Segunda-feira, 3 de Maio, 2010


X-Files

Confesso que nunca pertenci bem ao culto… mas…

Então porque é referida neste documento da própria Fenprof?

É verdade que neste documento nada se diz quanto à graduação para os concursos, o que nos deixa na dúvida se ficou definido algo específic sobre o assunto. Ou se não. Em qualquer dos casos, há rabo de gato

Mas a questão que coloco é esta: se Mário Nogueira diz hoje que a acta negocial não se conhece, nem sequer o seu projecto para correcção, como foi possível elaborar este documento com base no que estaria em tal acta?

Ou será que a acta pública que não se conhece, afinal conhece-se, mas não de forma pública? Só em versão mastigada ou mitigada?

Como ficamos quanto a… a… a… como é que lhe chamaram? Teoria da conspiração?

De manhã, alguém me perguntava quais mentiras?

Será que devo continuar?

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E uma nota final de agradecimento ao Maurício por ter conseguido xdesencantar este documento, de que eu tinha pálida memória quando falava das tais promessas que teriam ficado em acta negocial. A menos que exista ainda outra. Acho que não. Só se for em projecto. Que não se conhece.

Y Olé!

Hoje não irei bater muito mais, porque há prazeres que se querem tântricos e eu – quiçá! – ande assim mais para os do espírito que por vezes a carne é fraca e apressada.

Portanto vou aqui deixar o que foi publicado hoje, 3 de Maio e comparar com o que foi divulgado no dia 12 de Abril, já sendo conhecido o aviso de abertura para o concurso para preenchimento das necessidades transitórias. Eu sei que naquela formulação há margem para manobrar a linguagem, mas…

Não contesto que os juristas não tivessem reparado. Mas não foi isso que foi dito publicamente, três dias depois de em alguns blogues já ter sido dado o alerta.

E como repararão, continuo apenas a usar declarações públicas:

  • 3 de Maio de 2010:

– A ideia de que os juristas da Fenprof não repararam que a avaliação contava para os concursos é outro absurdo. Obrigaria a honestidade que, antes da acusação, fossem lidos os pareceres da Fenprof, os cartazes, os comunicados, as revistas e os objectivos das lutas (não só de agora, mas de quando o ME impôs a avaliação nos concursos como retaliação por não ter sido levantada a greve de 19 de Janeiro de 2009).

Concurso para contratar docentes que preencherão lugares que, em 2011, terão de fazer parte dos quadros das escolas

(…)

Para o concurso que hoje se inicia, é de salientar o facto de, no respectivo Aviso de Abertura, já não constar qualquer referência à consideração da avaliação para efeitos de graduação profissional, factor que, como a FENPROF tem vindo a exigir e a esmagadora maioria dos professores a defender, não deverá ser considerado já neste concurso.

Trava assalto a tiro em escola e é preso

Um assaltante foi atingido com dois tiros quando se preparava para invadir a Escola EB 1 de Felgueiras. O autor dos disparos foi o vigilante do estabelecimento de ensino, que utilizou uma arma ilegal.

O primeiro foi posto em liberdade depois de ter sido assistido aos ferimentos numa mão e na perna esquerda, enquanto o funcionário da escola continua detido, após ter sido indiciado pelos crimes de posse ilegal de arma e de excesso de legítima defesa.

O vereador da Câmara Municipal de Felgueiras, responsável pela Escola D. Manuel Faria e Sousa, desconhecia que o vigilante do estabelecimento de ensino usava uma arma para se defender. “É óbvio que não sabia”, afirmou, ao CM, João Sousa, antes de lamentar a vaga de assaltos que atingiu as escolas do concelho. “Ainda na semana passada, a escola e o pavilhão de Idães foram assaltados. E há duas semanas uma outra escola foi vandalizada”, queixou-se.

Ontem, pelas 10h30, um homem de 30 anos, residente naquela localidade e já referenciado pela GNR por vários crimes, invadiu a Escola D. Manuel Faria e Sousa e foi surpreendido pelo vigilante, quando já tinha partido o vidro de uma sala.

Em circunstâncias ainda não conhecidas, o funcionário, de 42 anos, baleou o assaltante com uma pistola de calibre 6.35mm. As balas atingiram uma mão e a perna do ladrão que, mesmo ferido, ainda conseguiu fugir. Acabou por ser apanhado por uma patrulha da GNR de Felgueiras nas imediações.

