Quarta-feira, 12 de Maio, 2010


A festa nunca foi grande, mesmo se ali pelos anos 90 chegou a pensar-se que… Agora, pá, depois dos milhões despejados pela Europa, parece que estamos mais ou menos no mesmo ponto, só que custa mais porque houve quem chegasse a ter peneiras.

Com toda a sinceridade, não me parece que exista grande energia para a tensão, até porque ainda estão a tentar resolver, apesar de tudo, as coisas com algum cuidado, de acordo com o que mandam lá de fora. E a dois, que é para o senhor que se segue não poder dizer que discorda(va).

Não estou a ser derrotista, estou apenas a tentar perceber como fazer omoletes com gema em pó e a água cortada, por falta de pagamento.

Sempre achei que a melhor forma de enfrentar as fases más é não fingir que elas são outra coisa. Não é possível um tipo levantar-se do chão se tenta convencer-se que ainda está de pé.

Verdade se diga que os verdadeiros culpados estão quase todos a salvo, muitos deles atraídos pela estranja logo que puderam, outros em prateleiras douradas e um ou outro aqueloutro menos sofisticado a achar que ainda pode fazer mais do que dar recados.

Os TGVs, à imagem dos 10 Estádios do Euro, na senda dos grandes desígnios nacionais

Governo e PSD discutem corte de cinco por cento nos salários de políticos e gestores públicos

Zapatero baja el sueldo de los funcionarios un 5% desde junio y congela las pensiones

pois na UE consta que ao engenheiro, no seu labirinto, ninguém fala .

Na primeira página do I de hoje:

Teixeira dos Santos negoceia subida de impostos com PSD

A questão é colocada por Helena Danião no De Rerum Natura.

A resposta pode ser dada de diversas maneiras. Podemos andar em busca do que está legislado a esse respeito, como HD faz, chegando à conclusão que pouco ou nada tem sido feito de acordo com o que estava previsto. No fundo, business as usual. O Estado determina, mas não cumpre. Em especial no ME determina-se se for para promover o sucesso. Se não produz estatísticas imediatas, não adianta fazer.

Mas há outra maneira de pensarmos as coisas, pelo menos em dois planos: micro e macro.

  • No plano micro, a nível de escolas ou agrupamentos, independentemente do grau de dificuldade das provas, os seus resultados podem ser bastante úteis se a sua análise for feita de forma integrada pelos vários níveis de ensino. Para além de se verificar quais as matérias – conteúdos ou competências – em que os alunos (globalmente ou por turmas) revelam maiores dificuldades, tem todo o interesse usar as provas de aferição de um modo diverso. Ou seja, seria interessante repetir em Setembro como teste-diagnóstico a prova feita em Maio do ano lectivo anterior para se perceber o que foi perdido (ou ganho) durante as férias, quais as matérias que se torna mais importante consolidar e aquelas que parecem melhor assimiladas. Sei que é trabalhoso, mas acho interessante que se use uma prova e aplicá-la em dois momentos do ano lectivo no sentido de se perceber que progressos estão (ou não) a ser feitos. Claro que se pode fazer o mesmo com fichas de avaliação próprias, mas, por exemplo no 5º ano (ou 7º) e no caso de as turmas se manterem pouco alteradas em relação às de 4º (ou 6º), os resultados das provas de Maio podem servir de base para, por exemplo, fazer novas avaliações em Setembro e Fevereiro. Mesmo sendo provas fáceis este método pode ser interessante em turmas com pior desempenho, no sentido de monitorizar progressos. Não é fazer a mesma prova em semanas seguidas – o que pode apenas servir para promover o efeito-repetição – mas sim fazê-la a 3-4 meses de distância.
  • No plano macro, seria muito importante, mas mesmo muito, que a análise dos resultados das provas de aferição pudesse ser usada por aqueles que estão a proceder a reformas ou reajustamentos na estrutura curricular do Ensino Básico e nos programas das disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática, isto já para não falar nas próprias estratégias do PNL e PAM. Do que adiante ter iniciativas onerosas e até com interesse a serem desenvolvidas de forma pouco articuladas, cada uma fechada sobre si mesma e quantas vezes com cronogramas díspares? Será que os resultados das provas de aferição não poderiam servir de base para definir com mais cuidado os objectivos do PNL? Será que a compreensão da leitura é a competência com pior desempenho? Será que se alteraram os resultados de forma sensível desde que o PNL está no terreno? E em relação ao PAM? Estarão os novos programas de Língua Portuguesa e Matemática a beneficiar do feedback de uma década de provas de aferição de 4º e 6º ano? Não seria boa ideia que tudo isto funcionasse de forma harmoniosa?

