Terça-feira, 20 de Abril, 2010


Life

Ganhou à intemporal Lassie e ao óbvio L Word, porque não sou assim tão lesbo-voyeur quanto a média para caucasianos, hetero e a entrar (já lá estarei) na meia idade.

Parlamento aprova audição urgente de Isabel Alçada para explicar concurso de professores

Mas o que há para explicar quanto ao concurso, propriamente dito? Que cumpriram o legislado e não desmereceram o acordado? Não será mais quanto aos efeitos nefastos da ADD?

O post de ontem mereceu hoje algumas reacções, alguma curiosidade, alguns telefonemas e alguns esclarecimentos.

  • Desde logo deixar claro que a data de realização das provas não foi alterada, apenas antecipada em relação ao que tem sido prática comum. No início de Fevereiro tomei conhecimento da data deste ano, duas semanas antes do que é habitual. Já lá ia meio ano lectivo quase decorrido. Na altura ninguém explicou porque este ano as provas deixaram de ser realizadas a um mês do final do ano lectivo para mês e meio.
  • Considero, sem rebuço e a contracorrente de muita gente, que considero as provas de aferição como um instrumento bastante interessante e útil e que ao longo dos anos, pelo menos em Língua Portuguesa, têm revelado uma assinalável consistência (com um ou outro deslize) na sua elaboração.
  • Esclareço ainda que acho que esta alteração, pelo que implica de compressão do trabalho previamente planificado no início do ano lectivo é mais complicada para Matemática porque qualquer docente conscencioso terá a tendência para tentar ter os seus alunos preparados para toda a matéria, pois não existe guião ou programa mínimo para estas provas, apenas a análise das provas anteriores.
  • Por fim, dizer com igual clareza que o argumento da antecipação por duas semanas decorrer, em parte, da visita papal é uma informação oficiosa e não oficial. Não está em papel passado, portaria, despacho ou circular. Ouve-se por aí, na sequência de perguntas que são respondidas. E  tem lógica num país em que o casuísmo faz doutrina e é lei.

Dito isto, acrescentaria que soube à entrada da noite que o ME divulgou um esclarecimento a explicar que a data das provas deste ano foi ditada pelos relatórios e pedidos das Unidades de Aferição no sentido de distender o tempo disponível para a classificação das provas, sendo omissa qualquer referência papal.

O que vou aceitar como bom (o ME é e certamente pessoa – colectiva – de bem,  nunca omitiria nada nestas notas para a imprensa), mas me levanta um trio de reservas:

  • Se os pedidos das Unidades de Aferição foram atendidos, porque não foram consultadas as Escolas sobre isto (o Conselho de Escolas, por exemplo)? Será que a classificação das provas tem prioridade sobre o trabalho com os alunos e a devida planificação do trabalho dos docentes para potenciar (é pá! estou eduquês!!!) a aprendizagem dos alunos?
  • Se querem uma cultura de rigor na Avaliação/Aferição do funcionamento do sistema educativo e das aprendizagens dos alunos, para quando o estabelecimento de regras, critérios, calendários, etc, etc, coerentes e consistentes de ano para ano, de modo a tornar viável comparações de médio e longo prazo?
  • Foi considerado na elaboração das provas deste ano a antecipação da sua realização em mais duas semanas, o que pode equivaler a menos 10 aulas de trabalho com as turmas? Ou tudo foi feito como é costume?

Não é nada de espectacular ou raro. Aliás, há colegas minhas(meus) que têm dedicado muito mais tempo a estas coisas do que eu, mas há dias assim.

Sair de casa pelas 7.45, para chegar pouco depois das 8 da manhã à escola para ser um dos acompanhantes de uma visita de estudo do 5º ano a Lisboa. Regresso pouco depois das 13 para almoçar e seguir com reunião quinzenal de PCA mais quatro aulas até às 18.30. Ronda para recolha familiar e retorno para jantar pelas 20 horas.

Principal dano colateral: como a mãe também tinha reunião com EE até depois das 19 horas, a petiza teve direito, graças à Escola Terceiromundista a Tempo Inteiro dos pais, a uma permanência de quase 12 horas fora de casa, 11 delas em Escola Terceiro Mundista a Tempo Inteiro, uma enorme conquista do mandato anterior de acordo com Sócrates, Rodrigues & Almeida, SARL.

E não me venham com a demagogia de sermos uns privilegiados por não andarmos a extrair carvão em minas ou a trabalhar em fábricas dickensianas, porque eu também acho essa forma de flexibilidade mais um exemplo do falhanço do nosso Desenvolvimento, que só existe quando subsidiado pelo Estado por sua vez subsidiado pela Europa.

É este o modelo de vida, profissional ou familiar, que queremos? É esta a a função da Escola?

E é a nós que pedem para irmos para a Guerra?

Não nos disseram que tinha chegado o tempo da Paz, só faltando cantarem em dueto ou trio o pomba branca, pomba branca do Max?

Se ando piurso? Mas claro que ando!!!

Querem Guerra? Comecem a dar o exemplo, enchendo umas aulinhas em plena parada!

Público (editorial), 20 de Abril de 2010

Demasiados erros, demasiada confusão, demasiadas incongruências marcaram o anterio ciclo avaliativo que pouca gente considerará justo considerar para efeitos de graduação profissional.

Ministério e sindicatos estiveram meses em idílio negocial, partilhando confidências e confianças. Tiveram tudo – ou quase – na mão para recomeçar tudo de novo em condições.

Ou não souberam fazer ou não os deixaram fazer.

Se prometermos ao senhor engenheiro que não nos regozijamos muito alto, será que ele deixa a Educação em paz e deixa de interferir em algo que notoriamente lhe é estranho, seja em que sentido for?

FENPROF reúne esta quarta-feira, dia 21, na Provedoria de Justiça

A demonstração teórica das incongruências revela um interessante trabalho de casa que nem sempre surgiu em outras matérias.

No entanto esta passagem deixa-nos um pouco confusos quando à validade do princípio: é só para este ano, porque é o problema em mãos, ou é só este ano porque…

Face a esta situação, a FENPROF considera que a avaliação de desempenho não deverá este ano ser considerada para efeitos de graduação dos candidatos ao concurso, bastando que seja prorrogada a norma prevista para o ano transacto. Nesta fase de candidatura, muitos professores, para poderem concorrer, são obrigados a considerar classificações que não lhes foi atribuída, sob pena de não poderem ser candidatos. Por outro lado, por colocarem essas classificações, poderão ser excluídos do concurso, caso as escolas não as validem.

Na fase de “aperfeiçoamento de candidaturas”, que decorrerá entre 3 e 6 de Maio, poderá este “campo” da avaliação ser eliminado. À FENPROF parece ser essa a solução justa, recordando-se que o próprio Governo (ou a Assembleia da República, pois é recente o consenso gerado entre os diferentes grupos parlamentares, em reunião realizada na Comissão de Educação e Cultura, no dia 15 de Abril) poderá tomar a iniciativa de a viabilizar.

Quanto à intervenção do Parlamento, a acontecer uma coligação que derrote o PS nesta matéria, salvaria parcialmente a face dos negociadores (ambos firmes e hirtos no confronto), deixando o engenheiro algo entalado.

Ou seja, é uma solução que talvez agrade a 99,9% dos intervenientes neste processo.

CDS entrega projecto para que avaliação não conte nos concursos

O projecto de resolução (e não de lei) está aqui. Retoma a argumentação da Fenprof.

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