Há coisas que são por demais divertidas para as deixarmos passar em claro. Uma delas é esta tirada de Mário Nogueira no discurso de encerramento do congresso da Fenprof:

Mas queremos e exigimos ter como interlocutor um Ministério da Educação e não uma Secretaria de Estado dependente da Presidência do Conselho de Ministros. Sabemos que o ME integra o Governo, mas não aceitamos que cada decisão do ME, para ser tomada, dependa de um telefonema para o Gabinete do PM. Se assim for, então que o PM assuma as suas responsabilidades e negoceie directamente connosco. Se não o faz, e não tem de o fazer, teve de reconhecer competência política à equipa do Ministério da Educação.

Ora bem, não quero ser presunçoso, mas parece-me que tem sido isto que eu digo há semanas. Estranho é o idílio que foi mantido durante três meses com a tal secretaria de Estado sem autonomia.

Mas não é verdade que durante o próprio dia (e noite) do acordo tudo só foi decidido após os sacramentais telefonemas?

Levaram mais de 100 dias para o perceber ou andaram iludidos que os telefonemas acabariam por funcionar? Vá lá, já que começaram a desfiar a estórinha, levem-na até ao fim…

Eu poderia alinhavar diversas ligações para posts em que afirmei claramente e em tempo útil aquilo que Mário Nogueira só verbaliza agora, depois de nada ter sido alcançado para além da letra estrita do acordo.

Mas basta-me esta passagem, nem de propósito escrita no dia 31 de Dezembro de 2009, antes do acordo e antes de mais de três meses de letargia por parte daqueles que se dizem sempre mais lúcidos, mais firmes, mais perspicazes, mais experientes, mais tudo:

Não há que enganar; como nos bons velhos tempos em que o António ocupava várias pastas ao mesmo tempo, em particular as mais sensíveis, o José é, mesmo que não formalmente, o verdadeiro Ministro da Educação e Teixeira dos Santos o seu secretário de Estado.

(…)

Isabel Alçada é, infelizmente, apenas um rosto para as relações públicas e Alexandre Ventura o pretenso negociador que demora trinta palavras para dizer o que se perceberia em dez.