Ao contrário dos puristas da não-avaliação (gémeos dos defensores do direito ao sucesso na fast lane) e daqueles que encontram pretextos dos mais curiosos para contestarem estas provas (aquela do papel gasto e das árvores abatidas é do mais divertido que se pode imaginar…), eu acho que as provas de aferição – mesmo nivelando o grau de exigência pelo médio-baixo – podem ser úteis ou mesmo muito úteis.

Não podem é ser preparadas e os resultados analisados apenas pelo GAVE, como que numa célula estanque, sem que seja feita a articulação com aqueles grupos de trabalho que pululam pelo ME em torno de tudo e mais alguma coisa que se relacione com a Língua portuguesa e a Matemática.

Se queremos uma cultura de rigor e a promoção do sentido de responsabilidade na nossa Educação não podemos é estar sempre a arranjar pretextos para contestar todas as ferramentas destinadas à aferição ou avaliação do desempenho dos alunos e do sistema educativo. É nosso dever contestar o que está errado nelas, detectar equícos, contribuir para o seu aperfeiçoamento. Criticar a sua existência e lutar pelo seu desaparecimento é um equívoco enorme.

Recebido por mail:

Agora, que o tempo já lá vai e o passado já não pode ser alterado, fica aqui o contributo que eu dei o ano passado como sugestão aos sindicatos da Plataforma Sindical e que (não) foram muito bem aproveitadas. Hoje já sabemos muito bem qual foi o resultado em que deu a luta da Plataforma Sindical.

Caríssimos colegas e sindicatos da Plataforma Sindical.

Conforme tinha anteriormente prometido, junto envio mais um conjunto de possíveis formas de luta que os professores podem e devem realizar neste terceiro período.

Após uma semana de reuniões sindicais e passando pela blogosfera editada pelos professores, pode-se redesenhar duas ou três ideias com apoio expressivo junto de uma grande faixa de professores.

Em primeiro lugar, fará todo o sentido realizar uma nova manifestação nacional de professores, que deveria acontecer antes ou após as eleições para o Parlamento Europeu (na minha humilde opinião acho que não faria sentido ocorrer durante a campanha eleitoral para as eleições ao parlamento europeu, mas depois da sua realização também já será demasiado tarde; não sei se seria viável, em termos de adesão, realizar essa manifestação no próprio dia das eleições).

Também parece mais ou menos consensual a marcação de uma greve; sugeria que a mesma fosse por tempo indeterminado, cabendo a cada professor “gerir” da melhor forma os dias em que fizesse greve (quem quiser faz greve por um, dois, três dias ou mais ou, se não quiser, não faz greve).

Não faz grande sentido fazer uma auto-avaliação com um protesto escrito anexo; julgo que aqui os sindicatos deveriam garantir, a quem o queira, apoio jurídico aos professores que se recusarem a entregarem a sua ficha de auto-avaliação; seria de todo conveniente criar uma conta nacional de solidariedade para garantir fundos para esta frente jurídica.

Faz todo o sentido exigir publicamente, antes das eleições para o Parlamento Europeu, que todos os partidos políticos tornem claro as suas posições relativas à avaliação dos professores e ao ECD, explicitando que a sua não divulgação de posição seria tomada como conveniente com ambos.

Marcar greves regionais aos exames nacionais (um dia para o norte, outro para o centro, outro para a Grande Lisboa e outro para o sul, e assim sucessivamente).

Todas as escolas do país deveriam entrar em “luto” desde já, envolvendo uma faixa negra em todo o seu perímetro.

Como forma de demonstração de dedicação e profissionalismo, todos os professores deveriam tornar publico, da forma que acharem mais conveniente (internet, jornais, no seu local de trabalho, panfletos, etc.), todo o seu currículo académico e profissional. Poderiam também juntar, se assim o entenderem, uma descrição pormenorizada de todos os seus bens e uma relação do seu orçamento mensal (receitas/despesas) e IRS. O que interessa é conquistar a opinião pública para o lado dos professores.

Para terminar peço apenas um pedido: a união entre todos os sindicatos da Plataforma Sindical; porque é necessário o reforço da unidade em torno da luta em defesa de 35 anos da escola pública portuguesa.

