… mas eu nem sei bem já o que diga quando ele me dedica parcialmente um post em que, na prática, me atribui um estatuto que eu nunca reclamei mas que ele (e mais algumas pessoas) parecem querer atribuir-me ao mesmo tempo que criticam quem dizem atribuir-mo.

Confusos?

Nem por isso. É apenas a lógica da pescadinha de rabo na boca.

O Francisco Santos considera, por exemplo, que o Plano Inclinado que passou ontem visou, de algum modo, obscurecer o trabalho reflexivo de mais de 800 delegados ao 10º Congresso da Fenprof.

Espero, ansioso, pela crítica do Francisco Santos ao agendamento do Benfica-Olhanense para o mesmo horário, apostando eu que a maioria dos delegados ao Congresso estariam, a essa hora, mais entusiasmados com o penalty do Cardozo e a expulsão daquele tipo que nem tive o tempo para fixar o nome do que com a reflexão que teriam feito ao longo de dois dias de aturada ratificação, desculpem, votação das propostas que lhes foram servidas, desculpem, apresentadas pelas chefias, desculpem, estruturas de coordenação.

Então, porque será que um professor empenhado, um indivíduo atento, informado e esclarecido, aceita ser usado por uma comunicação social empenhada em desvalorizar o sindicalismo de classe, e em amesquinhar a classe docente e a escola pública para todos, como no caso desta notícia do Diário Económico, ou no agendamento de um programa televisivo, em que ele participou, para o dia do fim do congresso da Fenprof?

É que sobre “teorias da conspiração” há mais quem veja tanto ou mais do que o P.Guinote.

De facto, agendar o Plano Inclinado para a noite do encerramento do X Congresso da Fenprof, quando podia ter sido passado na semana passada (por já estar gravado) ou na próxima e seguintes, revela alguma coincidência a que não será estranha a postura do pivot do programa e dos seus colaboradores residentes. O P.Guinote não terá culpa nenhuma de tal facto, mas lá que se pôs a jeito, não restam dúvidas.

Da mesma forma que se pôs a jeito quando permitiu que a jornalista do DE lhe atribui o mesmo estatuto de representatividade que é reconhecido aos secretários gerais da FENPROF e da FNE, na tal notícia do DE.

O narcisismo tem limites e, estou certo, o próprio P.Guinote é capaz de se sentir incomodado quando a voz que lhe é dada é comparada com o esforço reflexivo de mais de 800 colegas, que como ele trabalham diariamente nas escolas, são directores de turma, têm alunos do currículo regular, mas também com NEE’s, PCA’s, CEF’s, EFA’s, PIEF’s, CNO’s, horários de 35 e muitas mais horas na escola e, fazendo tudo isto, continuam a acreditar que em conjunto, debatendo, discutindo, “partindo pedra”, ouvindo outras experiências e tomando contacto com outras realidades, se acaba por tomar decisões mais acertadas e que servem melhor todos nós.

Há que ter a noção das realidades.

Algo que eu tenho.

O Francisco Santos não.

Atribui-me um protagonismo que eu próprio não assumo.

E para terminar, até em nome de uma coisa que por aí alegaram em comentários – a (des)onestidade intelectual -, todos ou quase sabem (e se não sabem podem perguntar a quem quiserem) que não sou eu a telefonar a ninguém para prestar declarações a jornais ou aparecer esporadicamente em programas televisivos.

Também não me parece que seja por eu ser um tipo todo giraço nos meus fracassado 98 quilos (almocei no Alcanena, devo estar novamente a bordejar a centena). Nem por eu debitar discursos recorrentes e desacreditados. Ou conspirativos.

Muito menos por eu, por mim só, conseguir fazer frente à Fenprof e ao ME de uma só vez.

Um conselho, meu caro Francisco (e outros na mesma linha): não temam nada. Isto são coisas passageiras, efémeras e há que saber lidar com elas. Não aspiro a tirar-vos o lugar, seja disputando-o nos sindicatos ou em organizações paralelas. Já me cansei de explicar que aos 45 anos não me apetece passar por aquilo que já aos 25 me entediava só de pensar.

Não sou um homem de organizações.

Sou um professor(zeco, raso, agora com os mesmos obstáculos à progressão do que antes por um triz, pois ia ficando com mais), que dá as suas aulas e agora está (pre)ocupado com os seus alunos que fazem prova de aferição daqui a pouco mais de uma semana porque combinámos objectivos (80% de sucesso era bom com 15 alunos de PCA) e há que trabalhar.

O resto é a espuma dos dias. Só isso.

Aquietai-vos que não vos invejo a cutelaria que, para mais, considero escassa.

Post scriptum: o Francisco Santos conseguiu escrever aquilo tudo sem (assumidamente) ter visto o programa. Aposto que estava a ver a bola.

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