Quinta-feira, 6 de Maio, 2010


Só porque eu não me decidi pela música da noite, comecei uma nova série…

Era 1.30 da madrugada de hoje e estava eu a pensar o que iria fazer umas 9 horas depois à FCT, como palestrante convidado do TICE.pt.

Claro que há aquela tentação de aderirmos logo às coisas tecnológicas e fazer uma comunicação toda modernaça, cheia de efeitos multimédia para encher o olho e parecer que se está mesmo na onda.

Mas eu não tinha preparado ainda nada de muito definitivo, para além de umas leituras preparatórias, umas referências, umas citações.

E apetecia-me dormir.

E foi então, enquanto espreitava uma gravação do Frasier, que tive a ideia óbvia: que sentido faz ir ao Pólo Norte mostrar como se faz gelo?

Pelo contrário, deve-se levar o que não há por lá em quantidades industriais. é algo desnecessário ir soletrar a Bíblia ao vigário.

E então decidi por uma comunicação não-tecnológica, analógica ou mesmo anterior, reduzida à pessoa que fala e que transmite pela palavra as suas ideias e o que pensa.

Uma espécie de retorno à essência primordial da função do professor e da comunicação. Se uma imagem vale por mil palavras, uma palavra dita com a sua carga expressiva valerá algumas imagens.

E assim dividi a intervenção em três partes para uma meia hora cumprida com razoável rigor.

Equívocos, Complementaridades e Desafios da relação entre a Tecnologia e a Educação.

Que equívocos?

  • Antes de mais o equívoco que tende a pensar que a tecnologia é mais do que um meio, uma ferramenta, que em poucos momentos prescinde da presença humana para dirigir a sua utilização.
  • Em segundo lugar, o equívoco de que basta despejar equipamentos nas escolas, para estas ficarem modernas, esquecendo-se que sem enquadramento na formação de professores e produção de conteúdos adequados. Um computador é uma máquina que pode ser útil ou não. Como a própria net pode ser uma importante ferramenta ou um incentivo á preguiça.
  • Em seguida, o equívoco resultante de existir um evidente desajustamento entre os meios que se disponibilizam e aquilo que se pretende dos alunos ao longo da escolaridade. Se em provas do 6º ano é habitual que se peça ainda que sejam ordenadas palavras por ordem alfabética ou que se contem cd’s empilhados, não me parece que a banda larga e muitos computadores sejam essenciais para saber o alfabeto e a tabuada aos 12 anos. Ou seja, é necessário percebermos antes de mais o que queremos da educação e que tipo de alunos pretendemos formar, em que nível de escolaridade, antes de lhes entregarmos um computador.
  • Por fim, entender que os recentes avanços nas tecnologias da informação, com o seu efeito multiplicador, em vez de potenciarem a individualidade e a criatividade, acabam – se utilizadas de forma superficial – por promoverem em muitas situações a indiferenciação e a replicação, por exemplo, das mesmas informações colhidas numa enciclopédia enorme, mas sem índice ou hierarquização do valor dos conteúdos. Porque, e acho que concordarão, era mais fácil há 10 ou 15 anos termos trabalhos com características mais individuais dos autores do que agora em que todos vão à net, pesquisam no google e desaguam na wikipedia, de onde fazem copy/paste para o Word ou Power Point.

E é aqui que entra a questão das complementaridades. Na necessidade das empresas ligadas às TIC, ao desenvolvimento de equipamentos, redes e conteúdos, entrarem em contacto com as escolas e não se perderem apenas nos contactos com a estrutura burocrática e/ou política do ME para fazer negócios. Porque é necessário ouvir as necessidades concretas das escolas ao nível não apenas dos equipamentos, mas igualmente do software, seja educacional, seja de gestão. E isso só se consegue com parcerias no terreno e não nos gabinetes.

Essa complementaridade deve ser conseguida contra múltiplas resistências, seja da inércia das escolas e professores (ou da sua falta de autonomia para gerar e gerir verbas), seja das empresas que tendem a olhar para as escolas como unidades desinteressantes para o negócio, preferindo grandes contratos com o estado central ou mesmo as autarquias, seja do próprio aparato burocrático do Estado que analisa os negócios muitas vezes apenas do ponto de vista da racionalidade económica e quase nunca do ponto e vista do interesse e necessidades dos utilizadores.

Relativamente aos desafios que se colocam, pelo menos numa perspectiva breve e a partir da base escrevo amanhã, que agora já estou mais para ó lado do Morfeu do que para o meu.

Alexandre Ventura na Sábado sobre as provas de recuperação, permitindo antever que tudo vai mudar de acordo com o anúncio, desde que fique na mesma ou pior no concreto.

O que falhou com as provas de recuperação?

Para o ME, as provas de recuperação não falharam, mas podem ser aperfeiçoadas. A proposta do Governo vai, asim, no sentido da flexibilização das medidas adoptadas. Propormos medidas de diferenciação pedagógica, decididas por cada professor, em função de cada aluno que apresente problemas de assiduidade. Perante o diagnóstico, o professor determinará qual a medida mais adequada para o aluno recuperar a sua aprendizagem.

… imperativo apelo para a acção directa?

Disclaimer: Excluem-se dos potenciais pressionados todos os para-lamentares que emulem o look tardo-susan sontag ou simonetta anos 80/90.

… que nem espero pela noite.

Operator Please, Logic

Foi a frequência dos meus alunos na prova de ontem de Língua Portuguesa. Faltou o mais fraquinho? O que mais falta às aulas? Aquele que eu tenho quase a certeza de ter deixado quase meia prova por fazer? Não! Faltou a melhor aluna, por estar doente desde o início da semana!!! Há dois anos aconteceu-me o mesmo, com o melhor aluno a faltar por exames médicos. Irra quem nem um B para espairecer, tudo se resolverá entre o C e o D.

Uma prova que acho bem estruturada, como tem sido costume, este ano com um peso um pouco superior à média para o conhecimento explícito da língua (c. 24%), embora com uma abordagem bem mais simples do que a que normalmente fazemos nas aulas. Para qu~e andar a leccionar subclasses de palavras, se quase nunca aparecem? Para uma turma regular acho bastante acessível, para os meus PCA um desafio que eles se mostram confiantes em ter ultrapassado, perante alguma apreensão minha.

Para a semana aplico-lhes a prova de novo e ficarei com uma antevisão dos resultados.

Entretanto, lá irei para a faina de classificador, estando já disponíveis os critérios. Cerca de 4 semanas para corrigir uma meia centena de provas, com duas sessões conjuntas em horário sobreposto ao de algumas aulas. É o habitual.

Entretanto a prova do 4º ano também me parece equilibrada e bem estruturada, mesmo se acho o 2º texto um pouco puxado para o que é habitual nos textos usados para o 4º ano, em particular no que se refere ao vocabulário.

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