Parque Escolar entrega projectos a colegas de administradora

A empresa Parque Escolar adjudicou, sem concurso, projectos de arquitectura para a remodelação de 13 escolas secundárias a sete colaboradores de um dos membros do seu conselho de administração. O alerta consta da documentação entregue recentemente na Assembleia da República por um grupo de arquitectos que, este ano, lançou uma petição contra a prática de contratação seguida por aquela empresa pública.

O novo milénio está a ser ainda mais demolidor para Portugal do que se esperava. A erosão completa da transparência e dos valores que devem nortear a gestão da coisa pública  apenas agrava o que já seria uma gravíssima crise económica, transformando-a numa evidente crise de regime. E não é de crescimento…

O assalto ao poder e aos negócios do estado pelos boys and girls tem sido avassalador e certas oposições gritam, gritam, mas recebem umas prendas de quando emvez para se calarem.

E há prendas para todas as cores, com nomeações e negócios feitos a dedo para neutralizar certos focos mais aguerridos de contestação.

E, no seu remanso protegido, passa a viver-se numa aparência balofa de um confronto democrático, irremdiavelmente esvaziado de conteúdo e significado.

E isto é mesmo uma manifestação do recorrente discurso fatalista e decadentista de Portugal, porque é assim que vamos vivendo, salvo fugazes momentos de acalmia ou euforia passageiras.

O negócio em torno da Parque Escolar é sintomático do nosso modelo de desenvolvimento baseado em obras públicas: criação de franjas de trabalho pouco qualificado e mal remunerado e recolha da nata do negócio por uma elite de amigos.

Daí a facilidade em Sócrates e Jardim se entenderem.