Domingo, 2 de Maio, 2010


(Os) Vingadores

Imperdoável falha minha, ontem, de uma das minhas séries favoritas de sempre…

Confesso que por vezes evito escrever sobre obras de História que leio, em especial sobre períodos que conheço mais ou menos ou sobre pessoas que também conheço ou conheci de perto.

Porque pode parecer panegírico ou ajuste de contas, conforme a relação com a dita cuja pessoa. Ou ainda o embaraço de ler algo fraco escrito por quem admiro do ponto de vista pessoal ou académico.

Há uns tempos destaquei uma obra que acabara de comprar e depois a leitura revelou-se uma enorme desilusão. Procurei não assinalar isso, apesar da tentação.

Em outros casos confirmam-se opiniões que eu tinha em matérias nas quais não sou especialista. Há semanas foi com algum gozo que li diversas críticas demolidoras para alguém que julga ser ficionista de profundidade e mérito, mas que não passa de pedantismo.

Mais recentemente, ontem mesmo, li uma recensão crítica sobre uma obra que já manuseara, deixando na prateleira da livraria por manifesta falta de entusiasmo em ler 750 páginas que se adivinhavam enfadonhas e destituídas de interesse. Mesmo se escritas por alguém que foi meu colega de mestrado, protegido de gente de bem no mundo académico e com uma ascensão interessante no ISCTE na área da História.

Só que eu lembro-me de certas e determinadas carências. Observei-as em directo. Nada que impedisse a dita ascensão, aliás, em alguns casos até ajudava. A pesquisa, recolha e tratamento selectivo da informação que é coisa que sempre me meteu alguma impressão pode ser a chave para o sucesso. E faz parte de uma certa escola de fazer História Contemporânea. Uma escola que colocou discípulos em imensas posições-chave.

Foi divertido ler a dita recensão sobre a mais recente e volumosa biografia do marechal Spínola, feita por José Pedro Castanheira a páginas 28 do caderno Actual do Expresso.

Alguns nacos:

Que dizer de um livro de 700 páginas pejado de omissões e erros, que (quase) nada esclarece, não respeita o contraditório e só entrevista os amigos?

(…)

As lacunas e omissões são múltiplas. Ignora a relação com Coelho Dias, o seu homem na PIDE, com quem contava para remodelar a polícia política. Passa por cima do papel do major Pereira da Costa no livro “Portugal e o Futuro”, cuja feitura foi muito mais colectiva do que se alega. Há erros factuais em torno dos dois governos provisórios que empossou.

(…)

Em numerosas passagens, LNR não respeita a regra do contraditório. Sobre o dossiê Guiné, por exemplo, não cita uma só vez a versão dos ex-presidentes Luís Cabral e Aristides Pereira. Os seus livros de memórias nem constam da bibliografia (…).

LNR entrevistou oito pessoas, que têm como denominador comum uma assumida admiração pelo marechal. Não ouviu familiares, nem críticos, nem adversários, muito menos inimigos. (…) Não trabalhou o arquivo da PIDE/DGS, não cita os relatórios do 28 de >Setembro e 11 de Março, nem os autos de declarações à Polícia Judiciária Militar.

Bem… nem tudo é mau, pois o autor teve acesso ao arquivo pessoal do biografado, mas identifica erradamente o parentesco da sua guardiã.

Tudo isto numa obra feita sem a pressão da prova académica. Pelos vistos apenas a pensar no cifrão, pois custa quase 40 euros.

Mas, espante-se, quem tantos erros de palmatória comete coordena cursos de mestrado e doutoramento no ISCTE.

E depois eu é que era má-língua…

Já estou habituado.

Aguarda-se reacção do autor nas próximas semanas.

The political parties need to make their differences on education clear

There are sharp differences between the political parties on education, both philosophically and practically – and we need to know what they are before we vote.

Whatever view you have about Labour’s achievements over the last 13 years, it is difficult to refute that Tony Blair’s “education, education, education” pledge propelled schools up the political agenda and into the nation’s consciousness.

The main party spokespeople on education in this general election, Balls, Gove and Laws, are all senior figures in their parties, close to their respective leaders and influential in developing their parties’ policies.

Politicians now compete to persuade the electorate that they will spend more on education than anyone else and “big ideas” are everywhere – even in the usually neglected areas of skills and vocational education. It’s difficult to imagine any prospective prime minister not saying it was a top priority.

Politicians face election quiz on education

Head teachers are grilling politicians from the three main parties on their plans for England’s education system.

The heads are due to boycott national tests in England for 11-year-olds.

