido no combate a este Governo foi neutralizado de 7 para 8 de Janeiro e nos 3 meses seguintes através de uma progressiva anestesia.

Agora foi neutralizado o maior partido da Oposição.

Há que dar a mão à palmatória e reconhecer mérito a Sócrates ou a quem por ele desenha estas negociações. Estão muito à frente em matéria de argúcia do que aqueles que não sabem libertar-se do passado ou que ainda não perceberam como lidar com o futuro.

… que os senhores dos negócios com o Estado  não estão disponíveis.

Crise: professores, saúde e pensões serão os mais afectados

Ainda não deverá ser no próximo ano que milhares de professores que se encontram a contrato verão assegurado o seu ingresso na função pública.

… sem ser que há muitos casos que, não atingindo este dramatismo, revelam uma escalada da violência nas relações entre os jovens, dentro e fora da escola. Um caso como este está muito para além do foro escolar. Há muito trabalho por fazer também fora das escolas.

Foi espancado dentro da escola

Aluno de 17 anos esteve internado três dias

Um aluno da Secundária de Paredes foi espancado violentamente por sete colegas dentro da escola, tendo desmaiado. Mesmo inanimado, continuou a levar pontapés e murros. Dada a gravidade dos ferimentos, teve de ser operado no Hospital de S. João, no Porto.

Só ontem, sexta-feira, dois dias depois da agressão, o aluno teve alta.

Na passada quarta-feira, poucas horas antes da rixa, Rui L., 17 anos, morador em Cête, estava no comboio a caminho da escola. Terá sido atingido por pedras atiradas por um colega. Quando chegou à Secundária de Paredes, foi procurar o colega e pedir-lhe explicações. Após uma acesa troca de palavras, Rui agrediu o outro estudante com um murro.

Em retaliação, o jovem juntou seis colegas. Cerca das 10.30 horas, Rui foi abordado por dois rapazes que o insultaram e, logo de seguida, juntaram-se mais cinco. Foi empurrado, levou uma pancada forte na nuca e desmaiou. Apesar de o verem inanimado, os colegas continuaram a agredi-lo.

Accionado o INEM, o estudante foi transferido para o hospital de Penafiel. Tinha a mandíbula fracturada e, dali, foi levado para o S. João, onde foi submetido a uma intervenção cirúrgica. Só ontem teve alta.

Página seguinte »