Com os melhores cumprimentos.

(…), docente do ensino básico e secundário.

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Dear Paulo Guinote,

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Please share this email with colleagues or students and encourage them to explore the content available.

Agradecendo a referência ao Luís M. Latas:

Murphy’s teaching laws

  • The clock in the instructor’s room will be wrong.
  • Disaster will occur when visitors are in the room.
  • A subject interesting to the teacher will bore students.
  • The time a teacher takes in explaining is inversely proportional to the information retained by students.
  • A meeting’s length will be directly proportional to the boredom the speaker produces.
  • Students who are doing better are credited with working harder. If children start to do poorly, the teacher will be blamed.
  • The problem child will be a school board member’s son.
  • When the instructor is late, he will meet the principal in the hall.
  • If the instructor is late and does not meet the principal, the instructor is late to the faculty meeting.
  • New students come from schools that do not teach anything.
  • Good students move away.
  • When speaking to the school psychologist, the teacher will say: “weirdo” rather than “emotionally disturbed”.
  • The school board will make a better pay offer before the teacher’s union negotiates.
  • The instructor’s study hall be the largest in several years.
  • The administration will view the study hall as the teacher’s preparation time.
  • Clocks will run more quickly during free time.
  • On a test day, at least 15% of the class will be absent
  • If the instructor teaches art, the principal will be an ex-coach and will dislike art. If the instructor is a coach, the principal will be an ex-coach who took a winning team to the state.
  • Murphy’s Law ill go into effect at the beginning of an evaluation.

(Tem mais…)

Uma carta sobre a Ordem dos Professores

E certamente muita paciência para levar as coisas até ao fim…

Pai paga 10 mil euros por injuriar professora

O Supremo Tribunal de Justiça (STJ) confirmou a condenação do pai de uma aluna da Escola Secundária Anselmo de Andrade, em Almada, a pagar uma indemnização de 10 mil euros a uma professora, com 20 anos de profissão, por injúrias, revelou a agência Lusa.

Os factos remontam a 7 de Março de 2001, quando, numa reunião naquela escola, o encarregado de educação apelidou a professora de História da Arte e Oficina de Artes de “mentirosa”, “bandalho”, “aberração para o ensino” e “incompetente”.

A reunião fora solicitada pelo encarregado de educação, alegadamente para obter esclarecimentos acerca das muitas faltas da professora. Num trimestre, a docente faltara 11 vezes por ter fracturado uma perna.

Ou será que é psicologicamente frágil de acordo com algum burocrata do ME?

Agredido por alunos mais velhos

José Carlos, de 11 anos, da Escola EB de Lousada, deu ontem entrada no Hospital de Penafiel com vários hematomas no corpo, na sequência de uma agressão ocorrida dentro da escola. O menino terá sido agredido por um grupo de vários alunos mais velhos.

Tardou um pouco, mas o único visado nominalmente pelo artigo de há duas semanas no Público reage hoje. Publiquei um, publico o outro.

Este texto não carece de grande comentário porque, na sua essência, a sua argumentação não se distingue em muito da que já aqui alinhavei na altura

Resposta a Mário Nogueira

Dir-se-ia refém de uma qualquer peça de Ionesco, tantos são os absurdos em que se enleia, ou convertido à Patafísica.

Mário Nogueira assinou um artigo no PÚBLICO, a que deu o título “Esta Fenprof incomoda que se farta!” Dir-se-ia refém de uma qualquer peça de Ionesco, tantos são os absurdos em que se enleia, ou convertido à Patafísica, “ciência” de soluções imaginárias. Mário Nogueira espadeira contra indeterminados, que não tem coragem de citar. Aderente ao axioma “quem não está connosco está contra nós”, Mário Nogueira convive mal com esse espaço de liberdade que designa por “blogues da especialidade”. Mas destaca-me do naipe, que apoda de adversários da Fenprof e arautos de falsidades. A deferência merece resposta:

1. O meu último artigo, que Mário Nogueira refere como exemplo dos ataques à Fenprof e paradigma de falsidades, tem três vertentes claras para quem não seja analfabeto funcional: resenha diacrónica de escritos meus, cuja substância foi confirmada por desenvolvimentos posteriores; opinião, em que sou acompanhado por milhares de professores, divergente da linha oficial da Fenprof, mas que só a escola burlesca de Tarik Aziz poderia ignorar; e perguntas. Perguntas difíceis de tragar por goelas apenas oleadas para dar passagem a elefantes e sapos vermelhos, partidariamente cozinhados.

