Publicação, a pedido do autor, como resposta a um comentário da Fernanda1

A ORDEM DOS PROFESSORES E UMA CANÇÃO DE FAUSTO

Agradeço a Fernanda 1, o seu comentário (13/05/2010) ao meu “post”, citado na véspera neste blogue e intitulado “Uma carta sobre a Ordem dos Professores”. E agradeço, outrossim,  a  mensagem de esperança que me trouxe a  canção “Namoro” e o seu  belíssimo tom melódico com que a autora do comentário me brindou e a outros possíveis e desejáveis leitores. Fica-me a esperança que, a exemplo da insistência da canção interpretada por Fausto, os professores acabem por dizer SIM  à criação da  Ordem dos Professores ou, pelo menos, apresentarem razões, devidamente fundamentadas,  para dizerem NÃO.

Nem de propósito, em entrevista desta semana a Miguel Sousa Tavares na SIC, o combativo bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, criticando os sindicatos dos magistrados defendia, sem papas na  língua, como é seu timbre, que a função dos sindicatos é, por tradição histórica,” a defesa de melhores salários e menos horas de trabalho”.

Uma conquista  que eu não ouso sequer pôr em causa por dela muito beneficiaram os trabalhadores de entre eles, os próprios professores.Contudo, contudo eu entendo que o magistério transcende estas finalidades. Ou seja, deve ir para além delas sacudindo a tutela asfixiante das entidades oficiais (de que a acção de Maria de Lurdes Rodrigues, é um exemplo frisante), através da criação da Ordem dos Professores mesmo quando exercida em regime de contrato de trabalho porque como doutrinou o ex-bastonário da Ordem dos Advogados, Lopes Cardoso,  “essa profissão [em regime de contrato de trabalho] deve ser reconhecida como relevando de grande valor, precisamente porque exigindo, pelo menos, uma independência técnica e deontológica incompatível com uma relação laboral de pleno sentido” (“Cadernos de Economia”, Publicações Técnico-Económicas, ano II, Abril/Junho de 94).

Amiudadamente, os enfermeiros têm evocado o exemplo dos vencimentos dos professores para exigirem vencimentos idênticos com a alegação da sua licenciatura politécnica, embora,  de anos recentes, e com o argumento que a situações iguais deve ser dado tratamento igual, pese embora o (des)conhecimento de que a profissão docente tem um passado de diploma universitário de longa e cimentada tradição (que eu quase diria secular) que a colocou no mesmo patamar de reconhecimento social de outras profissões de igual exigência académica, v.g., médicos, advogados, engenheiros, etc. Talvez por isso, quando vejo estas três últimas profissões representadas por ordens profissionais me interrogo sobre a relutância da classe docente em ser representada por uma ordem profissional para ter assento, “de facto” e “de jure”, na elaboração de programas escolares, de exames e de representação ética, sim, ética, sobre os deveres e os direitos da classe. São estas questões que eu gostaria de ver discutida neste “fórum” de liberdade que é o blogue “A Educação do Meu Umbigo”, sem o dobrar do simples canto sim ou não das cartas de pedido de namoro de que nos fala a canção de Fausto.

A criação da Ordem dos Professores não pode ser vista como um caso de amor ou ódio em que impera o sentimento sobre a razão. Discutamos, pois, a criação da Ordem dos Professores sem nos deixarmos levar pela posição cómoda de deixar correr o marfim…e logo se verá!

Será pedir muito, a ponto de me poderem amarrar ao pelourinho de eu estar a defender uma causa com intuitos pouco claros? Logo eu  que aposentado  estarei arredado de nela estar inscrito “tout court”? Esta a prova da minha isenção pela luta que mantenho sobre a criação de uma Ordem dos Professores.

Infelizmente, fica-me este desejo muito forte ainda não realizado e, por isso, tão-só, resta-me o fraco consolo de transcrever uma mensagem que é um forte apelo à perseverança dos que lutam por uma causa que consideram justa:

“Nas planícies da hesitação

Branqueiam os ossos de incontáveis

Milhões os quais, na alvorada

Da vitória, sentaram-se para descansar.

E, descansando, morreram”.