O idiota serei eu, claro. Nada de confusões, que eu não confundo a postura institucional com verborreia ofensiva para com os interlocutores.

Idiota serei eu que, cedo, cedinho, me interroguei sobre o conteúdo das actas daquele dia negocial, que a noite foi só folclore.

Afirma sobre as ditas actas Mário Nogueira no artigo hoje divulgado no Público:

– As actas negociais são feitas por juristas e assinadas após correcção. São públicas. Qualquer sindicalizado as pode consultar no seu sindicato. Quanto à acta de 7 de Janeiro (do acordo), ainda não se conhece, porque não foi enviado à Fenprof o projecto para correcção. Portanto, a teoria da conspiração que fala em secretismo é, simplesmente, idiota…

Miam, miam, miam…

Que naco gosto, gostosinho, gostosíssimo.

Ando a lamber-me desde a manhã, mas o Arlindovsky e o Fafe já também já debicaram a carninha tenra deste parágrafo que tentarei – gngngngngngng – comentar de forma – gngngngngngngng – factual ao máximo, resistindo – gngngngngngngng – aos instintos mais coiso, certamente resultantes da minha inexperiência negocial.

(respirando fundo)

Vamos lá:

  1. As actas negociais são feitas por juristas que não se percebe se estiveram na reunião, mas isso é um detalhe.
  2. As actas ão públicas e qualquer sindicalizado as pode consultar.
  3. Quanto à acta de 7 de Janeiro, ainda não se conhece porque não foi enviado à Fenprof o projecto para correcção.
  4. Portanto, a teoria da conspiração que fala em secretismo é idiota porque a acta não se conhece, estando ainda na posse dos juristas do ME.

Vamos lá a ver se percebo:

  • A teoria da conspiração, assim designada inicialmente por alguém que não eu, está errada porque as actas não se conhecem, estando ainda no ME o projecto – que não sabemos agora como será elaborado, pois as partes podem acordar em lavrar o que lhes convenha – que nem sequer foi enviado à Fenprof?

Alguém é capaz de dizer, escrever, ler, recitar, declamar, cantar ou soletrar isto sem ter um imenso ataque de riso?

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Bem… uma consequência óbvia disto é que fico com imensos argumentos para não me apressar muito a fazer as actas quinzenais do PCA de que sou secretário pois se as  do acordo que envolveu a carreira de todos os professores ao fim de quatro meses ainda nem em projecto estão…

Existirão por certo aqueles que acham que estou a reagir sem ser nomeado, outros a dizer que eu estou a defender a floresta, sendo apenas uma árvore.

Isso não me interessa grande coisa.

Só que não gosto de ataques em forma de viés, já o disse várias vezes, daqueles que nomeiam para não nomear, esperando que cada um ou todos enfiem a carapuça.

O número de sms que recebi hoje de manhã quer-me fazer querer que não enfio parte da carapuça sozinho.

O texto de Mário Nogueira, mesmo se nomeando apenas Santana Castilho e Aguiar Branco, é suficientente claro/ambíguo quando se refere a «blogues da especialidade» e estende a casca de banana na referência aos interesses umbilicais. Sei que é a tentativa de estimular o meu ponto G, mas não havia necessidade.

Porque eu piso com gosto a casca de banana, pois sei que ela sairá à casa.

Eu estava mesmo à espera de escasso estímulo titilante. Lamento foi a forma, digamos, mais encoberta e menos frontal de o fazerem. Já percebi que as bravatas entre camaradas e à mesa depois esboroam um pouco à luz do dia.

Mas eu não me quero dispersar e, no fundo, queria aproveitar este post para assinalar que, no rescaldo do 10º Congresso da maior organização sindical de docentes – a classe profissional que meteu mais gente na rua que muitas manifestações frentistas -, o seu secretário geral optou por fazer publicar um artigo de natureza defensiva, autojustificativa e, no global, mais interessado em legitimar as opções do passado (até o memorando do entendimento é recuperado como grande coisa) e em atacar outros professores do que em apontar caminhos para o futuro e em demarcar-se com clareza dos parceiros negociais dos últimos meses.

Quando Mário Nogueira, que afirma que a Fenprof é uma organização responsável que não cede a aventureirismo, chama em sua defesa os argumentos da sua antiga colega de sindicato Margarida Moreira e decide apontar baterias a colegas professores, fazendo aquilo que critica (por vezes justificada, outras injustificadamente) aos outros como sendo errado, atingimos uma situação muito estranha.