2. Lê-se no meu artigo: “Conhecemos o texto do acordo. Mas não conhecemos as actas, que se presumem feitas, das discussões havidas na maratona de 14 horas de negociações que o antecederam. A consideração da classificação do desempenho para efeitos de graduação dos professores foi ou não objecto dessa discussão? Se foi, em que termos? Se não foi, por que não foi? Se não foi, que atenção mereceu nos três meses seguintes de reuniões sem fim?”

Isto não são falsidades. São perguntas legítimas a que Mário Nogueira não respondeu. E foi mais longe. Disse, com a naturalidade de um amador incompetente, que aguarda, quatro meses volvidos, que lhe enviem a acta de uma reunião de 14 horas, onde se tomaram deliberações graves sobre a vida de todos os professores. Esquecendo, para cúmulo, que a Fenprof divulgou, sob a epígrafe “Acordo de Princípios sobre Aspectos do ECD”, logo em Janeiro de 2010, uma informação aos professores onde invoca o “compromisso assumido pelo ME em acta negocial” (sic., sublinhado meu, retirado de documento que detenho e poderei fornecer a quem o não conheça).

3. Mário Nogueira chama-me implicitamente desonesto, porque afirmei no meu artigo que a Fenprof não se deu conta, inicialmente, que a classificação do desempenho contava para a graduação profissional, em sede de concurso. Não lhe admito a baixeza.

No dia 12 de Abril, no site da Fenprof, estava escrito: “Para o concurso que hoje se inicia, é de salientar o facto de, no respectivo Aviso de Abertura, já não constar qualquer referência à consideração da avaliação para efeitos de graduação profissional, factor que, como a Fenprof tem vindo a exigir e a esmagadora maioria dos professores a defender, não deverá ser considerado já neste concurso.”

Não é claro? É preciso fazer desenhos? Não aderi à moda da “acção directa” e por isso não meterei ao bolso o bigode do Mário Nogueira, quando o voltar a encontrar. Mas espero que ele tenha a hombridade de me telefonar a pedir desculpa.

4. Mário Nogueira, numa construção frásica sem coerência, compara a solução (acordo) a que chegou com Sócrates com a admitida pelo PSD. E num jeitinho conveniente, que conheço, atira lá para o meio o meu nome. Entendamo-nos uma vez mais: numa conferência que proferi na Assembleia da República, a convite do PSD, a abrir um debate público em que Mário Nogueira também participou, sintetizei bem o que pensava sobre o destino a dar à avaliação do desempenho em análise: suspensão e lixo. E Mário Nogueira ouviu-me dizer, cara a cara e nessa sessão, a Aguiar Branco e ao PSD, aquilo que ele não pode dizer a Jerónimo de Sousa ou ao PC. É a vantagem de se ser partidariamente independente. O PSD e Aguiar Branco, particularmente, ouviram-me repetidas vezes. Mas não seguiram um só dos meus conselhos e deram o dito por não dito, como o Mário Nogueira.

5. Mário Nogueira desenterrou o “memorando” de má memória, com que salvou Lurdes Rodrigues. Poderia contar a verdadeira história desse episódio, que ele sabe que eu conheço. Preferiu continuar a enganar todas as pessoas todas as vezes, o que é manifestamente impossível, como recordou Lincoln. Devo refrescar-lhe a memória que rejeita. Se numa escola com 100 professores dez foram à reunião de consulta e nove aprovaram o memorando, isso permitiu-lhe dizer que obteve 90 por cento de aprovações. Os bonzos da estatística do Ministério da Educação há cinco anos que usam os mesmos métodos. A escola é a mesma. Mas não é a minha.

6. A polémica, aqui, acaba agora. Diga Mário Nogueira o que disser. A minha luta não é contra os sindicatos, muito menos contra a Fenprof. Não alimentarei o gáudio dos detractores dos professores, nem malbaratarei a generosidade do PÚBLICO, sacrificando o espaço onde há anos defendo a escola pública. Se Mário Nogueira quiser continuar, conte comigo. Desde que os espectadores sejam só professores. Diga o sítio e faça os convites. Lá estarei para, cara a cara, lhe dizer o que precisa de ouvir. Entre professores e a bem dos professores e dos seus sindicatos. Sem conclusões previamente redigidas. Com acta feita na hora.

Santana Castilho