Schools Secretary Ed Balls, who was greeted with polite applause, told head teachers “we have not agreed on everything this year”.

Conservative Michael Gove and David Laws of the Lib Dems are also appearing at the National Association of Head Teachers (NAHT) conference.

Tal como as queixas contra o nosso atraso, as campanhas de modernização do nosso país são ma recorrência na História do portugal contemporâneo.

Tivemos o fontismo que ia arrancar o país à miséria herdada do Absolutismo, tivemos a fase inicial do Estado Novo que ia arrancar o país à desordem republicana, tivemos a fase final do Estado Novo que ia arrancar o país à miséria da autarcia da fase inicial do estado Novo, tivemos o cavaquismo europeísta que nos ia arrancar ao marasmo anquilosante herdado do PREC, temos agora o socratismo modernista que nos vai arrancar à crise do guterrismo pós-expo e ao catastrófico início do milénio.

Com tantas campanhas de modernização, com obra feita e exibida para efeitos de propaganda, acho que deveríamos estar mais avançados do os mais avançados e mais modernizados do que os pós-modernos, mas basta olhar à volta para perceber que o essencial é sempre ultrapassado pelo acessório…

Pela minha escola, nas últimas semanas, sucederam-se várias caras novas. Colegas contratados a fazerem um mês de substituição de outro(a)s colegas nosso(a)s que por uma ou outra razão entraram de atestado, licença de maternidade/paternidade, etc.

Os motivos habituais.

Não tenho o número certo mas não é raro que, numa escola com 80 professores em exercício ao mesmo tempo, passem durante o ano cerca de 100 ou mais. E em escolas maiores passa-ase o mesmo. Assim como se sabe que no 1º CEB há escolas e turmas que chegam a ter 3 ou mais docentes num ano.

Com algumas das novas regras de contratação, também não é raro que por causa de 5 ou 6 horas que podiam ser distribuídas por gente da casa, seja obrigatório contratar um novo professor, por causa das regras que não permitem distribuir temporariamente as turmas por professores dos quadros da escola/agrupamento. Que só dá 5 horas de aulas mas entra para os ratios da OCDE e do Eurostat como mais um professor.

Porque os ratios são cegos. E por cá conta tudo, desde o professor com horário completo e 8 turmas num total de 200 alunos ao contratado de passagem com uma turma e 20-25 alunos.

E é esse tipo de práticas e critérios que não sei se são uniformes quando se trata de fornecer estatísticas à Europa e para consumo mediático.

Do número de professores que se diz em exercício, qual a proporção dos que estão com horário incompleto, a fazer biscates (sem desprimor) com uma o duas turmas apenas e um horário de 10 ou menos horas?

E desse número, contabilizam-se todos os que passam pelo mesmo lugar e turmas, como se estivessem todos em exercício ao mesmo tempo?

Porque há formas e formas de recolher e tratar os dados estatísticos. E no caso do ME nunca se sabe que critérios se usam. Neste caso, somam-se todos os professores que passam pelo sistema, mesmo que não exerçam e simultâneo e diz-se que há 150.000 professores a leccionar quando o mais certo é que, em simultâneo, existam apenas 140.000 e desses um número indefinido (mas que o ME tem forma de saber) com horário (muito) incompleto. Porque esta foi a forma de reduzir estatisticamente o desemprego entre os licenciados que se candidatam á docência.

Enquanto se contratam 5 professores com 10 ou 11 horas, não se contratam 2 com horário completo. Ou não se pagam horas extraordinárias a professores colocados já nas escolas que poderiam assegurar, com menos necessidade de adaptação, algumas turmas que ficam temporariamente sem professor.

Eu sei que assim se asseguram postos de trabalho. Mas numa situação de extrema precariedade e quantas vezes para dar uma ilusão de não desemprego, visto que a remuneração mal cobre os custos.

E pode exibir-se um número fictício de professores em exercício.

Não é que esteja contra haver a possibilidade destes colegas trabalharem, pelo menos algumas horas, em vez de estarem sem fazer nada.

Mas há que distinguir com clareza as coisas..

Porque assim os ratios ficam todos distorcidos temos de aturar aqueles opinadores que só sabem olhar para gráficos, sem perceberem como se chega a eles.

Porque não sabemos se este tipo de práticas se encontram em outros países, mais habituados a lidar com estatísticas de uma forma rigorosa.

Many parents failing to read to children, survey shows

More than half of primary teachers say they have seen at least one child with no experience of being told stories at home.

Indy Choice: Best of the new books

Nem de propósito o nº 1 é o The Pleasures and Sorrows of Work do Alain de Botton

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