Quase tão estranha quanto dirigentes sindicais (daqueles que perdem eleições e se fartam de reclamar com as regras que valiam quando ganhavam), a coberto de nicks, atacarem outros professores com argumentos – em especial de corporativismo, mas igualmente usando o termo professorzeco como ofensa – decalcados dos usados pela anterior equipa ministerial.

O que realmente demonstra que a escola é a mesma. Não gostam de ruído e querem a arena só para eles.

Mário Nogueira perdeu uma enorme oportunidade de produzir um bom, estimulante e mobilizador artigo de opinião que, com a divulgação na imprensa burguesa, digo, de difusão nacional, poderia servir para projectar a imagem dos professores para fora das suas fronteiras e cativar aqueles que observam tudo isto com alguma incompreensão. E poderia ter guardado este artigo para o jornal da Fenprof, pois ajudaria a consolidar os já convertidos.

Desta forma, ao optar por atacar outros professores, no fundo por delito de opinião, por terem opinião e não terem medo de a assumir em nome próprio e sem se esconderem, prestou um péssimo serviço a si mesmo, à Fenprof e aos professores em geral.

Quanto aos deslizes factuais da prosa, serão abordados em alguns posts recorrendo, como já disse, apenas às declarações do próprio e de outros dirigentes sindicais, evitando usar os testemunhos do poder e dos seus representantes, que Mário Nogueria poupa nos seus ataques de hoje.

Não é por acaso que até José Sócrates escapa a qualquer crítica, sendo que a Isabel Alçada e a Alexandre Ventura eu já sabia que nenhuma seria feita.

Para que conste: estou extremamente bem disposto, pois há pasto imenso para alimentar uma mão-cheia de posts com a demonstração dos equívocos argumentativos de Mário Nogueira contra quem não me move nenhuma «guerra pessoal», muito pelo contrário, pois revelou-se um excelente conviva nas raras ocasiões em que privámos e a quem reconheço bastante dedicação à causa, nem sempre servida pelos melhores apoios no seio da sua própria organização.

Vou transcrever na íntegra o artigo de opinião do secretário-geral da Fenprof que é publicado na imprensa burguesa de hoje, reservando para mais tarde um comentário suave a algumas passagens que destaco (e a vermelho as insinuações que considero bem mais gravosas do que as omissões deliberadas e a deturpação de factos), pois, felizmente, dou aulas e não faço da luta um emprego a tempo inteiro.

Acrescento ainda que, após ler este texto, já percebo certos dramas e pausas na blogosfera ligada aos docentes, assim como o ataque descabelado que, a coberto de diversos nicks, me tem sido feito por um dirigente minoritário de um sindicato geograficamente da minha zona ao ponto de, sendo professor que se acha exclusivo do Ensino Secundário, me ter tentado ontem ofender como «professorzeco do Ensino Básico», não entendendo que esse tipo de tratamento – que poderia dirigir ao seu líder sindical – só me orgulha e desqualifica o emissor.

Esta Fenprof incomoda que se farta!

Tem sido a Fenprof que, no Parlamento, na Provedoria, nos tribunais, na rua, tem exigido e lutado uma soluçãoAFenprof saiu, há dias, do seu décimo congresso. E saiu mais forte, para tristeza de quem gostaria que tivesse perdido dez mil associados, em vez de reforçar a sua representatividade. Não surpreende que, face a esta força, à unidade demonstrada e ao consenso gerado, haja quem se incomode e não o consiga disfarçar…

O congresso avaliou positivamente três anos de propostas, acção e luta. Momentos como o do memorando de entendimento que, na sequência de um inequívoco pronunciamento da classe, foi assinado, foram considerados essenciais no combate ao regime de avaliação, não só por ter dispensado mais de 90% dos docentes e aplicado, aos restantes, uma réplica menor, mas por permitir que a luta não se esboroasse e, oito meses depois de 8 de Março, tivesse despontado ainda mais forte. Surgiram então os primeiros ataques violentos aos sindicalistas, acusados, por alguma gente, de imorais contrapartidas quando, afinal, o ME, revanchista, lhes impôs fortes penalizações de índole profissional.

Em 8 de Janeiro, p. p., a luta dos professores resultou num acordo que acabou com a ignóbil divisão da carreira. Isto num momento em que se destroem carreiras, congelam salários, reduzem direitos… Não sei se a solução foi melhor ou pior do que a admitida pelo PSD e para a qual Santana Castilho tentou ajudar Aguiar-Branco a fazer contas, mas percebi que as preocupações orçamentais estavam muito presentes, o que, vindo de sectores políticos à direita, me preocupou muito.

As apreciações que cada um faz do memorando ou do acordo são legítimas… como legítima é a apreciação da Fenprof tendo por referência os associados, as direcções sindicais, o congresso… Ilegítimo seria a Fenprof ignorar quem representa para satisfazer interesses umbilicais.

Ilegítimo, também, é haver quem, para atacar a Fenprof, recorra a falsidades, como tem acontecido. Como exemplos, leiam-se artigo recente do ex-subsecretário de Estado de Balsemão e alguns posts em blogues da especialidade. A esse propósito, esclareça-se:

– As actas negociais são feitas por juristas e assinadas após correcção. São públicas. Qualquer sindicalizado as pode consultar no seu sindicato. Quanto à acta de 7 de Janeiro (do acordo), ainda não se conhece, porque não foi enviado à Fenprof o projecto para correcção. Portanto, a teoria da conspiração que fala em secretismo é, simplesmente, idiota…

– A ideia de que os juristas da Fenprof não repararam que a avaliação contava para os concursos é outro absurdo. Obrigaria a honestidade que, antes da acusação, fossem lidos os pareceres da Fenprof, os cartazes, os comunicados, as revistas e os objectivos das lutas (não só de agora, mas de quando o ME impôs a avaliação nos concursos como retaliação por não ter sido levantada a greve de 19 de Janeiro de 2009).

– A acusação de que a Fenprof nunca colocou esta questão à actual equipa ministerial é outra mentira. Colocou e logo na primeira reunião com a ministra, em 10 de Novembro. O dossier então entregue à ministra coloca o problema cuja origem foi explicada. Posteriormente, a questão foi abordada diversas vezes e a Fenprof, em 20 de Janeiro, apresentou uma proposta concreta: prorrogar, por um ano, o artigo 6.º das disposições transitórias do DL 51/2009.

Esta exigência integrou a Carta Reivindicativa e foi entregue a todos os partidos políticos e ao Ministério da Educação e foi ainda tema da Conferência de Imprensa de 27 de Outubro de 2009.

Tem sido a Fenprof que, no Parlamento, na Provedoria, nos tribunais, na rua, na comunicação social tem exigido e lutado uma solução.

Tudo isto é claro para quem quer ser esclarecido, o que não acontece com quem prefere manter os equívocos e a mentira; com quem se serve dos argumentos da Fenprof acusando-a de não ter tais argumentos; com quem não perde uma oportunidade de, quando a unidade mais se exige, a tentar quebrar, atacando quem tem melhores condições para a promover… e fica (quase) tudo dito.

A Fenprof e os seus dirigentes têm mantido uma atitude discreta, apesar dos ataques continuados. E fazem-no porque representam, não a si mesmos, mas muitos milhares de docentes que em si confiam e de si esperam um forte contributo para a resolução dos problemas. E tem sido a acção sindical, e não a verborreia de alguns, que, em tempos tão difíceis como os que atravessamos, tem conseguido construir focos de resistência e obter ganhos positivos para os professores e educadores. A Fenprof não confunde a acção sindical com “guerras” pessoais e adopta a postura política e institucional que dela esperam os docentes.

Outra é a postura de quem apenas se representa a si mesmo. Esses podem convocar manifestações e não comparecer; podem dizer as maiores asneiras sem se preocuparem; podem insultar e mentir sem temer consequências…

É essa a diferença entre a vida associativa e a de quem age por si mesmo. Percebeu isso a anterior directora regional do Norte quando comparou os professores ao esparguete para concluir que, todos juntos, ficam fortes, mas um a um quebram facilmente. Na verdade, a vida colectiva é mais complexa mas torna-nos mais fortes, para além de ser mais sã e mais democrática. Nela se procuram respostas para situações reais, o que raramente se compadece com a satisfação de clientelas virtuais.

Foi assim, respeitando o jogo e as regras democráticas, que a Fenprof sempre agiu; assim cresceu e afirmou-se; é assim que a Fenprof continuará a actuar… Incomoda?! Claro que sim, como se confirmou nos últimos dias: incomoda o poder, os amigos do poder e os que, não sendo poder, nele buscam um efeito catalisador… Pois bem, o 10.º Congresso decidiu que a Fenprof deverá continuar a incomodá-los!

Mário Nogueira

Secretário-geral da Fenprof


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